quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Novo remédio para epilepsia farmacorresistente chega ao Brasil


 A epilepsia pode mudar a rotina de forma imprevisível e desafiadora. No entanto, um novo medicamento acaba de chegar ao Brasil com a promessa de ampliar as possibilidades de controle das crises, principalmente para quem já tentou diferentes tratamentos sem sucesso.

A Eurofarma anunciou o lançamento do XCOPRI® (cenobamato), indicado para o tratamento da epilepsia farmacorresistente em adultos. Ou seja, ele é voltado para pacientes que continuam tendo crises mesmo após o uso de outros medicamentos.

Aprovado pela Anvisa em março, o remédio terá preços definidos pela CMED e deve chegar às farmácias brasileiras em agosto. Ele será vendido nas doses de 12,5 mg, 50 mg, 100 mg e 200 mg.

Epilepsia farmacorresistente ganha nova opção

Quando a epilepsia não responde aos tratamentos tradicionais, o impacto na qualidade de vida pode ser enorme. Nesse cenário, novas terapias são essenciais para mudar o rumo da doença.

Segundo Renata Campos, CEO Brasil da Eurofarma, a novidade pode representar um avanço importante. "Nossa busca por inovação chega à ponta para transformar a rotina das pessoas. O tratamento com cenobamato pode reduzir significativamente as crises epilépticas em pessoas com epilepsia farmacorresistente", afirma.

Além disso, ela destaca o impacto no dia a dia dos pacientes. "Pacientes que antes não tinham acesso a medicamentos inovadores como esse ou que dependiam de importação excepcional passam a contar com uma nova opção terapêutica no país", completa.

Como o novo medicamento age na epilepsia

O cenobamato chama atenção pelo mecanismo de ação diferenciado. Ele atua tanto na modulação dos canais de sódio quanto na potencialização do GABA, neurotransmissor inibitório do cérebro.

Na prática, isso significa um controle mais eficaz das crises. Consequentemente, estudos clínicos mostraram resultados considerados expressivos no tratamento da epilepsia focal farmacorresistente.

Em terapias combinadas, pacientes que usaram 400 mg por dia tiveram redução mediana de 65% nas crises. Já com 200 mg diários, a redução foi de 55,6%.

Além disso, um dado chama atenção: entre 21% e 28,3% dos pacientes ficaram livres de crises. Esse resultado é raro em tratamentos convencionais da epilepsia.

Para comparação, após três linhas de tratamento tradicionais, apenas cerca de 4% dos pacientes alcançam esse nível de controle.

Resultados reforçados na prática clínica

Os dados não se limitam aos estudos iniciais. Experiências recentes reforçam o potencial do medicamento no mundo real.

Em um estudo de 2025, quase 80% dos pacientes tiveram redução de pelo menos 50% nas crises após um ano. Além disso, 36,6% ficaram sem crises nesse período.

Após dois anos, os números continuaram positivos. Cerca de 80% mantiveram a redução das crises, enquanto 30,9% permaneceram livres delas.

Outro ponto importante foi a adesão ao tratamento. Muitos pacientes conseguiram reduzir outros medicamentos, simplificando a rotina.

Assim, o cenobamato se mostra uma alternativa relevante para casos de epilepsia de difícil controle.

Epilepsia ainda é desafio no Brasil

Apesar dos avanços, a epilepsia ainda representa um grande desafio de saúde pública. No Brasil, entre 1% e 2% da população vive com a condição.

Isso significa que até três milhões de pessoas são impactadas direta ou indiretamente pela doença.

Na América Latina, o cenário também preocupa. Mais de seis milhões de pessoas têm epilepsia ativa, mas cerca de 60% não recebem tratamento adequado.

Isso acontece por diversos motivos. Entre eles estão diagnóstico tardio, dificuldade de acesso a especialistas e limitação de terapias inovadoras.

Como resultado, muitos pacientes enfrentam crises frequentes, além de estigma social e perda de qualidade de vida.

O impacto de novas terapias

A chegada de novas opções terapêuticas pode mudar esse cenário aos poucos. Afinal, ampliar o acesso a tratamentos eficazes é fundamental para reduzir as crises e melhorar a autonomia dos pacientes.

Com isso, pessoas com epilepsia farmacorresistente passam a ter mais chances de controlar a doença. Consequentemente, isso pode refletir diretamente na rotina, no trabalho e nas relações sociais.

Portanto, o avanço trazido pelo cenobamato vai além dos números. Ele representa uma nova perspectiva para quem convive diariamente com a epilepsia.



Fonte: Terra

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Projeto de Renata Abreu amplia direitos para pessoas com epilepsia grave

 
Pessoas que convivem com epilepsia grave poderão ter mais acesso a direitos e proteção social. É o que prevê o Projeto de Lei Complementar (PLP) 161/2026, apresentado pela deputada federal Renata Abreu (SP), para alterar a lei que regulamenta a aposentadoria da pessoa com deficiência.

O Projeto de Lei Complementar reconhece que, em muitos casos, a epilepsia provoca limitações que afetam o trabalho, os estudos, a mobilidade e a vida social. Hoje, muitas pessoas enfrentam dificuldades para ter sua condição reconhecida, mesmo quando sofrem crises frequentes e incapacitantes.

“A iniciativa busca corrigir uma lacuna na legislação e ampliar a proteção de pessoas que convivem diariamente com uma doença neurológica que pode trazer consequências profundas para sua qualidade de vida”, afirma Renata Abreu.

A proposta estabelece que a epilepsia grave, resistente ao tratamento ou incapacitante poderá ser reconhecida como deficiência, desde que uma avaliação especializada comprove os impactos da doença na vida da pessoa.

Atualmente, não são raros os casos em que o paciente comparece a uma perícia em um dia sem apresentar crises e acaba tendo seu pedido negado, mesmo convivendo com episódios frequentes que colocam sua segurança e autonomia em risco.

A proposta determina que a análise leve em consideração todo o histórico médico do paciente, incluindo laudos, exames, frequência das crises, efeitos dos medicamentos e as dificuldades enfrentadas no dia a dia.

O texto também prevê uma avaliação mais adequada para fins previdenciários, permitindo que pessoas com epilepsia grave tenham acesso aos direitos garantidos às pessoas com deficiência, quando comprovadas limitações de longo prazo.

A deputada assegura que o objetivo não é criar benefícios automáticos, mas garantir justiça para quem enfrenta uma condição que muitas vezes é invisível aos olhos de quem avalia. “A ausência de uma crise no momento da perícia não poderá ser usada, sozinha, para negar o reconhecimento da deficiência ou o acesso a direitos”.

A epilepsia pode impedir uma pessoa de trabalhar, estudar, dirigir ou realizar atividades simples do cotidiano com segurança. “Precisamos garantir que essas pessoas sejam avaliadas de forma justa e tenham acesso aos direitos que a lei já assegura”, afirma a parlamentar.

POR QUE O PROJETO É UM PLP?

A proposta foi apresentada como Projeto de Lei Complementar (PLP) porque altera a Lei Complementar nº 142/2013. E pela legislação brasileira, uma lei complementar só pode ser modificada por outra lei complementar, o que torna necessária essa forma de tramitação.



Texto – Lola Nicolás

Fonte: Impressa Podemos

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Entidades denunciam falta de medicamentos para epilepsia no SUS

Entidades da sociedade civil criticaram a falta de medicamentos e outros tratamentos para epilepsia no Sistema Único de Saúde (SUS) e no próprio mercado. As reclamações foram apresentadas em audiência pública da Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados.

A audiência foi solicitada pela deputada Juliana Cardoso (PT-SP), que participou, em seguida, do lançamento da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Pessoa com Epilepsia.

A diretora da Federação Brasileira das Associações de Doenças Raras, Andréia Bessa, afirmou que a falta de medicamentos pode causar danos irreversíveis aos pacientes, com perda do controle da doença e necessidade de internação.

Segundo ela, os principais problemas são licitações sem fornecedores interessados, preços incompatíveis com a capacidade de compra do SUS e a descontinuidade da fabricação de alguns produtos.

Incorporação de tecnologias

A conselheira da Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para Saúde, Paula Nobrega, lembrou que cerca de 30% das pessoas com epilepsia precisam de tratamentos além dos medicamentos, como dispositivos médicos estimuladores. Ela avaliou que a incorporação dessas tecnologias pelo SUS ocorre de forma lenta.

"O ciclo de inovação de um dispositivo médico é de apenas dois anos. Se o processo de incorporação não acompanhar esse ritmo, a tecnologia pode se tornar obsoleta antes de chegar aos pacientes. Compreendemos os desafios burocráticos do Estado, mas precisamos refletir sobre os efeitos dessa demora na ponta."

Entre as propostas apresentadas pelas entidades estão a criação de um painel público para monitorar o risco de desabastecimento de medicamentos essenciais, a aplicação de penalidades a fornecedores que descumprem contratos e incentivos à produção de medicamentos com baixo interesse comercial.

Dificuldade de acesso

A representante da Associação Brasileira de Epilepsia, Isabella D’Andrea, destacou os impactos emocionais e sociais causados pela dificuldade de acesso aos medicamentos.

"O problema não é apenas de saúde. Há consequências sociais e emocionais. A preocupação constante com novas crises afeta a vida da pessoa. Quando o medicamento falta na farmácia, ela precisa pedir ajuda a amigos, organizar vaquinhas ou buscar apoio na comunidade para manter o tratamento", disse.

Compras emergenciais

Representante do Ministério da Saúde, Jans Izidoro reconheceu falhas no monitoramento do abastecimento, o que dificulta ações preventivas por parte do governo.

Ele informou que o ministério trabalha em um novo modelo de punição para fornecedores e em um sistema de compras emergenciais que poderá ser utilizado pelo governo federal e pelas secretarias estaduais de saúde.



Fonte: Agência Câmara de Notícias
 

quinta-feira, 23 de julho de 2026

O uso de aparelhos auditivos está associado a um risco 23% menor de demência em pessoas com epilepsia e perda auditiva


 A perda auditiva é amplamente reconhecida como o maior fator de risco modificável para demência. No entanto, se os aparelhos auditivos podem reduzir o risco de demência permanece debatido.

Para explorar isso, pesquisadores do Hospital Universitário de Zurique e da Universidade de Liverpool analisaram registros eletrônicos de saúde de mais de 250 milhões de pacientes na rede TriNetX.

Eles compararam adultos com perda auditiva que usavam aparelhos auditivos com adultos que não usavam. A análise incluiu a população geral de perda auditiva, bem como pessoas que vivem com epilepsia, acidente vascular cerebral, diabetes tipo 2, doença renal crônica, insuficiência cardíaca, enxaqueca e osteoartrite.

Não foi encontrada associação significativa entre o uso de aparelhos auditivos e o risco de demência na população geral com perda auditiva, nem entre pessoas com acidente vascular cerebral, enxaqueca, diabetes tipo 2, doença renal crônica, insuficiência cardíaca ou osteoartrite.

No entanto, entre adultos com epilepsia e perda auditiva, o uso de aparelhos auditivos foi associado a um risco 23% menor de demência. Isso correspondeu a uma redução absoluta do risco de 2,7 pontos percentuais ao longo de cinco anos, o equivalente a um caso a menos de demência para cada 37 pessoas que usam aparelhos auditivos.

Os pesquisadores acreditam que as descobertas podem ser explicadas por diferenças na reserva cognitiva – a capacidade do cérebro de continuar funcionando efetivamente, apesar das mudanças relacionadas à idade ou dos danos causados por doenças.

A autora principal, Dra. Carolina Ferreira-Atuesta, explicou: “A maioria das pessoas com perda auditiva tem reserva cognitiva suficiente para absorver o esforço extra causado pela deficiência auditiva, portanto, corrigi-la pode não ter um grande efeito no risco de demência. A epilepsia é diferente porque a reserva cognitiva muitas vezes já está reduzida, o que significa que a remoção de uma fonte adicional de tensão pode ter um impacto maior.”

“Há várias razões biologicamente plausíveis pelas quais podemos ver esse efeito na epilepsia. A condição está associada ao declínio cognitivo acelerado, a epilepsia do lobo temporal afeta áreas do cérebro envolvidas na audição e alguns medicamentos anticonvulsivos podem piorar a audição “, acrescentou o Dr. Ferreira-Atuesta.

Os resultados têm implicações importantes para a prática clínica, de acordo com os pesquisadores. Como as pessoas com epilepsia já estão em contato regular com os serviços de saúde, as avaliações auditivas podem ser prontamente incorporadas aos cuidados de rotina.



Fonte: Estadão Conteúdo

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Tecnologias digitais ampliam acompanhamento clínico e transformam cuidado de pessoas com epilepsia


 O avanço das tecnologias digitais começa a redefinir a forma como pessoas que vivem com epilepsia são acompanhadas ao longo do tratamento, especialmente por meio de aplicativos e plataformas que permitem registrar crises, organizar informações clínicas e gerar dados contínuos entre as consultas médicas.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 50 milhões de pessoas vivem com epilepsia no mundo, sendo aproximadamente 3 milhões no Brasil, cenário que reforça a necessidade de estratégias capazes de qualificar o monitoramento da doença fora do ambiente hospitalar. A digitalização do cuidado surge como resposta a um desafio histórico da neurologia, que envolve a dificuldade de reunir informações confiáveis sobre frequência, duração e possíveis gatilhos das crises, fatores essenciais para decisões terapêuticas mais precisas.

Para a Dra. Kamylla Thiago de Almeida, médica neurofisiologista clínica especializada em epilepsia e cofundadora da ICTAL, o uso de registros estruturados representa uma mudança relevante na relação entre paciente e médico. “Durante muito tempo, o acompanhamento dependeu quase exclusivamente da memória do paciente ou de anotações informais, o que limita a compreensão da evolução clínica. Quando os dados passam a ser registrados de forma organizada e contínua, o neurologista consegue identificar padrões e ajustar o tratamento com maior segurança”, afirma a especialista, que atua tanto no sistema público quanto privado e acompanha de perto os desafios enfrentados por pacientes e familiares na gestão das informações sobre crises.

O movimento acompanha uma tendência mais ampla da saúde digital, marcada pelo crescimento de soluções que integram inteligência artificial à análise de exames neurológicos, incluindo o eletroencefalograma, tema investigado em estudos científicos internacionais publicados entre 2023 e 2024. Plataformas capazes de padronizar dados clínicos também ampliam o debate sobre autonomia do paciente e medicina baseada em evidências, ao mesmo tempo em que levantam discussões sobre privacidade, segurança da informação e acesso equitativo às tecnologias. Iniciativas brasileiras como o aplicativo Diário de Crises da ICTAL exemplificam essa transformação ao buscar aproximar pacientes e especialistas por meio de dados organizados que facilitam a comunicação clínica e contribuem para decisões médicas mais contextualizadas.

Nesse cenário, a especialista avalia que a digitalização do acompanhamento pode alterar de forma estrutural o cuidado neurológico nos próximos anos. “A tecnologia não substitui o olhar clínico, mas amplia a capacidade de compreender o cotidiano do paciente entre as consultas. Quando conseguimos transformar experiências individuais em dados clínicos consistentes, abrimos caminho para tratamentos mais personalizados e para uma participação mais ativa da pessoa com epilepsia no próprio cuidado”, diz Dra. Kamylla, destacando que o desafio agora envolve ampliar o acesso às ferramentas digitais e garantir que a inovação avance junto com critérios éticos e clínicos sólidos.



Fonte: Saúde Digital News