quinta-feira, 18 de maio de 2017

Anvisa inclui Cannabis sativa em lista de plantas medicinais

Agência Nacional de vigilância Sanitária (Anvisa) incluiu a Cannabis sativa na Lista Completa das Denominações Comuns Brasileiras (DCB). Trata-se de uma lista que define os nomes oficiais de fármacos, princípios ativos, plantas medicinais e outras substâncias de interesse médico no país.
A medida não modifica as regras relativas à maconha no país e não libera seu uso como planta medicinal em qualquer circunstância. Apenas formaliza a Cannabis como um componente possível em futuros pedidos de registro de medicamentos ou outras regulamentações que podem ser discutidas sobre seu uso como planta medicinal.
A inclusão faz parte da Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) Nº 156, de 5 de maio de 2017, que foi publicada no Diário Oficial da União em 8 de maio.
Decisões anteriores
A agência já tinha aprovado, em janeiro de 2017, o registro do primeiro remédio à base de maconha no Brasil. Com o nome comercial Mevatyl, o medicamento contém tetraidrocanabinol (THC) em concentração de 27 mg/mL e canabidiol (CBD) em concentração de 25 mg/mL. A droga já é aprovada em outros 28 países, incluindo Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Dinamarca, Suécia, Suíça e Israel, onde é conhecido por Sativex.
O medicamento é indicado para pacientes adultos com espasticidade de grave a moderada relacionada à esclerose múltipla que não respondam a outros medicamentos e que demonstrem uma boa resposta ao Mevatyl após um período inicial de tratamento.
Em 2016, a Anvisa autorizou a prescrição e manipulação de medicamentos a base de Cannabis. A autorização vale tanto para medicamentos registrados na Anvisa que contenham as substâncias quanto para produtos que contenham as substâncias a serem importados em caráter de excepcionalidade para tratamento de pacientes brasileiros.
Em janeiro de 2015, a Anvisa já tinha decidido retirar o canabidiol da lista de substâncias de uso proscrito, o que abriu caminho para que a comercialização de medicamentos com a substância fosse facilitada no país. Desde então, está em curso uma flexibilização da importação de medicamentos contendo as substâncias.

Fonte: Gazeta Online

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Cérebros empenhados em desvendar o cérebro

Nas últimas três décadas a neurociência vem colocando em xeque muito do que sabíamos, ou pensávamos saber, sobre o funcionamento do cérebro. Talvez uma das mais importantes constatações – base para uma série de outras, aliás – seja a de que o complexo emaranhado de circuitos cerebrais está em constante transformação. Com o desenvolvimento tecnológico, as barreiras da biologia e da medicina foram rompidas e os pesquisadores se valem de conhecimentos da física, da informática, da matemática, da engenharia computacional para ampliar conhecimentos. Até porque, quanto mais estudos são feitos, mais fica claro que ainda sabemos pouco – até mesmo sobre funções de áreas cerebrais.
Uma frente importante, que deve marcar grande avanço na área neurocientífica, é o projeto Brain Research through Advancing Innovative Neurotechnologies (BRAIN), lançado em abril de 2013, nos Estados Unidos, com o objetivo ambicioso de ampliar significativamente a compreensão do funcionamento da mente humana – e, em última instância, encontrar formas mais eficientes de tratar, prevenir e curar quadros graves como Alzheimer, esquizofrenia, autismo, epilepsia e traumatismos no cérebro, que afetam milhões de pessoas em todo o planeta.
Hoje, passados quatro anos e investidos mais de US$ 1,5 bilhão no programa, um dos grandes desafios a serem vencidos ainda está relacionado ao aprimoramento de métodos e tecnologias capazes de medir e acompanhar a atividade cerebral com precisão. Por isso, a primeira fase da iniciativa, ainda em andamento, tem como foco o desenvolvimento de novos métodos e equipamentos para o monitoramento da atividade cerebral. O curioso é que essa pequena maravilha que cada um de nós carrega dentro da cabeça seja ainda tão misteriosa e exija tanta tecnologia e tanto trabalho (cerebral) para que possamos entender suas dinâmicas.
Em tempos de tanta incerteza política, econômica e social parece difícil fazer prognósticos, mas é reconfortante saber que iniciativas como a BRAIN continuam em curso – e podem trazer incontáveis possibilidades de diminuir o sofrimento humano. O caminho é longo, mas é reconfortante saber que, de uma forma ou outra, estamos no caminho. 

Fonte: Mente e Cérebro

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Profissionais da educação precisam conhecer mais sobre epilepsia

O conhecimento sobre a epilepsia e como lidar com os pacientes no ambiente escolar é imprescindível para transformar a escola num ambiente seguro e inclusivo

Depois da família, a escola é a instituição mais importante para construção da identidade social de uma pessoa. Conceitualmente, essa identidade é o modo como se é percebido pela sociedade e a visão que se tem de si mesmo. No contexto da epilepsia, muitas vezes, o paciente é visto com olhares preconceituosos, principalmente, quando está exposto em momentos de crise, como a convulsão, impactando diretamente nas relações sociais. Quando isso acontece no ambiente escolar é preciso que os professores estejam atentos e saibam lidar com a situação, o que significa entender melhor a doença.
Porém, na maioria dos casos, os docentes não têm informação suficiente para lidar com essas manifestações, o que faz com que o estudante com epilepsia não receba a atenção adequada e necessária, tendendo a se isolar.
A recorrente manifestação de discriminação, principalmente no ambiente escolar, afeta de diversas formas tanto a identidade social como pessoal do estudante com epilepsia, o que inclui a autoestima, autoconfiança e motivação. Por isso, é muito importante que diretores, coordenadores, professores e todos os funcionários que estão nesse ambiente estejam preparados, não só para lidar com a criança e o jovem com epilepsia, mas inclui-lo no ambiente social e evitar que os colegas tenham medo ou preconceito.

Cognição e aprendizagem

De acordo com a neurologista Dra. Maria Luiza Manreza, “pessoas com epilepsia, mesmo com crises não controladas, não necessariamente apresentam algum tipo de dificuldade cognitiva. Em alguns casos, porém, podem ocorrer alguns prejuízos em funções cerebrais, como a memória, atenção e raciocínio, o que depende de diversos fatores, como o tipo e a frequência das crises e a dosagem dos medicamentos utilizados para tratamento”, explica.
Em alguns casos, esses prejuízos podem repercutir no processo de aprendizagem. Dessa forma, os professores têm o papel de se aproximar da criança em questão e entender sua condição. Além disso, é importante estabelecer uma comunicação entre a escola e a família e, se houver necessidade, solicitar relatórios dos profissionais da saúde que a acompanham para facilitar a percepção da singularidade do caso, com a finalidade de otimizar o processo de aprendizagem.

Preconceito e bullying

É na transição entre a infância e a adolescência que se busca desenvolver competências para incluir-se no mundo adulto. Por isso, no momento em que a pessoa com epilepsia se sente impotente para seguir nessa direção e se questiona sobre a própria capacidade, a relação com as pessoas que estão a sua volta se torna mais difícil.
“Tratar inadequadamente uma pessoa enquanto ela está tendo uma crise pode desencadear uma disseminação de preconceitos e estigmas, maus tratos e bullying por parte de quem está por perto, principalmente, os colegas”, completa a médica.

Papel do profissional de educação

Os profissionais de educação têm o papel de observar o grau de iniciativa, participação e de motivação das crianças com epilepsia. Diferentes estímulos à cognição e expressões de credibilidade por parte do professor são fatores que também podem beneficiar a autoconfiança e seguraça do paciente, fazendo com que seu rendimento seja cada vez melhor.
Além disso, os profissionais de educação devem  estar preparados para agir diante de uma crise, sendo ela uma convulsão, crise de ausência, ou qualquer outra, servindo de modelo para todos aqueles que estiverem presenciando o ocorrido, fazendo com que absorvam o aprendizado e ajam de forma correta em situações futuras. Reverter o preconceito e estigma é uma questão de atitude, in loco, indispensável no momento em que a crise eclodir.

Projeto Escola

Recentemente, a Associação Brasileira de Epilepsia (ABE) iniciou um projeto de educação sobre a doença em 92 escolas da rede estadual da zona sul de São Paulo. A ideia é conscientizar e ensinar todos os membros da diretoria e coordenação, professores e funcionários das escolas sobre as características da doença e suas manifestações, como a atitude que se deve tomar durante as crises e como evitar/eliminar estigmas e preconceitos dos colegas para que a autoconfiança e autoestima do paciente não sejam impactadas negativamente.
O projeto da ABE é dividido em etapas, com reuniões para cada grupo de profissionais mencionados. Na fase atual do projeto, em que se reforça a importância da escola como potencial elemento na diminuição do preconceito acerca da epilepsia, há a realização de treinamentos dos profissionais da Educação para disseminação do conhecimento. Posteriormente, haverá um professor responsável em levar o material adiante, abordando o tema em sala de aula e fazendo com que a epilepsia seja percebida como uma doença que não impossibilita o indivíduo de viver normalmente. Cerca de 100 mil alunos serão impactados pela ação, o que significa um avanço em direção à desmistificação da epilepsia e inclusão dos pacientes na sociedade.

Fonte: Jornal Dia  Dia

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Cerca de 5% da população terá ao menos uma crise epiletica na vida

A epilepsia é uma doença que gera muitas inseguranças por parte de pacientes e familiares, principalmente, pela ocorrência de  crises epiléticas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 5% da população terá ao menos uma crise epiléptica na vida. Nesse sentido, a informação e o conhecimento são fundamentais para lidar melhor com a enfermidade.
A epilepsia é definida como uma doença cerebral crônica caracterizada pela predisposição duradoura a crises epilépticas e suas consequências neurobiológicas, sociais e cognitivas. É preciso entender o que isso significa na prática para um melhor convívio com a doença.
A neurologista Dra. Maria Luiza Manreza dá recomendações que podem contribuir com a qualidade de vida dos pacientes:
Não deixe ser uma barreira –  Doenças crônicas como a epilepsia podem parecer um fardo, mas, na maioria das vezes, o paciente tem condições de levar uma vida normal com o tratamento adequado e conhecimento sobre sua condição.
“É compreensível  que exista uma preocupação em relação à epilepsia, mas que não deve  impactar no convívio do paciente consigo mesmo e com as pessoas que estão à sua  volta. Existem tratamentos eficientes para o controle das crises e suas manifestações e o cuidado e compreensão de pessoas próximas é muito importante”,afirma a doutora.
Confie no tratamento – De acordo com a Liga Brasileira de Epilepsia (LBE), o uso regular de uma ou duas medicações, a maioria delas distribuídas gratuitamente na rede pública, é capaz de controlar adequadamente as crises epilépticas em 70% dos casos. Pessoas com epilepsia  devem estar inseridas na sociedade, ou seja, devem trabalhar, estudar, praticar esportes e se divertir.
Independentemente da doença por vezes demandar tratamento prolongado até mesmo por toda a vida, é importante confiar na orientação proposta pelo médico e na possibilidade de levar uma vida como qualquer outro. A pessoa com epilepsia não deve cultivar pensamentos negativos em relação à doença, pois isto contribui negativamente, favorecendo a exclusão social, a insegurança e a baixa autoestima.
Conheça a fundo – Caminhar em direção ao conhecimento  e ao acolhimento dos pacientes é uma atitude importante que deve ser tomada pela sociedade em geral. Uma visão mais ampla e clara sobre o outro e suas particularidades facilita a aceitação e reforça o respeito que deve existir entre as partes, promovendo um ambiente com menos preconceitos e estigmas.
Fonte: Maxpress

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Sobrepeso na gravidez está associado a maior risco de epilepsia, diz estudo

A obesidade e o sobrepeso durante o primeiro trimestre de gravidez estão associados a um maior risco de ter uma criança com epilepsia, disseram pesquisadores segunda-feira (3 de abril).
O estudo foi baseado em dados de 1,4 milhão de crianças na Suécia, e foi publicado na revista Journal of the American Medical Association (JAMA) Neurology.
O aumento do risco de epilepsia em uma criança é proporcional a quão acima do peso a mãe estava no início da gravidez, segundo a pesquisa liderada por Neda Razaz, do Instituto Karolinska em Estocolmo, na Suécia.
"O risco de epilepsia aumentou 11% em crianças de mães com excesso de peso" cujo índice de massa corporal (IMC) estava entre 25 e 30, disse o estudo, que constatou que, das 1,4 milhão de crianças nascidas entre 1997 e 2011 na Suécia, 0,5% (7.592 crianças) foram diagnosticadas com epilepsia até 2012.
O IMC é calculado dividindo o peso (em quilogramas) pela altura (em centímetros) elevada ao quadrado. As pessoas que têm essa taxa entre 18,5 e 24,9 são consideradas dentro do peso ideal.
Mulheres que eram obesas, com um IMC de 30 a 35, tiveram um aumento de 20% no risco de ter um filho com epilepsia em comparação às mães com o peso normal.


Para as mulheres com um IMC de 35 a 40 o risco aumentou 30%, e para as grávidas com obesidade mórbida o risco era 82% mais elevado do que o das mães que estavam dentro do peso recomendado.
Risco alto de epilepsia
O estudo, baseado em questionários, não se aprofundou nas causas do risco aparentemente mais alto de epilepsia, que podem incluir fatores genéticos e ambientais.
Os pesquisadores acreditam que o excesso de peso ou a obesidade durante a gravidez podem levar a um maior risco de lesão cerebral em bebês, ou que a inflamação induzida por obesidade pode afetar o neurodesenvolvimento.
"Visto que o sobrepeso e a obesidade são fatores de risco potencialmente modificáveis, a prevenção da obesidade em mulheres em idade reprodutiva pode ser uma importante estratégia de saúde pública para reduzir a incidência de epilepsia", disse o estudo.
Uma pesquisa feita na Dinamarca e publicada no ano passado pela Academia Americana de Pediatria descobriu que quando as mulheres tinham um IMC mais alto antes de engravidar, os seus filhos enfrentavam um maior risco de paralisia cerebral.

Fonte: N10 UOL