quinta-feira, 7 de maio de 2026

Cirurgia pode acabar com crises de epilepsia e devolver a autonomia

Conviver com a epilepsia dentro de casa costuma significar viver em alerta. As crises podem aparecer sem aviso, provocar quedas, machucados e deixar familiares e pacientes com medo do próximo episódio. Mas, para uma parte das pessoas, existe um caminho além das trocas constantes de medicamentos: a cirurgia.

Segundo o neurocirurgião Baltazar Leão, ao contrário do que muita gente pensa, a operação não precisa ser encarada apenas como “último recurso”. “Para alguns pacientes, ela é justamente a melhor forma de controlar completamente as crises e recuperar a independência”, afirma. Isso inclui, em muitos casos, retomar atividades do cotidiano com mais segurança, como estudar, trabalhar e até dirigir.

Quando a cirurgia entra no radar

A cirurgia costuma ser considerada quando a epilepsia é “refratária”, isto é, quando as crises continuam mesmo após o uso de dois ou mais medicamentos diferentes, nas doses adequadas. “A cirurgia é indicada para pessoas que têm epilepsia refratária”, explica o médico, destacando que isso pode acontecer com até 30% dos pacientes.

Nessas situações, o problema frequentemente está relacionado a uma área específica do cérebro que gera descargas elétricas anormais. A proposta do tratamento cirúrgico é agir diretamente nessa região para impedir que as crises aconteçam.

Leão ressalta que o procedimento não é feito sem cautela. “Ninguém vai para uma cirurgia sem uma investigação completa”, diz. Antes de qualquer decisão, o paciente passa por exames detalhados para identificar com precisão de onde vêm as crises.

Quais são as técnicas e como elas funcionam

Há diferentes abordagens cirúrgicas, escolhidas conforme o tipo de epilepsia e as características de cada paciente. Entre elas estão:

· Retirada da área que causa as crises, quando a região responsável pode ser removida com segurança.

· Desconexões, em que o cirurgião interrompe a comunicação entre a área causadora das crises e o restante do cérebro.

Dispositivos de estimulação, com pequenos aparelhos implantados no corpo para ajudar no controle das crises, como a estimulação do nervo vago e a estimulação cerebral profunda.

· Cirurgia a laser, uma alternativa menos invasiva, guiada por ressonância, para tratar áreas mais profundas com alta precisão.

Para o especialista, o ponto central é que essas técnicas já fazem parte da prática médica há anos e tendem a ter bons resultados quando bem indicadas. “O importante é que todas essas técnicas já são usadas há anos e apresentam ótimos resultados quando bem indicadas”, afirma.

O que pode mudar depois da operação

Os ganhos podem ser expressivos. O médico explica que, em muitos casos, o paciente pode ficar totalmente livre das crises, especialmente em situações como a epilepsia do lobo temporal. E mesmo quando isso não acontece, a redução na frequência e na intensidade já pode transformar a rotina.

No dia a dia, isso pode significar voltar a estudar sem medo, recuperar a independência para sair sozinho, trabalhar com mais segurança, resgatar autoestima, além de observar melhora da memória e da atenção, com menos internações e episódios traumáticos.

Outro benefício, segundo Leão, é a proteção do cérebro contra o desgaste provocado por crises repetidas, algo que muitas famílias só descobrem mais tarde.

Por fim, ele destaca que a decisão não envolve apenas exames e técnica, mas também apoio emocional. “A decisão pela cirurgia envolve diálogo, acolhimento e compreensão”, afirma. Para ele, a presença da família ajuda a enfrentar medos e dúvidas e também fortalece a recuperação, que vai além do pós-operatório físico.

A epilepsia não define quem a pessoa é – e a cirurgia pode devolver parte importante da vida que a doença tirou”, conclui o médico. Para famílias que convivem com crises frequentes, conversar com um especialista e entender se a cirurgia é indicada pode ser o primeiro passo para uma rotina mais previsível e segura.



Fonte: TH Mais
 

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Carteira gratuita garante meia entrada e prioridade a pessoas com epilepsia em Vitória


 A Câmara Municipal de Vitória aprovou, na sessão desta quarta-feira (22), um projeto de lei que institui a Carteira de Identificação da Pessoa com Epilepsia (CIPE) no município. A proposta é de autoria dos vereadores Leonardo Monjardim (NOVO), Anderson Goggi (Republicanos) e Mara Maroca (PP).

A CIPE será emitida de forma gratuita e terá validade de cinco anos, podendo ser solicitada pela própria pessoa diagnosticada com epilepsia ou por seu responsável legal. O documento será expedido pela Secretaria Municipal de Saúde (Semus), que também ficará responsável pela gestão da política pública e pela organização dos dados relacionados ao número de carteiras emitidas.

De acordo com o texto aprovado, a iniciativa tem como objetivo facilitar a identificação de pessoas com epilepsia, condição classificada como doença neurológica crônica e que, em determinados casos, pode ser equiparada à deficiência, conforme a legislação vigente. A medida busca ampliar o acesso a direitos e garantir atendimento adequado, especialmente em situações de emergência.

Entre os benefícios previstos, o portador da carteira terá direito à meia-entrada em eventos artísticos, culturais e esportivos, além de atendimento preferencial em estabelecimentos públicos e privados da capital.

A emissão do documento dependerá da apresentação de laudo médico neurológico que comprove o diagnóstico com a Classificação Internacional de Doenças (CID-10 G40), além de documentos pessoais e comprovante de residência. O laudo poderá ser emitido tanto por profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) quanto da rede privada.

A CIPE também deverá conter, em seu verso, orientações de primeiros socorros para casos de crise epiléptica, com o objetivo de auxiliar no atendimento imediato por terceiros. A cor do documento será roxa, em referência ao Dia Mundial de Conscientização sobre a Epilepsia, celebrado em 26 de março.

Segundo a proposta, após a entrega da documentação completa, o prazo para emissão da carteira será de até 30 dias. Em caso de perda ou extravio, a segunda via poderá ser solicitada mediante apresentação de boletim de ocorrência.

Na justificativa do projeto, os autores destacam que a epilepsia atinge cerca de 1% da população brasileira, o que representa aproximadamente 2,1 milhões de pessoas. O texto aponta ainda que a condição nem sempre é visível, o que pode dificultar o reconhecimento em situações públicas, especialmente durante crises, quando o paciente pode não conseguir se comunicar.



Fonte: ES Hoje

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Capacitação em epilepsia resulta em diagnóstico durante atividade na rede municipal de saúde

O que era para ser uma capacitação teórica se transformou, na prática, em um momento decisivo para o diagnóstico de um bebê de apenas oito meses. Durante o encontro realizado com médicos da Atenção Básica da rede municipal de Saúde, uma profissional, a médica Raquel Sano, do PSF Monte Feliz, identificou semelhanças entre os sintomas apresentados na aula e o relato recente de uma paciente sobre o filho.

A partir dessa percepção, a médica e um colega, o médico Deiviston Mano, que atua na mesma unidade, recorreram a um vídeo gravado pela mãe da criança e, ainda durante a atividade, compartilharam o material com a palestrante, a neurologista Daniela Fontes Bezerra. A troca imediata de informações contribuiu para direcionar o diagnóstico do caso, evidenciando, na prática, a importância da qualificação contínua dos profissionais de saúde.

A capacitação integra as ações do Março Roxo, mês dedicado à conscientização sobre a epilepsia, e reuniu médicos da Atenção Básica para atualização sobre conceitos essenciais, epidemiologia, diagnóstico, tipos de crises e opções de tratamento farmacológico.

Além de ampliar o conhecimento técnico, o encontro reforçou o papel estratégico da Atenção Básica na identificação precoce de sinais e sintomas, possibilitando intervenções mais rápidas e eficazes, especialmente em casos que exigem atenção especializada.

Para o vice-prefeito e secretário de Saúde, dr. Sergio Pacheco, situações como a registrada durante a capacitação demonstram o impacto direto dos investimentos em educação permanente. “Quando o conhecimento é aplicado de forma imediata, quem ganha é o paciente. Esse é o nosso objetivo: fortalecer a rede para garantir um atendimento cada vez mais resolutivo e humanizado”, destaca.

A dra. Daniela destacou a importância da capacitação. “No nosso Março Roxo, mês de conscientização da epilepsia, trazemos a doença para o centro da pauta, com o objetivo de melhorar a assistência, o reconhecimento e as diretrizes de tratamento. Acima de tudo, é uma forma de quebrar barreiras, reduzir estigmas e inserir as pessoas com epilepsia no dia a dia da atenção básica e de todos os profissionais de saúde”, destacou.

A epilepsia é uma condição neurológica caracterizada por descargas elétricas anormais no cérebro, que podem provocar crises com movimentos involuntários, alterações de consciência e crises convulsivas. A doença pode ter origem genética ou ser consequência de lesões cerebrais adquiridas, como traumas ou AVC, e pode afetar pessoas de todas as idades.

A iniciativa faz parte de um conjunto de ações desenvolvidas pela Secretaria Municipal de Saúde para qualificar o atendimento na rede pública e ampliar o cuidado com a população, com foco na detecção precoce e no acompanhamento adequado de condições neurológicas como a epilepsia.



Fonte: Portal do Município de Piracicaba
 

quinta-feira, 16 de abril de 2026

É hora de transformar epilepsia em política pública permanente

Durante muito tempo, a epilepsia foi vivida em silêncio. Entre crises inesperadas, olhares de medo e informações desencontradas, milhares de famílias aprenderam a conviver não apenas com uma condição neurológica, mas com o peso do estigma. A falta de conhecimento sempre foi um dos maiores desafios. Por isso, falar sobre esta doença é importante, mas transformar tal conversa em política pública é essencial.

Desde 2023, iniciamos no Espírito Santo, especialmente na capital capixaba, um movimento de construção institucional em parceria com a Prefeitura de Vitória. O primeiro passo foi o reconhecimento oficial do Março Roxo no calendário municipal. Pode parecer simbólico, mas não é. Quando uma pauta entra na agenda pública, ela deixa de depender apenas da memória social e passa a integrar a memória do Estado.

Nos anos seguintes, avançamos no diálogo com o Legislativo e, em 2025, consolidamos uma aproximação significativa com o Executivo municipal. O diálogo com as Secretarias de Educação, Saúde e Cidadania abriu caminhos concretos para que a conscientização se transformasse em ação. A participação nas 10 edições do projeto Vitória com Você levou informação às comunidades, orientou famílias, dialogou com professores e ampliou o acesso a esclarecimentos sobre primeiros socorros em crises epilépticas. Foi ali, no território, que percebemos o quanto a informação correta salva não apenas vidas, mas oferece dignidade.

A epilepsia não é apenas uma condição clínica. Ela impacta a vida escolar, a inserção no mercado de trabalho e a saúde emocional. O medo da exclusão, muitas vezes, é tão marcante quanto a própria crise. Por isso, políticas públicas voltadas à capacitação de profissionais da educação, preparo adequado nos pronto-atendimentos e alinhamento às diretrizes do Ministério do Trabalho e Emprego, no contexto da saúde ocupacional, são passos fundamentais para transformar inclusão em prática.

Nos últimos meses, a epilepsia ganhou visibilidade nacional. A mídia expôs situações que despertaram debate e ampliaram a busca por informação. Esse momento reforça uma verdade: Visibilidade é passageira. Política pública é permanente.

Vitória já é reconhecida como cidade inteligente e inovadora. Pode também se consolidar como referência em políticas públicas de saúde inclusivas. A formalização de diretrizes e capacitações específicas garante que as ações não dependam apenas da sensibilidade de uma gestão, mas se tornem compromisso institucional contínuo.

Quando sociedade civil organizada e poder público caminham juntos, construímos algo maior do que campanhas: construímos cultura de cuidado. Transformar conscientização em política pública é responsabilidade. Garantir sua continuidade é visão. E cidades que têm visão constroem futuros mais humanos.



Fonte: Tribuna Online
 

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Projeto cria política nacional de atendimento a pessoas com síndrome de Dravet

O Projeto de Lei 6188/25 cria, no Sistema Único de Saúde (SUS), a Política Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Síndrome de Dravet.

A proposta, em análise na Câmara dos Deputados, estabelece medidas para o diagnóstico precoce, tratamento adequado, acompanhamento multiprofissional e inclusão dos pacientes.

A síndrome de Dravet é um tipo raro de epilepsia (doença neurológica) que começa a se manifestar antes do primeiro ano de vida da criança.

As crises convulsivas podem durar mais de cinco minutos e, geralmente, são acompanhadas de febre alta.

A doença pode levar a atrasos no desenvolvimento, dificuldades na fala e na linguagem, além de problemas de equilíbrio e locomoção.

Diretrizes

A política nacional terá entre suas diretrizes:

reconhecimento da síndrome de Dravet como condição prioritária nas ações públicas de saúde, assistência social e direitos da pessoa com deficiência;

acesso universal e gratuito a remédios essenciais ao tratamento;

agilidade na avaliação, no registro e na incorporação ao SUS de medicamentos ainda não liberados no país, respeitando normas regulatórias e evidências científicas;

oferta de terapias multiprofissionais, aconselhamento genético e acompanhamento periódico dos pacientes;

capacitação permanente dos profissionais da rede pública para identificar e tratar a doença; e

promoção de inclusão social e apoio às famílias.

Cadastro nacional

A proposta também cria um cadastro nacional das pessoas com síndrome de Dravet para planejamento e organização da rede assistencial, observados os princípios da Lei Geral de Proteção de Dados.

A execução da política nacional deverá ocorrer de forma integrada às estruturas já existentes do SUS e da rede de atenção a doenças raras.

O texto ainda assegura ao cuidador principal do paciente acesso prioritário a programas de orientação, capacitação e apoio psicossocial.

O Poder Executivo poderá firmar convênios e parcerias com instituições científicas, entidades de apoio a pessoas com doenças raras e organizações da sociedade civil para implementar as ações previstas.

Dificuldades

Autora da proposta, a deputada Denise Pessôa (PT-RS) afirma que hoje os portadores da síndrome de Dravet enfrentam obstáculos no diagnóstico precoce, escassez de profissionais capacitados e limitações na oferta de terapias essenciais.

A deputada cita dificuldades no acesso a medicamentos como estiripentol, fenfluramina e canabidiol, o que, segundo ela, gera desigualdades e judicialização.

Para Denise Pessôa, a política nacional “promove maior equidade, qualifica o cuidado e melhora o planejamento da assistência à saúde”.

Próximos passos

O projeto será analisado, em caráter conclusivo, pelas comissões de Saúde; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Para virar lei, precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.



Fonte: Agência Câmara de Notícias