quinta-feira, 9 de julho de 2026

Epilepsia e neuronutrição


 O que chegou como metáfora na vida de Gustavo Corrêa, 59, ganhou sentido literal pela causa do filho. Quando João Paulo tinha 19 anos passou a ter crises de epilepsia, e com fé Gustavo assumiu o compromisso de usar seu conhecimento para ajudar o filho a viver essa “maratona”.

Nutricionista com formação em neurociências, ele se tornou especialista em epilepsia de difícil controle. “Nada se compara a ver um filho convulsionando, nada. Houve momentos em que João Paulo precisou de internação em UTI. E ali eu aprendi o que é impotência de verdade”, afirmou.

João Paulo foi diagnosticado com epilepsia refratária e chegou a ter 10 crises por mês. Na época Gustavo atuava como empresário do ramo da gastronomia e chef de cozinha. Juntando a experiência e formação ele conseguiu fazer com que alimentação estratégica mudasse a saúde do filho.

Epilepsia, Direitos Já”

A corrida entrou na vida de Gustavo por meio de um gesto. Para ele, as famílias que convivem com epilepsia correm maratonas diárias. São percursos longos e invisíveis aos olhos da maioria. Então decidiu que 42 quilômetros teriam nome e causa: a “Maratona pela Epilepsia”. “Treinar para uma maratona ensina humildade. Você descobre que o corpo tem limites, que a pressa cobra caro e a consistência tem um peso enorme”, disse.

Para Gustavo, a corrida foi fundamental em meio à instabilidade emocional. Ela deu disciplina quando, por dentro, estava bagunçado. Estampado com a frase “Epilepsia, Direitos Já” na camisa quando está correndo, Gustavo Corrêa carrega o lema como quem se recusa ao silêncio para dizer que milhões de pessoas vivem uma condição neurológica importante, mas ainda permanecem invisíveis para boa parte da sociedade.

“Essa bandeira fala de acesso a diagnóstico precoce, tratamento digno, centros especializados, medicações, cirurgias quando necessárias, acolhimento escolar, oportunidades de trabalho e respeito. Fala também dos direitos de uma mãe dormir sem medo, de uma criança frequentar a escola sem preconceito e de uma família sonhar”, afirmou.



Fonte: ES Hoje

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