quinta-feira, 26 de março de 2026

Pesquisador da Mayo Clinic combina IA, dispositivos vestíveis e implantes para compreender ritmos cerebrais e antecipar crises epilépticas

ROCHESTER, Minnesota — Em um laboratório de neurologia da Mayo Clinic, o Dr. Benjamin Brinkmann estuda os ritmos elétricos do cérebro ao longo de dias, semanas e meses, em busca de padrões que revelem quando as crises epilépticas têm maior probabilidade de ocorrer. Trabalhando em parceria com neurocientistas e médicos, ele combina dados de ondas cerebrais, sinais vitais e exames de imagem para desenvolver ferramentas capazes de interpretar esses sinais e orientar o cuidado aos pacientes. 

Epilepsia é um distúrbio neurológico que causa crises recorrentes — descargas súbitas de atividade elétrica no cérebro que podem interromper movimentos, fala ou consciência. Para muitas pessoas que vivem com essa condição, a medicação mantém as crises sob controle. No entanto, para quem tem epilepsia resistente a medicamentos, os episódios podem ocorrer sem aviso prévio — afetando a rotina e a autonomia. 

O Dr. Brinkmann, engenheiro biomédico, dedicou sua carreira a melhorar o cuidado das pessoas com epilepsia. Atuando com a equipe de epilepsia da Mayo Clinic, ele ajuda a identificar onde as crises se iniciam no cérebro — uma informação essencial para pacientes cuja epilepsia é difícil de controlar. Seu objetivo de longo prazo é avançar da previsão das crises para a capacidade de interrompê-las antes que comecem. 

Compreendendo a epilepsia, um sinal de cada vez

Um exemplo desse trabalho é um estudo liderado pelo Dr. Brinkmann em colaboração com pesquisadores internacionais. A equipe testou um pequeno implante colocado logo abaixo da pele, atrás da orelha, que registra a atividade cerebral enquanto as pessoas seguem sua rotina diária. O dispositivo oferece um retrato mais preciso do que os diários de crises, que podem deixar episódios de fora ou classificá-los incorretamente. O monitoramento contínuo e preciso ajuda os médicos a acompanhar os padrões das crises e ajustar o tratamento.

Ao longo de 15 meses, a equipe coletou mais de 72 mil horas de dados de ondas cerebrais de pessoas com epilepsia. Foram registradas 754 crises — quase o dobro do número relatado nos diários. Cerca de metade dos participantes usou o dispositivo por mais de 20 horas por dia e relatou que ele não interferiu na vida cotidiana. Os resultados indicam que o monitoramento cerebral de longo prazo, realizado em casa, pode revelar padrões de crises que passam despercebidos em consultas clínicas breves. 

Smartwatch usa IA para prever crises epilépticas 

O Dr. Brinkmann também liderou um estudo sobre tecnologia vestível — um smartwatch que utiliza inteligência artificial para ajudar a prever crises antes que elas aconteçam. 

O relógio monitora frequência cardíaca, movimento, condutância da pele e temperatura, utilizando machine learning para auxiliar os clínicos a identificar padrões que podem sinalizar uma crise. Em resultados publicados na revista Epilepsia, a equipe previu corretamente cerca de 75% das crises, com poucos falsos alarmes. 

Segundo o Dr. Brinkmann, a ideia é simples: dar um aviso às pessoas. Alguns minutos de antecedência podem permitir ligar para um cuidador, sentar-se ou evitar uma atividade de risco. No futuro, esses alertas poderão até acionar tratamentos automaticamente, como a administração de medicamentos ou uma estimulação cerebral leve quando o risco de crise estiver elevado. 

Construindo o futuro do cuidado da epilepsia

Em conjunto, os estudos com o implante e o smartwatch mostram o que é possível ser feito quando a atividade cerebral pode ser monitorada de forma contínua. A pesquisa está abrindo uma nova janela para compreender como as crises se desenvolvem e ajudando a moldar a próxima geração de neurotecnologias da Mayo Clinic. 

O trabalho do Dr. Brinkmann contribui para o programa BIONIC da Mayo Clinic — sigla para Bioelectronics Neuromodulation Innovation to Cure — que reúne cientistas e clínicos para o desenvolvimento de tecnologias e terapias mais inteligentes e responsivas para o cérebro, a medula espinhal e o sistema nervoso. O objetivo é ambicioso: sistemas capazes de detectar problemas e responder instantaneamente para interrompê-los. 

No laboratório do Dr. Brinkmann, cada sinal contribui para esse futuro — cada um trazendo uma imagem mais clara da epilepsia e de como o cuidado poderá ser nos próximos anos.



Fonte: Mayo Clinic
 

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