quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Piauí faz pesquisa para produzir canabidiol, medicamento à base de maconha

Pesquisadores e médicos neurologistas das Universidades Estadual (Uespi) e Federal do Piauí (UFPI) e do Centro de Integrado de Reabilitação (Ceir) estão trabalhando na produção local do canabidiol, medicamento feito a partir da planta da maconha, Cannabis Sativa, que atua no sistema nervoso central, ajudando a tratar doenças psiquiátricas ou neurodegenerativas, como esquizofrenia, mal de Parkinson, epilepsia ou ansiedade, por exemplo.
Um dos pesquisadores envolvidos no estudo, o médico Kelson James Almeida, diretor clínico do Ceir, afirma que existe, sim, a possibilidade de produção do medicamento no Piauí. Mas ele não pôde dar mais detalhes do estudo ou processo de produção em razão de regras éticas.
No entanto, Kelson Almeida disse que o foco do estudo é para que o medicamento – que se apresenta em forma de óleo – tenha somente o princípio ativo destinado ao tratamento das doenças neurológicas ou psíquicas.
A segurança na formulação de um medicamento puro é necessária porque o canabidiol (CBD) é uma entre 113 substâncias químicas canabinoides encontradas na maconha (Cannabis sativa), mas que ainda assim se constitui grande parte da planta, chegando a representar mais de 40% de seus extratos.
A pesquisa médica local para produção do canabidiol foi autorizada pelo governador do Estado, Wellington Dias. Deverá seguir rígidos padrões de biossegurança.
Hoje, o custo do produto importado é elevado demais para muitas famílias que precisam dele para tratamento de pessoas com necessidade do medicamento.
De acordo com as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que liberou a venda do medicamento, produtos derivados dele poderão ser comercializados com uma concentração de, no máximo, 30 mg de tetrahidrocannabinol ou canabidiol por mililitro. Os produtos que tiverem concentração maior do que a estabelecida continuam proibidos no País.
A Anvisa incluiu no dia 22 de outubro do ano passado os derivados do canabidiol na lista de substâncias psicotrópicas vendidas no Brasil com receita do tipo A, específica para entorpecentes.
A norma acrescenta sete produtos à base de Canabidiol, em associação com outros canabinóides, mais comumente solicitados à agência, para importação excepcional por pessoa física. Dessa forma, o procedimento de avaliação e liberação se tornará mais ágil.
Fonte: Portal AZ

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Santa Maria aplica técnica inovadora contra crises de epilepsia

O Serviço de Neurocirurgia do Hospital Santa Maria, em Lisboa, operou desde o início do ano dois doentes com uma nova técnica de ablação de áreas do cérebro responsáveis pela ocorrência de crises epiléticas, tendo obtido "resultados muito positivos".
Segundo um comunicado do Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN), a que pertence o Santa Maria, este serviço de neurocirurgia é o único a aplicar a técnica em Portugal.
"Este tipo de tratamento está direcionado para pessoas que sofram de epilepsia não controlada com terapêutica médica, nas quais é previsível a localização de uma zona relativamente restrita no cérebro, responsável pelo início das crises", prossegue o comunicado.
A informação acrescenta que, "se esta for suficientemente localizada, a ablação por radiofrequência torná-la-á inativa, com melhoria da frequência das crises ou mesmo, com o seu controle na íntegra".
Outra vantagem desta técnica é "evitar a realização de uma grande cirurgia para abertura do crânio".
"A técnica é efetuada recorrendo apenas à realização de pequenos orifícios, de dois milímetros, através dos quais são colocados os elétrodos, que chegam assim a locais profundos do cérebro, muitas vezes inacessíveis em cirurgias abertas".
Fonte: Jornal de Notícias

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Epilepsia resistente a remédios é desafio para mães

Qualquer mãe sabe que não pode deixar a febre da criança subir por risco de convulsões e tem muito medo disso acontecer. Pode-se imaginar então o drama de quem tem filhos que sofrem de epilepsia, distúrbio em que a atividade cerebral sofre panes recorrentes, provocando crises periódicas. Há crises em que a pessoa perde a consciência e cai, apagando por alguns minutos. Mas há também crises mais sutis, que deixam o paciente ausente, fora do ar por alguns momentos, ou com movimentos descontrolados nos membros. Uma crise convulsiva pode impressionar e a falta de informação atrapalha o diagnóstico e, consequentemente, o tratamento correto.
Algumas doenças, pancadas ou infecções podem provocar crises convulsivas. Mas isso não quer dizer que o indivíduo seja portador de epilepsia. De acordo com a neurologista e epileptologista Dra. Andrea Julião de Oliveira, quem tem epilepsia apresenta uma alteração própria do funcionamento do cérebro que pode acontecer por diversas causas. “As crises geralmente ocorrem sem aviso prévio e sem tempo para que a pessoa possa se proteger ou ser protegida”, diz a especialista.
O problema de quem convive de perto com a doença é justamente não saber quando a convulsão pode acontecer – e como se comportar diante de alguém em crise. Para as mães de crianças com epilepsia, é especialmente difícil. Além de lidar com a questão do diagnóstico de uma doença para a vida toda, muitas vezes os tratamentos disponíveis não dão conta de controlar as crises adequadamente.
Como não há cura, o tratamento visa diminuir os episódios. A primeira opção são os medicamentos, mas uma parcela dos pacientes não responde bem a eles ou tem efeitos colaterais inaceitáveis. “Nesses casos, a terapia VNS é uma boa alternativa para ser acrescentada ao tratamento. Trata-se de um dispositivo capaz de estimular o nervo vago, que passa pelo pescoço, enviando sinais ao cérebro para diminuir as crises e melhorar a qualidade de vida. Ele é implantado sob a pele, abaixo da clavícula, num procedimento cirúrgico simples, que traz poucos desconfortos”, explica a médica.
Estudos mostram uma melhora significativa tanto no controle das crises quanto em vários outros aspectos. Dra. Andrea ainda completa que para os pequenos, isso garante um ganho enorme na qualidade de vida em geral, como melhora da depressão, do humor, além da atenção e capacidade de realizar tarefas na escola. Outros aspectos, como linguagem, memória e aprendizado, também saem ganhando. Para as mães, significa o alívio de encontrar uma opção para viverem melhor.
Fonte: Vida Saudável

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Cientistas criam modelo matemático que localiza foco de crise epilética

Cientistas de um hospital espanhol desenvolveram um modelo matemático que analisa a atividade cerebral para localizar as áreas nas quais se originam e propagam as crises epilépticas
O estudo, publicado na revista “Clinical Neurophysiology”, transforma os registos eletroencefalográficos (EEG) em modelos matemáticos que explicam as crises dos pacientes, permitindo delimitar a área do cérebro para ser removida na cirurgia para evitar sequelas no paciente e abre um caminho para prevenir as crises de epilepsia.
Adrià Tauste e Rodrigo Rocamora, da Unidade de Epilepsia do Hospital del Mar, em Barcelona, analisaram 50 crises epilépticas localizadas no lobo temporal de sete pacientes resistentes a medicamentos.
A eletroencefalografia permite registar a atividade elétrica da zona cerebral onde acontece a crise epiléptica graças a microelétrodos implantados no cérebro, uma técnica usada em casos muito complexos de epilepsia.
Os engenheiros e neurologistas que participaram neste estudo aplicaram um algoritmo matemático que traduz em números os registos obtidos na eletroencefalografia, permitindo obter uma imagem que, sobreposta à ressonância magnética do paciente, localiza o foco da crise epiléptica. Até agora, os médicos determinavam o foco a partir de uma interpretação subjetiva dos padrões visuais dos registos e da sua experiência.
Há décadas que os resultados de tratamentos cirúrgicos da epilepsia fracassam em alguns pacientes devido à complexidade das conexões neurais e às limitações das técnicas cirúrgicas. Segundo os especialistas, graças a este estudo está a ser desenvolvido um sistema automatizado e objetivo que evita interpretações subjetivas dos registros.
“O benefício mais imediato desta nova técnica é que a localização objetiva do foco epiléptico permite otimizar as estratégias cirúrgicas e delimitar melhor a área a retirar, o que pode ajudar o cirurgião e reduzir a possibilidade de erros. Atualmente, isto é conseguido em 60% ou 70% dos casos, conforme o tipo de epilepsia da pessoa”, explicam os investigadores. 
Fonte: Terra

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Ciclo de Palestras do ICB debate o uso do canabidiol no tratamento da epilepsia

O debate dos fins medicinais da maconha tem sido alvo de diversas discussões por todo o mundo. No Brasil, levando em conta o fato de o cultivo da planta ser proibido para qualquer fim e de seu auxílio em certas doenças ser defendido por muitos estudiosos têm feito com que a discussão se acentue na mídia e na academia. Por isso, o Ciclo de Palestras do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFJF promoveu no dia 20 de junho, uma palestra com Isabel Assis, que fez seu doutorado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) sobre o “envolvimento da enzima fosfatidilinositol 3-quinase (PI3K) no efeito anticonvulsivante e neuroprotetor do canabidiol”.

Isabel começou explicando o que é uma convulsão. Este termo se refere a um período clínico anormal resultante de uma exacerbada descarga elétrica, repentina ou anormal no encéfalo. No entanto, as crises convulsivas, ao contrário das convulsões que podem ser causadas por diversos motivos – febre alta, infecções no cérebro, exposição a drogas ou substâncias tóxicas e etc – são fruto de uma lesão no cérebro, como, por exemplo, nos tumores. Este quadro é chamado de epilepsia sintomática. Aliado a esta, existem centenas de tipos de epilepsia catalogados; entretanto, Isabel escolheu estudar o tipo mais comum que acomete a população, a epilepsia do lobo temporal.

Ao longo da história a epilepsia foi vista por uma ótica de misticismo, o que ocasionou em uma improdutividade nas pesquisas acadêmicas. Somente no século XX que a indústria farmacêutica começou a se mobilizar em prol ao combate da doença; no entanto, no início do século XXI, mais de 30% dos pacientes ainda se mostravam resistentes aos medicamentos disponíveis no mercado. Tal fato motivou a procura por novas drogas anticonvulsivantes pela indústria e cada vez mais o canabidiol (CBD) se tornou objeto de pesquisa na academia.

Palestra

O processo metodológico de Isabel passa por experimentos com camundongos, que, a partir da introdução da pilocarpina (PILO), substância capaz de levar os animais ao Status Epilepticus (SE), para investigar a participação da enzima PI3K sobre crises convulsivas e sobre a produção de fatores neurotróficos e mediadores inflamatórios. Após induzir os roedores ao SE, foram aplicados testes de reconhecimento de objetos e de medo condicionado. Nessa primeira fase, chegou-se à conclusão de que 70% dos camundongos atingiram o SE e não houve morte. A respeito da PI3K conclui-se parcialmente que a sua ausência prejudica mecanismos de proteção.

No momento seguinte, o canabidiol foi inserido na pesquisa como forma de tratamento dos camundongos e também em experiências em vidro. A presença do CBD diminuiu convulsões induzidas por PILO, reduziu a morte neuronal nos animais e apresentou efeito neuroprotetor em vidro. Concluiu-se que o CBD pode atuar de forma direta ou indireta na diminuição de crises e na diminuição da morte neural.
A grande dificuldade da pesquisa foi obter o CBD, pois, mesmo com a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) da importação do CBD para fins medicinais, ainda há muita burocracia para a obtenção da substância para a pesquisa, sendo permitida a importação somente com autorização médica. Tais dificuldades fizeram com que a pesquisa se mantivesse focada na epilepsia de forma aguda induzida pela POLI.
“O intuito de um futuro prosseguimento da pesquisa envolve o estudo com a epilepsia em sua forma crônica, que só será possível com a obtenção de canabidiol em maior quantidade, o que será importante para entender os efeitos adversos do uso do CBD”, conta Isabel.
Fonte: Ufjf Notícias