A epilepsia pode ter muitas causas. Quando é genética, o culpado pode ser uma mutação em um gene chamado SCN1A, que carrega o código para um canal de sódio nas células nervosas e desempenha um papel fundamental na transmissão de sinais elétricos. Esses neurônios normalmente atuam como freios e, quando falham, as redes neurais tornam-se hiperativas, desencadeando crises epilépticas.
Certas mutações no gene SCN1A causam uma forma hereditária de epilepsia conhecida como GEFS . Pessoas com a variante sofrem de convulsões febris, que geralmente começam na primeira infância. Usando um modelo de rato com GEFS , os cientistas demonstraram pela primeira vez que a edição genética pode corrigir essa mutação diretamente no cérebro. "O tratamento melhorou a comunicação entre as células nervosas, reduziu significativamente a frequência de convulsões febris e aumentou a sobrevida dos animais", afirma Lucas Kissling, pesquisador de pós-doutorado e coautor principal do estudo.
Os pesquisadores adotaram uma nova abordagem. "Em vez de tratar as consequências da mutação, queríamos corrigir o erro diretamente na sequência do gene", explica Kissling. Para isso, a equipe aplicou um método de edição genética chamado edição primária. Essa técnica se baseia na ferramenta CRISPR/Cas e permite que erros genômicos isolados sejam corrigidos com extrema precisão, sem a necessidade de romper completamente o DNA.
A abordagem é promissora devido à preservação dos mecanismos naturais de regulação gênica do organismo. Em vez de inserir uma cópia extra do gene, como nas terapias gênicas convencionais, ela corrige a sequência defeituosa diretamente na sua origem. "Embora esses resultados ainda sejam pré-clínicos, obtidos em um modelo murino, eles abrem novas perspectivas, apenas para o tratamento da epilepsia, mas, potencialmente, para outras doenças neurológicas causadas por uma única mutação genética", afirma Kissling.
Fonte: Correio Braziliense

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