quinta-feira, 21 de maio de 2026

IA avança no diagnóstico da epilepsia e pode ajudar a identificar crises sutis


 A inteligência artificial vem ganhando espaço como ferramenta de apoio no diagnóstico da epilepsia, uma condição neurológica que afeta milhões de pessoas no mundo e que ainda enfrenta subdiagnóstico em diferentes faixas etárias. Novas tecnologias já são utilizadas para analisar eletroencefalogramas, reconhecer padrões de crises e auxiliar na identificação de possíveis eventos epilépticos. Esses recursos podem contribuir para diagnósticos mais rápidos, maior precisão clínica e acompanhamento mais individualizado dos pacientes. O avanço é especialmente relevante diante da complexidade da doença, que não se manifesta sempre de forma evidente.

A neurologista infantil Letícia Sampaio, presidente da Liga Brasileira de Epilepsia, explica que a epilepsia não se restringe às crises convulsivas mais conhecidas. A doença pode apresentar diferentes formas de manifestação, muitas vezes sutis e de difícil percepção. “Crises de ausência, por exemplo, são caracterizadas por breves episódios de “desligamento”, com olhar fixo e rápida retomada da consciência, frequentemente confundidos com distração. Já crises focais podem provocar alterações sensoriais, emocionais ou comportamentais, sem sinais motores evidentes. Em alguns casos, as manifestações ocorrem durante o sono e passam despercebidas”, acrescenta.

De acordo com a especialista, essa diversidade de apresentações contribui para o atraso no diagnóstico, especialmente em crianças, já que as crises podem ser interpretadas como comportamentos habituais ou variações de atenção. A inteligência artificial surge, nesse contexto, como uma ferramenta de apoio à prática médica. “Ela não substitui o médico, mas pode ser uma ferramenta poderosa para ampliar o conhecimento e aprimorar o cuidado das pessoas com epilepsia. Pode ajudar a identificar padrões que nem sempre são facilmente percebidos, contribuindo para diagnósticos mais precoces e precisos”, afirma Letícia Sampaio.

A médica reforça ainda que o reconhecimento adequado dos sinais da doença é essencial para o início do tratamento. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 50 milhões de pessoas vivem com epilepsia no mundo. No Brasil, o Ministério da Saúde estima que a doença acometa cerca de 2% da população, o que representa mais de 2 milhões de pessoas. Com diagnóstico e tratamento adequados, cerca de 70% dos pacientes podem ter as crises controladas.

Além dos desafios clínicos, pessoas com epilepsia ainda enfrentam desinformação e estigma social. Nesse cenário, a combinação entre conhecimento médico, inovação tecnológica e conscientização pública pode ampliar a qualidade do cuidado e melhorar o prognóstico dos pacientes.



Fonte: Medicina S/A

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Vereadora Lucy Soares propõe carteira de identificação para pessoas com epilepsia


 A vereadora Lucy Soares apresentou um Projeto de Lei que propõe a criação da Política Municipal de Atenção Integral à Pessoa com Epilepsia, além da implantação da Carteira Municipal de Identificação para pessoas diagnosticadas com a condição, em Teresina.

Caracterizada por crises recorrentes, a Epilepsia é uma doença crônica que pode impactar diretamente a qualidade de vida dos pacientes e de seus familiares, exigindo acompanhamento contínuo e políticas públicas específicas.

Segundo a parlamentar, a proposta nasceu após demanda apresentada por uma entidade que atua na conscientização e no enfrentamento do preconceito. “Além das questões clínicas, a epilepsia ainda é cercada por estigma social, preconceito e desinformação, o que frequentemente resulta em barreiras no acesso a serviços públicos, oportunidades educacionais, inserção no mercado de trabalho e convivência social”, acrescenta.

Ainda conforme Lucy Soares, a criação da carteira representa um avanço importante no reconhecimento de direitos e na inclusão social. “A carteira para as pessoas com epilepsia será uma maneira de incluir essas pessoas na sociedade, respeitando as limitações de cada um”, conclui.



Fonte: Piauí Hoje

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Cirurgia pode acabar com crises de epilepsia e devolver a autonomia

Conviver com a epilepsia dentro de casa costuma significar viver em alerta. As crises podem aparecer sem aviso, provocar quedas, machucados e deixar familiares e pacientes com medo do próximo episódio. Mas, para uma parte das pessoas, existe um caminho além das trocas constantes de medicamentos: a cirurgia.

Segundo o neurocirurgião Baltazar Leão, ao contrário do que muita gente pensa, a operação não precisa ser encarada apenas como “último recurso”. “Para alguns pacientes, ela é justamente a melhor forma de controlar completamente as crises e recuperar a independência”, afirma. Isso inclui, em muitos casos, retomar atividades do cotidiano com mais segurança, como estudar, trabalhar e até dirigir.

Quando a cirurgia entra no radar

A cirurgia costuma ser considerada quando a epilepsia é “refratária”, isto é, quando as crises continuam mesmo após o uso de dois ou mais medicamentos diferentes, nas doses adequadas. “A cirurgia é indicada para pessoas que têm epilepsia refratária”, explica o médico, destacando que isso pode acontecer com até 30% dos pacientes.

Nessas situações, o problema frequentemente está relacionado a uma área específica do cérebro que gera descargas elétricas anormais. A proposta do tratamento cirúrgico é agir diretamente nessa região para impedir que as crises aconteçam.

Leão ressalta que o procedimento não é feito sem cautela. “Ninguém vai para uma cirurgia sem uma investigação completa”, diz. Antes de qualquer decisão, o paciente passa por exames detalhados para identificar com precisão de onde vêm as crises.

Quais são as técnicas e como elas funcionam

Há diferentes abordagens cirúrgicas, escolhidas conforme o tipo de epilepsia e as características de cada paciente. Entre elas estão:

· Retirada da área que causa as crises, quando a região responsável pode ser removida com segurança.

· Desconexões, em que o cirurgião interrompe a comunicação entre a área causadora das crises e o restante do cérebro.

Dispositivos de estimulação, com pequenos aparelhos implantados no corpo para ajudar no controle das crises, como a estimulação do nervo vago e a estimulação cerebral profunda.

· Cirurgia a laser, uma alternativa menos invasiva, guiada por ressonância, para tratar áreas mais profundas com alta precisão.

Para o especialista, o ponto central é que essas técnicas já fazem parte da prática médica há anos e tendem a ter bons resultados quando bem indicadas. “O importante é que todas essas técnicas já são usadas há anos e apresentam ótimos resultados quando bem indicadas”, afirma.

O que pode mudar depois da operação

Os ganhos podem ser expressivos. O médico explica que, em muitos casos, o paciente pode ficar totalmente livre das crises, especialmente em situações como a epilepsia do lobo temporal. E mesmo quando isso não acontece, a redução na frequência e na intensidade já pode transformar a rotina.

No dia a dia, isso pode significar voltar a estudar sem medo, recuperar a independência para sair sozinho, trabalhar com mais segurança, resgatar autoestima, além de observar melhora da memória e da atenção, com menos internações e episódios traumáticos.

Outro benefício, segundo Leão, é a proteção do cérebro contra o desgaste provocado por crises repetidas, algo que muitas famílias só descobrem mais tarde.

Por fim, ele destaca que a decisão não envolve apenas exames e técnica, mas também apoio emocional. “A decisão pela cirurgia envolve diálogo, acolhimento e compreensão”, afirma. Para ele, a presença da família ajuda a enfrentar medos e dúvidas e também fortalece a recuperação, que vai além do pós-operatório físico.

A epilepsia não define quem a pessoa é – e a cirurgia pode devolver parte importante da vida que a doença tirou”, conclui o médico. Para famílias que convivem com crises frequentes, conversar com um especialista e entender se a cirurgia é indicada pode ser o primeiro passo para uma rotina mais previsível e segura.



Fonte: TH Mais
 

Autismo: Cientistas conseguem reverter sintomas com remédio para epilepsia


 Pesquisadores dos EUA testam medicamento para epilepsia e conseguem reverter sintomas ligados ao autismo em estudo com animais; o avanço abre caminho para novas pesquisas na área

Imagine receber uma notícia que mexe com a curiosidade e ainda traz uma dose de esperança. É exatamente isso que acontece quando se fala sobre um estudo recente ligado ao autismo. Pesquisadores dos Estados Unidos encontraram sinais de que certos sintomas podem ser revertidos em testes com animais, segundo uma matéria publicada. 

O ponto de partida dos cientistas

Um grupo de pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, decidiu olhar mais de perto uma relação que já chama atenção há bastante tempo: a ligação entre epilepsia e autismo.

Apesar de aparecerem juntos em muitas pessoas, ainda não existe uma explicação clara para essa associação. O que se sabe é que alterações em uma área específica do cérebro podem influenciar comportamentos ligados ao autismo, como sensibilidade exagerada, movimentos repetidos, menor interesse em interações sociais e até maior risco de convulsões.

Ao buscar respostas, a equipe observou um ponto do cérebro chamado núcleo reticular talâmico. Ele atua como uma espécie de filtro das informações que chegam ao corpo, e fica posicionado entre duas regiões importantes: o tálamo e o córtex. Os cientistas acreditam que essa área pode ter um papel direto em características do autismo e, por isso, enxergaram nela um possível caminho para novas abordagens terapêuticas.

Foi então que surgiu uma pergunta central no estudo: se a hiperatividade nessa região está ligada a certos comportamentos, seria possível reduzir essa atividade e ver o que acontece? A resposta apareceu com a ajuda de um medicamento em fase experimental, criado para tratar convulsões.

O remédio que mudou o resultado no laboratório

O remédio em questão se chama Z944. Ele ainda não é usado em pessoas, mas tem ganhado atenção por sua atuação em casos de epilepsia. A equipe de Stanford decidiu testar o medicamento em camundongos que apresentavam características semelhantes às do autismo. A ideia era ver como o remédio agiria diante da hiperatividade no núcleo reticular talâmico.

O que chamou atenção foi o resultado: ao receber o medicamento, os camundongos tiveram mudanças importantes em comportamentos ligados ao autismo. A sensibilidade exagerada diminuiu, sinais repetitivos deixaram de aparecer e até a interação social dos animais mostrou melhora. Esses efeitos fizeram os pesquisadores olharem para o Z944 com ainda mais interesse.

Mas o estudo não parou por aí. A equipe quis entender se esses efeitos eram realmente fruto da ação sobre aquela região específica do cérebro. Para isso, eles usaram outra técnica, chamada neuromodulação baseada em DREADD.

Em resumo, ela permite alterar neurônios para que respondam a determinadas substâncias. Com isso, os cientistas conseguiram diminuir a atividade exagerada do núcleo reticular talâmico e observar o impacto. Novamente, os comportamentos ligados ao autismo foram revertidos.

Em um passo seguinte, eles fizeram o processo inverso em camundongos que não tinham características relacionadas ao autismo. Aumentaram a atividade nessa área do cérebro e viram surgir sinais parecidos com aqueles observados nos animais usados no primeiro experimento. Essa resposta dupla mostrou que o núcleo reticular talâmico, de fato, pode ter ligação direta com muitos dos sintomas.

O que vem pela frente

Toda essa linha de testes abre uma nova porta para estudos sobre autismo. No entanto, os próprios pesquisadores reforçam que o caminho ainda está no começo. Os experimentos foram realizados apenas com animais e não existe garantia de que o mesmo efeito acontecerá em humanos. Agora, o próximo passo é aprofundar as investigações para descobrir se essas rotas observadas no cérebro dos camundongos se repetem no cérebro humano.

Mesmo assim, a descoberta mexe com a comunidade científica e desperta interesse de famílias que convivem com o autismo. A possibilidade de entender melhor como o cérebro funciona em situações assim e de pensar em novas terapias faz com que o estudo se torne um ponto importante no debate.

A pesquisa também abre espaço para novas perguntas, como por que a epilepsia aparece com frequência em pessoas com autismo e o que une as duas condições em tantos casos. Cada resposta futura pode ajudar a ampliar o conhecimento e aproximar cientistas de caminhos mais claros.

O estudo mostra que a ciência continua avançando passo a passo, analisando detalhes e testando ideias que um dia podem virar alternativas de tratamento. Enquanto isso, novas pesquisas devem surgir, sempre buscando formas de entender com mais clareza como o cérebro se comporta em quadros ligados ao autismo.



Fonte: Curta Mais

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Carteira gratuita garante meia entrada e prioridade a pessoas com epilepsia em Vitória


 A Câmara Municipal de Vitória aprovou, na sessão desta quarta-feira (22), um projeto de lei que institui a Carteira de Identificação da Pessoa com Epilepsia (CIPE) no município. A proposta é de autoria dos vereadores Leonardo Monjardim (NOVO), Anderson Goggi (Republicanos) e Mara Maroca (PP).

A CIPE será emitida de forma gratuita e terá validade de cinco anos, podendo ser solicitada pela própria pessoa diagnosticada com epilepsia ou por seu responsável legal. O documento será expedido pela Secretaria Municipal de Saúde (Semus), que também ficará responsável pela gestão da política pública e pela organização dos dados relacionados ao número de carteiras emitidas.

De acordo com o texto aprovado, a iniciativa tem como objetivo facilitar a identificação de pessoas com epilepsia, condição classificada como doença neurológica crônica e que, em determinados casos, pode ser equiparada à deficiência, conforme a legislação vigente. A medida busca ampliar o acesso a direitos e garantir atendimento adequado, especialmente em situações de emergência.

Entre os benefícios previstos, o portador da carteira terá direito à meia-entrada em eventos artísticos, culturais e esportivos, além de atendimento preferencial em estabelecimentos públicos e privados da capital.

A emissão do documento dependerá da apresentação de laudo médico neurológico que comprove o diagnóstico com a Classificação Internacional de Doenças (CID-10 G40), além de documentos pessoais e comprovante de residência. O laudo poderá ser emitido tanto por profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) quanto da rede privada.

A CIPE também deverá conter, em seu verso, orientações de primeiros socorros para casos de crise epiléptica, com o objetivo de auxiliar no atendimento imediato por terceiros. A cor do documento será roxa, em referência ao Dia Mundial de Conscientização sobre a Epilepsia, celebrado em 26 de março.

Segundo a proposta, após a entrega da documentação completa, o prazo para emissão da carteira será de até 30 dias. Em caso de perda ou extravio, a segunda via poderá ser solicitada mediante apresentação de boletim de ocorrência.

Na justificativa do projeto, os autores destacam que a epilepsia atinge cerca de 1% da população brasileira, o que representa aproximadamente 2,1 milhões de pessoas. O texto aponta ainda que a condição nem sempre é visível, o que pode dificultar o reconhecimento em situações públicas, especialmente durante crises, quando o paciente pode não conseguir se comunicar.



Fonte: ES Hoje