quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Cientistas brasileiros usam acelerador de partículas para examinar neurônios

Um estudo publicado nesta segunda-feira (13) por uma revista científica internacional mostra como o trabalho desenvolvido por pesquisadores de Campinas, em São Paulo, pode ajudar a entender o funcionamento do cérebro.

Abílio tem um tipo de epilepsia resistente a medicamentos usados para controlar as crises. Ele faz tratamento, mas não se sente seguro. “Tenho muito medo porque, às vezes eu fico nervoso e, se eu saio um pouquinho nervoso, já fico com medo de me dar crise na rua, em algum lugar”, diz.

Uma das dificuldades para tratar não só a epilepsia, como outras doenças neurológicas, é a complexidade do cérebro. “Sem sombra de dúvida é o órgão mais complexo que existe no organismo humano e é ainda um órgão, comparado com outros, relativamente desconhecido. Porque ele é de difícil acesso”, afirma Iscia Lopes Cendes, médica geneticista da Unicamp.

Dentro do nosso cérebro há uma rede de comunicação celular cheia de ramificações, com conexões específicas e dinâmicas que regulam todas as funções do nosso corpo. Pela primeira vez, pesquisadores conseguiram visualizar parte desses circuitos de neurônios em atividade e como eles são afetados pela epilepsia. Um grande avanço para entender melhor como o nosso cérebro funciona.

Até agora era necessário fatiar fisicamente partes de cérebro para analisar as células. Os cientistas do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais de Campinas usaram um acelerador de partículas para fazer microtomografias por raios-x capazes de mostrar os neurônios com precisão. A partir disso, eles obtêm imagens tridimensionais da organização das células dentro do cérebro.

“Se a gente quer procurar curas para as doenças, primeiro a gente tem que entender exatamente como elas funcionam”, explica o pesquisador Matheus de Castro Fonseca.

Os resultados foram publicados na revista “Nature Science Reports”. Embora a técnica tenha sido usada para visualizar a região do cérebro que desencadeia a epilepsia, ela também abre novas perspectivas para entender como ocorre a morte de neurônios, que provoca doenças como Parkinson e Alzheimer.

“Conseguindo quantificar essas células morrendo ao longo do processo de neurodegeneração, eu consigo acompanhar a progressão da doença, eu consigo saber também exatamente qual região do cérebro é afetada pela morte dessas células e, talvez no futuro, eu consiga controlar essa morte neuronal”, diz Matheus.

Fonte: G1


quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Comorbidades em epilepsia: o que é preciso saber para viver melhor

Evento gratuito e aberto ao público


Palestra dirigida a profissionais, estudantes, pessoas com epilepsia, familiares e interessados no tema.






Palestrante: Dra. Nathalia Stela Visoná de Figueiredo

Neurologista membro titular da ABN, neurofisiologista clinica, eletroencefalogria pela SBNC, mestranda em ciências UNIPETE/UNIFESP.


Data: 14/08/2018 - ( terça-feira )

Horário: Das 18:30 ás 21:00 hs

Local: Rua Botucatu, 862 - Vila Clementino

Anfiteatro José Cassiano de Figueiredo ( UNIFESP )

São Paulo - ( próximo á estação  Santa Cruz do metrô )

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Canabidiol (ou CBD) – Por que seu uso só aumenta?

Os defensores da cannabis há muito falam sobre seus benefícios medicinais, mas alguns usos potenciais da planta são surpreendentes. Seu consumo mundo afora está em constante ascensão e promete revolucionar a medicina da forma que conhecemos, principalmente com o uso do canabidiol (CBD).

 Mas o que é canabidiol? 

 Trata-se de um produto químico da planta Cannabis sativa, também conhecida como maconha. Mais de 80 substâncias químicas, conhecidas como canabinoides, foram identificadas nesta planta. Embora o delta-9-tetrahidrocanabinol (THC) seja o principal ingrediente ativo, o canabidiol constitui cerca de 40% dos extratos de cannabis e foi estudado para muitos usos diferentes.
 Uma das qualidades mais importantes do CBD, como é conhecido, é a falta de interferência na atividade psíquica, pois é isento de THC. Em termos leigos, isso significa que o canabidiol não vai te deixar “chapado”, sendo esse um dos motivos de sua liberação em diversos países.
As pessoas tomam canabidiol, por via oral, para combater ansiedade, transtorno bipolar, distonia, epilepsia, esclerose múltipla, mal de Parkinson e esquizofrenia.
 Um spray nasal com prescrição médica (Sativex, da GW Pharmaceuticals) contendo THC e canabidiol é usado para dor e rigidez muscular em pessoas com esclerose múltipla, em mais de 25 países.
 Além de ajudar a tratar essas doenças, pesquisas cientificas clínicas garantem que o CBD também é efetivo contra artrite, diabetes, alcoolismo, dor crônica, transtorno de estresse pós-traumático, depressão, infecções resistentes a antibióticos e alguns distúrbios neurológicos.
 Segundo o site hightimes.com, estudos pré-clínicos mostraram que o canabidiol tem uma grande propriedade antitumoral. A pesquisa mais importante para revelar esses poderosos efeitos inibidores de tumores surgiu em 2015 e concluiu que “o CBD retarda a progressão de muitos tipos de câncer, incluindo cânceres de mama, pulmão, próstata e cólon”.
 O canabidiol dificulta o crescimento das células cancerígenas, às vezes favorecendo sua eliminação. Portanto, não causa espanto que existam muitas histórias sobre curas “milagrosas” com o uso do CBD.
 No Brasil, apesar da burocracia, é permitido incluir a substância no tratamento de saúde, desde que o paciente possua receita e laudo médico para importação. Além disso, algumas ONGs são autorizadas a produzir o CBD no país.
 Em recente reportagem sobre o tema legalização da cannabis, a Vice Brasil, em parceria com a Bem Bolado, mostrou o empenho de grupos de empresários, ativistas e pesquisadores que dedicaram os últimos anos pela mudança do estigma – resultante de anos de proibição da maconha e do tráfico de drogas – para uma visão da erva como grande força de transformação.

 Será que é chegada a hora de se pensar fora da caixinha e abrir o leque de benefícios que essa planta medicinal pode trazer? 

 Países mundo afora já legalizaram seu uso medicinal e recreativo, concordando que o lado luminoso é infinitamente maior que o lado sombrio.

Seria preciso retirá-la das mãos do tráfico e trazer à população conhecimento e o apoio necessário a fim de que seu uso seja feito sempre de forma responsável e consciente.


E você? É contra ou a favor?


Fonte: Metrópoles

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Estudos do CEPID BRAINN sobre epilepsia são premiados

Agência FAPESP – Dosar um conjunto de metabólitos produzidos em uma região cerebral chamada hipocampo pode ajudar os neurologistas a avaliar se pacientes com epilepsia do lobo temporal – a forma mais comum da doença em adultos – estão respondendo ou não ao tratamento farmacológico.

O desenvolvimento de um método para fazer essa análise de forma não invasiva, usando espectroscopia por ressonância magnética, é o objetivo de uma pesquisa realizada no âmbito do Instituto Brasileiro de Neurociências e Neurotecnologia (BRAINN), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) financiados pela FAPESP e sediado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O trabalho, conduzido pela pós-doutoranda Luciana Ramalho Pimentel da Silva, foi um dos quatro premiados na última edição do Congresso da Liga Brasileira de Epilepsia (LBE), realizado em junho em São Paulo.

“A epilepsia do lobo temporal geralmente está associada a uma lesão no hipocampo, região cerebral relacionada à memória. Nosso objetivo é – em casos em que existe um tipo de lesão conhecido como esclerose hipocampal – avaliar os efeitos do controle farmacológico das crises sobre o metabolismo cerebral”, explicou Silva.

Segundo a pesquisadora, para alguns dos pacientes em que o tratamento medicamentoso não é bem-sucedido, recomenda-se a remoção cirúrgica da área cerebral lesionada como alternativa de controle das crises. Nem sempre isso é possível, porém, dependendo da região em que a lesão está.

Sob a supervisão de Fernando Cendes, coordenador do BRAINN e professor da Unicamp, o grupo faz uso da espectroscopia de prótons por ressonância magnética para quantificar no hipocampo compostos químicos que atuam como indicadores de alterações estruturais e funcionais nos neurônios, como o N-acetilaspartato, colina, fosfocolina, glutamato e glutamina.
“Por ser uma técnica não invasiva, foi possível obter informações sobre processos celulares e moleculares em pacientes de perfil variado, até mesmo aqueles que não são candidatos à cirurgia. Nesses casos, não teríamos acesso às amostras cirúrgicas do tecido nervoso e o estudo não seria possível de outro modo”, disse Silva.

Os achados mostram, segundo a pesquisadora, que as alterações metabólicas no hipocampo de pacientes com epilepsia do lobo temporal diferem de acordo com o lado em que a lesão está localizada e com o grau de resposta ao tratamento farmacológico. O estudo foi feito com 92 pacientes e outros 50 voluntários sem epilepsia.

“Em nossa amostra, pacientes com diminuição de N-acetilaspartato apresentaram maior risco de controle inadequado das crises”, contou Silva.

“Existe uma alteração específica nesse conjunto de metabólicos em pacientes que não respondem ao tratamento e uma alteração ainda maior naqueles que apresentam atrofia hipocampal do lado esquerdo do cérebro. Foi a primeira vez que conseguimos separar quais alterações estão relacionadas ao dano estrutural e quais são relacionadas à não resposta ao tratamento”, afirmou Cendes

 Displasia cortical focal

Outro trabalho realizado pelos membros do BRAINN, durante o doutorado de Vanessa Simão de Almeida também foi premiado durante o 37º Congresso da LBE. A pesquisa é orientada por  Iscia Lopes Cendes, professora da Unicamp.

Nesse caso, o objetivo é buscar mutações que ocorrem durante o desenvolvimento do córtex e que poderiam explicar a origem de malformação cerebral conhecida como displasia cortical focal – uma das causas mais comuns de epilepsia refratária ao tratamento farmacológico.
Pacientes com esse problema apresentam uma discreta desorganização na arquitetura de uma região específica do córtex, que pode ou não estar associada à presença de células nervosas com estrutura e funcionamento anormais.

“Nosso objetivo é contribuir para o entendimento das causas genéticas das displasias corticais focais e identificar os mecanismos moleculares possivelmente envolvidos na malformação”, contou Almeida.

Para isso, o grupo avalia por métodos de sequenciamento genômico o tecido cerebral de pacientes com epilepsia submetidos à cirurgia para remoção da área afetada pela malformação.

Realizado a cada dois anos, o Congresso da LBE é considerado o maior evento da área de epilepsia na América Latina, reunindo entre 600 e 700 pessoas do Brasil e convidados internacionais.

“Em todas as edições são selecionados por um painel de especialistas os melhores trabalhos submetidos pelos estudantes. São quatro prêmios que cobrem as áreas de estudos clínicos, estudos experimentais, cirurgia e eletroencefalografia”, contou o coordenador do BRAINN.
Para Cendes, o fato de dois trabalhos do CEPID terem sido selecionados nesta última edição demonstra que o grupo tem forte competitividade no contexto acadêmico nacional e até internacional.

“É sinal de que os resultados que produzimos têm relevância e impacto. A premiação é boa para o BRAINN e também dá um incentivo grande para os alunos mais jovens, que ainda estão começando a carreira científica”, disse.

Fonte: Rede Notícia


quinta-feira, 19 de julho de 2018

Hospital Metropolitano realiza cirurgia de epilepsia em paciente adulto

O Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires realizou, nesta semana (28 de junho) , a primeira cirurgia para tratamento de epilepsia desta unidade de saúde. O procedimento foi feito no lobo temporal, uma região do cérebro que costumeiramente dá origem ao foco epileptogênico. O paciente tem 30 anos, morador do município de Santa Rita, e já recebeu alta.
De acordo com o neurocirurgião Stênio Sarmento, responsável pelo procedimento, o Hospital Metropolitano tem estrutura e capacidade para realizar esse tipo de cirurgia e o primeiro procedimento é o pontapé inicial para uma rotina nesse sentido. O neurocirurgião Emerson Magno, que também fez parte da equipe da cirurgia, lembrou que o paciente tem uma chance significativa de cura, ou seja, uma melhoria para a sua saúde e qualidade de vida.
O tratamento cirúrgico é indicado em cerca de 30% dos casos, quando as medicações não têm efeito em relação ao número de crises e consegue-se identificar, por meio de exames de imagem, o ponto focal destas crises. “Alguns pacientes epilépticos, em torno de 30%, usam um, dois, três e até quatro tipos de medicações diferentes e continuam tendo crises frequentes. Então a qualidade de vida deles fica prejudicada, provocando a necessidade do tratamento cirúrgico”, explicou Dr. Stênio.
O Hospital Metropolitano, referência em neurologia, passa a atender à demanda por essas cirurgias. “A primeira cirurgia funcional em epilepsia no Hospital Metropolitano é um ganho porque muitas vezes pacientes não tinham o serviço de referência na Paraíba para tratar esse tipo de patologia”, ressaltou Dr. Emerson.

Fonte: WSCOM