quinta-feira, 2 de abril de 2026

Eurofarma obtém registro para fabricar medicamento de referência contra epilepsia


 O anúncio é resultado da parceria de licenciamento com a empresa coreana SK Biopharmaceuticals, desenvolvedora original do remédio

A farmacêutica Eurofarma anunciou nesta segunda-feira (9) que recebeu registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para fabricar e comercializar no país medicamento de referência para o tratamento da epilepsia. O anúncio é resultado da parceria de licenciamento com a empresa coreana SK Biopharmaceuticals, desenvolvedora original do remédio.

Segundo a Eurofarma, o cenobamato, comercializado sob o nome comercial de Xcopri, é indicado para o tratamento da epilepsia e ampliará o acesso de pacientes brasileiros à terapia. A previsão é de que, com a aprovação, o produto chegue ao mercado ainda neste ano.

“O tratamento com cenobamato pode reduzir drasticamente as crises epilépticas mesmo em pacientes com epilepsia farmacorresistente, com benefícios importantes de qualidade de vida para pessoas com epilepsia no Brasil e América Latina”, disse João Siffert, vice-presidente de inovação da Eurofarma, em comunicado.

O medicamento, segundo a empresa, reduz, em média, 65% o número de crises epilépticas de um paciente, considerado “um índice de eficácia sem precedentes”, levando em conta todos os produtos já lançados. O primeiro anticonvulsivo chegou ao mercado há décadas, informa o laboratório.

A Eurofarma também já tem o registro aprovado para a fabricação e comercialização do medicamento em outros países da América Latina, como Argentina, Chile, Equador e Peru. A farmacêutica espera iniciar as vendas nesses países em breve, informou sua assessoria.



Fonte: Valor Econômico 

quinta-feira, 26 de março de 2026

Pesquisador da Mayo Clinic combina IA, dispositivos vestíveis e implantes para compreender ritmos cerebrais e antecipar crises epilépticas

ROCHESTER, Minnesota — Em um laboratório de neurologia da Mayo Clinic, o Dr. Benjamin Brinkmann estuda os ritmos elétricos do cérebro ao longo de dias, semanas e meses, em busca de padrões que revelem quando as crises epilépticas têm maior probabilidade de ocorrer. Trabalhando em parceria com neurocientistas e médicos, ele combina dados de ondas cerebrais, sinais vitais e exames de imagem para desenvolver ferramentas capazes de interpretar esses sinais e orientar o cuidado aos pacientes. 

Epilepsia é um distúrbio neurológico que causa crises recorrentes — descargas súbitas de atividade elétrica no cérebro que podem interromper movimentos, fala ou consciência. Para muitas pessoas que vivem com essa condição, a medicação mantém as crises sob controle. No entanto, para quem tem epilepsia resistente a medicamentos, os episódios podem ocorrer sem aviso prévio — afetando a rotina e a autonomia. 

O Dr. Brinkmann, engenheiro biomédico, dedicou sua carreira a melhorar o cuidado das pessoas com epilepsia. Atuando com a equipe de epilepsia da Mayo Clinic, ele ajuda a identificar onde as crises se iniciam no cérebro — uma informação essencial para pacientes cuja epilepsia é difícil de controlar. Seu objetivo de longo prazo é avançar da previsão das crises para a capacidade de interrompê-las antes que comecem. 

Compreendendo a epilepsia, um sinal de cada vez

Um exemplo desse trabalho é um estudo liderado pelo Dr. Brinkmann em colaboração com pesquisadores internacionais. A equipe testou um pequeno implante colocado logo abaixo da pele, atrás da orelha, que registra a atividade cerebral enquanto as pessoas seguem sua rotina diária. O dispositivo oferece um retrato mais preciso do que os diários de crises, que podem deixar episódios de fora ou classificá-los incorretamente. O monitoramento contínuo e preciso ajuda os médicos a acompanhar os padrões das crises e ajustar o tratamento.

Ao longo de 15 meses, a equipe coletou mais de 72 mil horas de dados de ondas cerebrais de pessoas com epilepsia. Foram registradas 754 crises — quase o dobro do número relatado nos diários. Cerca de metade dos participantes usou o dispositivo por mais de 20 horas por dia e relatou que ele não interferiu na vida cotidiana. Os resultados indicam que o monitoramento cerebral de longo prazo, realizado em casa, pode revelar padrões de crises que passam despercebidos em consultas clínicas breves. 

Smartwatch usa IA para prever crises epilépticas 

O Dr. Brinkmann também liderou um estudo sobre tecnologia vestível — um smartwatch que utiliza inteligência artificial para ajudar a prever crises antes que elas aconteçam. 

O relógio monitora frequência cardíaca, movimento, condutância da pele e temperatura, utilizando machine learning para auxiliar os clínicos a identificar padrões que podem sinalizar uma crise. Em resultados publicados na revista Epilepsia, a equipe previu corretamente cerca de 75% das crises, com poucos falsos alarmes. 

Segundo o Dr. Brinkmann, a ideia é simples: dar um aviso às pessoas. Alguns minutos de antecedência podem permitir ligar para um cuidador, sentar-se ou evitar uma atividade de risco. No futuro, esses alertas poderão até acionar tratamentos automaticamente, como a administração de medicamentos ou uma estimulação cerebral leve quando o risco de crise estiver elevado. 

Construindo o futuro do cuidado da epilepsia

Em conjunto, os estudos com o implante e o smartwatch mostram o que é possível ser feito quando a atividade cerebral pode ser monitorada de forma contínua. A pesquisa está abrindo uma nova janela para compreender como as crises se desenvolvem e ajudando a moldar a próxima geração de neurotecnologias da Mayo Clinic. 

O trabalho do Dr. Brinkmann contribui para o programa BIONIC da Mayo Clinic — sigla para Bioelectronics Neuromodulation Innovation to Cure — que reúne cientistas e clínicos para o desenvolvimento de tecnologias e terapias mais inteligentes e responsivas para o cérebro, a medula espinhal e o sistema nervoso. O objetivo é ambicioso: sistemas capazes de detectar problemas e responder instantaneamente para interrompê-los. 

No laboratório do Dr. Brinkmann, cada sinal contribui para esse futuro — cada um trazendo uma imagem mais clara da epilepsia e de como o cuidado poderá ser nos próximos anos.



Fonte: Mayo Clinic
 

quinta-feira, 19 de março de 2026

Vereador propõe ações de conscientização sobre a epilepsia em Chapecó


 O vereador de Chapecó, João Marques Rosa (União Brasil), protocolou na Câmara Municipal na terça-feira passada (4), um projeto de lei para instituir o Dia Municipal de Conscientização da Epilepsia e a campanha “Março Roxo”. Em Chapecó, conforme o vereador, aproximadamente 2.400 pessoas vivem com epilepsia ativa, enquanto cerca de 36 mil munícipes podem apresentar algum tipo de distúrbio neurológico.

Além da epilepsia, João observa, como médico, uma incidência significativa das chamadas Crises Não Epilépticas Psicogênicas, frequentemente confundidas com crises epilépticas: “Essa condição, de origem psicológica, exige diagnóstico especializado e abordagem terapêutica específica, reforçando a importância da informação qualificada e da capacitação dos profissionais de saúde”.

Para o vereador, o preconceito, a desinformação e o estigma social ainda constituem obstáculos relevantes ao acesso ao tratamento adequado, à inclusão escolar, à inserção no mercado de trabalho e à plena garantia da qualidade de vida das pessoas acometidas: “Nesse contexto, ações de conscientização são fundamentais para promover conhecimento, reduzir estigmas e fortalecer políticas públicas voltadas à saúde e à inclusão social”.

Conforme João, instituir oficialmente o Dia Municipal de Conscientização da Epilepsia fortalece a educação em saúde, a prevenção de acidentes durante crises, a redução do preconceito, o acolhimento familiar e a inclusão social. A escolha do dia 26 de março acompanha o movimento internacional de conscientização sobre a epilepsia, celebrado mundialmente.

De acordo com o parlamentar, a instituição da campanha “Março Roxo”, por sua vez, amplia o alcance da iniciativa ao dedicar todo o mês à promoção de ações educativas e informativas, fortalecendo o debate público, incentivando o diagnóstico precoce e contribuindo para a redução do preconceito e do estigma social ainda associados à epilepsia.

O projeto não gera obrigatoriedade de despesas fixas, apenas autoriza e incentiva ações educativas, estando em conformidade com o princípio da legalidade e da responsabilidade fiscal: “A conscientização adequada pode reduzir internações evitáveis, diminuir afastamentos laborais, melhorar adesão ao tratamento, reduzir custos indiretos ao sistema público, aumentar inclusão escolar e profissional, e campanhas educativas possuem alto impacto social com baixo custo orçamentário”, sustenta o vereador João.

A proposta conta com apoio da Associação Chapecoense de Apoio à Pessoa com Epilepsia, idealizada pela por Josi Albuquerque, com atuação nas áreas de saúde integrativa, educação e acolhimento social: “A entidade poderá colaborar com palestras educativas, apoio e orientação às famílias e cuidadores, campanhas escolares e comunitárias, produção e distribuição de material informativo, organização da campanha “Chapecó em Tons de Roxo” e orientação sobre direitos sociais e acesso a tratamentos”, conclui João Marques Rosa.



Fonte: Clic RDC

quinta-feira, 12 de março de 2026

Avanço científico pode mudar tratamento de mães com epilepsia


 Cientistas anunciaram um avanço na busca por um teste genético capaz de ajudar mulheres com epilepsia a utilizar o ácido valproico com mais segurança durante a gravidez. A pesquisa, liderada pela Monash University e publicada na revista científica Neurology em 16 de fevereiro de 2026, identificou variações específicas no DNA materno que podem modificar o risco de malformações em bebês expostos ao medicamento.

O ácido valproico, também conhecido como VPA, é um dos principais fármacos utilizados no controle de crises epilépticas. Para parte das pacientes, ele é o único ou o mais eficaz tratamento disponível. No entanto, seu uso durante a gestação vem sendo cada vez mais restrito em diversos países, pois cerca de 10% dos bebês expostos ao medicamento no útero apresentam algum tipo de defeito estrutural, que pode variar de malformações graves do tubo neural a alterações mais leves, como fissura palatina.

O estudo identificou um tipo de variação na sequência do DNA das mães que influencia o modo como o medicamento interage com moléculas responsáveis por regular a atividade dos genes durante o desenvolvimento fetal. Segundo os pesquisadores, essas diferenças genéticas ajudam a explicar por que o risco não se manifesta da mesma forma em todos os casos.

A bioinformatas e pesquisadora Dra. Alison Anderson, da Escola de Medicina Translacional da Monash, afirmou que a equipe trabalha agora no desenvolvimento de um teste capaz de identificar mulheres que não apresentam predisposição genética a malformações associadas ao uso do ácido valproico. O objetivo é permitir que pacientes sem esse risco específico possam manter o tratamento com maior segurança.

Ela destaca que a decisão clínica envolve um equilíbrio delicado entre o risco potencial ao feto e o perigo representado por crises epilépticas não controladas na mãe, que podem causar lesões graves ou até risco de morte. Em alguns casos, o valproato é o único medicamento capaz de controlar adequadamente as crises.

O professor Terence O’Brien, neurologista e especialista em epilepsia da Monash e da Alfred Health, ressaltou a importância de registros de gravidez como fonte de dados para pesquisas desse tipo. A colaboração utilizou informações de registros na Austrália e em outros países, permitindo análise mais abrangente dos desfechos maternos e neonatais.

Um estudo complementar conduzido pelo mesmo grupo, também publicado na Neurology em novembro, utilizou modelos de aprendizado profundo para integrar dados genômicos e informações clínicas na tentativa de prever a resposta a tratamentos de primeira linha em pacientes recém-diagnosticados com epilepsia.

A próxima fase da pesquisa prevê o uso de ferramentas avançadas de inteligência artificial para analisar o impacto de variantes genéticas na resposta a medicamentos e nos efeitos adversos. O trabalho contará com suporte do supercomputador MAVERIC, recentemente ativado na universidade.

A pesquisa aponta para o avanço da medicina de precisão na neurologia, com a possibilidade de decisões terapêuticas baseadas no perfil genético individual, reduzindo riscos e ampliando a segurança no tratamento de mulheres com epilepsia.



Fonte: Âncora 1

quinta-feira, 5 de março de 2026

Seis estratégias para apoiar estudantes com epilepsia na sala de aula


 A epilepsia atinge cerca de 50 milhões de pessoas no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde. No Brasil, a estimativa da Sociedade Brasileira de Epilepsia indica aproximadamente 2 milhões de pessoas convivendo com a condição, muitas delas em idade escolar. Além das crises convulsivas, a doença pode afetar memória, atenção e velocidade de processamento, impactando diretamente o desempenho acadêmico de crianças e adolescentes.

De acordo com a neuropedagoga Mara Duarte da Costa, diretora pedagógica da Rhema Neuroeducação, compreender os reflexos cognitivos da epilepsia é essencial para que a escola ofereça suporte adequado. Segundo ela, o desafio não está apenas no controle das crises, mas na construção de um ambiente inclusivo que favoreça a aprendizagem e preserve a autoestima do estudante.

Impactos vão além das crises

Estudos indicam que alunos com epilepsia apresentam maior propensão a dificuldades de aprendizagem. Mara Duarte explica que, muitas vezes, o preconceito e a ausência de estratégias pedagógicas adequadas ampliam essas barreiras.

A especialista ressalta que a condição pode gerar ansiedade e insegurança, afetando também o convívio social. Para ela, quando o professor compreende como a epilepsia influencia o ritmo de aprendizagem, consegue ajustar o planejamento e aplicar avaliações mais flexíveis sem comprometer o desenvolvimento acadêmico.

Rede de apoio é determinante

Mara Duarte defende que a inclusão depende da articulação entre escola, família e profissionais de diferentes áreas. Segundo ela, é fundamental enxergar o estudante além do diagnóstico, garantindo que o processo educacional seja mais justo e produtivo.

A partir dessa perspectiva, a neuropedagoga elenca seis recomendações práticas para apoiar alunos com epilepsia no cotidiano escolar:

Reconhecer sinais além das crises

Quedas frequentes no rendimento, dificuldade de concentração e lapsos de memória podem estar relacionados à condição e merecem atenção.

Adaptar atividades e avaliações

Planejamento flexível, uso de recursos visuais, reforço de instruções e tempo adicional em provas ajudam a reduzir impactos cognitivos.

Criar ambiente acolhedor

Combater o estigma, promover diálogo com a turma e oferecer espaços tranquilos, com menos estímulos excessivos, favorece a aprendizagem.

Estimular a parceria família-escola

Informações sobre frequência das crises, horários de medicação e necessidades específicas devem ser compartilhadas para alinhar estratégias pedagógicas.

Promover suporte interdisciplinar

Acompanhamento de psicopedagogos, fonoaudiólogos e terapeutas pode contribuir para o desenvolvimento cognitivo e socioemocional.

Capacitar educadores

Formações contínuas em neuroeducação ampliam o repertório pedagógico e fortalecem práticas inclusivas.

Para a especialista, a qualificação das equipes escolares é um passo essencial para garantir que estudantes com epilepsia tenham acesso pleno ao aprendizado e às oportunidades educacionais. A informação, aliada à sensibilidade pedagógica, é apontada como ferramenta central para reduzir barreiras e promover inclusão efetiva.



Fonte: Âncora 1