quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Pesquisadores do ICB patenteiam técnica que bloqueia crises epiléticas


Método dispensa uso de fármacos e não prejudica a atividade normal dos neurônios.

A epilepsia é uma desordem neurológica crônica associada à hiperexcitabilidade do tecido encefálico, que predispõe a um estado patológico de excessiva sincronia neural. Os sintomas podem incluir alucinações, alterações de humor e perda de tônus muscular, mas sua expressão mais perigosa é a crise convulsiva. Na maior parte dos casos, o tratamento é baseado no uso farmacológico de inibidores da atividade sináptica ou na remoção cirúrgica da área do cérebro afetada.
“Esse ‘desligamento’ forçado das conexões cerebrais é eficaz para bloquear a atividade exacerbada que caracteriza as convulsões, mas outras funções podem ser prejudicadas. O indivíduo pode ficar sonolento e apresentar falhas de memória e raciocínio”, explica o professor do Departamento de Fisiologia e Biofísica do ICB Márcio Flávio Dutra Moraes, que coordena o Núcleo de Neurociências (NNC) da UFMG.
Segundo o pesquisador, a estimulação do circuito neural por meio de correntes elétricas em alta frequência é uma das técnicas utilizadas atualmente no bloqueio das crises convulsivas, mas a terapia gera o risco de lesões e demanda intervenções cirúrgicas para manutenção.
Em parceria com o Laboratório Interdisciplinar de Neuroengenharia de Neurociências (LINNce), da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), pesquisadores do NCC vêm desenvolvendo uma técnica de estimulação elétrica projetada justamente para maximizar o potencial de interferência na sincronia neural patológica. Batizada de NPS (non-periodic stimulation), a terapia tem fundamento na constatação de que é possível bloquear a propagação da atividade epilética formando ruídos que atrapalham a transmissão exacerbada entre neurônios.
Segundo Márcio Flávio, a lógica reside na compreensão de que várias redes neurais precisam se acoplar funcionalmente, de forma transitória, por meio da sincronização das atividades de estruturas distintas, para que o cérebro execute suas funções cotidianas. “A crise epilética tem origem em perturbações que levam a um recrutamento indevido das redes neurais. Para evitá-la, é necessário interromper esse ciclo”, afirma.

Fonte: UFMG

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Hospital de Hapvida realiza primeira cirurgia cerebral com paciente acordado

Conhecido como “awake craniotomy”, o procedimento foi realizado no Hospital Ilha do Leite em Recife, além de apresentar resultados positivos em relação ao tempo de recuperação, permite que o cirurgião tenha a localização em tempo real de regiões funcionais do cérebro
No último mês de agosto, a equipe de neurocirurgia do Hospital Ilha do Leite, do Hapvida, realizou, pela primeira vez, um procedimento cirúrgico diferente do método tradicional. Conhecida entre os especialistas como “awake craniotomy”, a cirurgia é realizada com o paciente acordado, o que permite que o cirurgião tenha a localização em tempo real de regiões funcionais do cérebro, perceber os sinais e, ainda, a preservação destas regiões.
A neurocirurgiã Maria da Penha Mendes Mariz, foi a profissional do Hapvida que esteve à frente da equipe que realizou o processo, ela conta que o procedimento é indicado para tumores cerebrais em áreas eloquentes, que correspondem às regiões motora, sensitiva e de linguagem. De acordo com a médica, o paciente ficou completamente lúcido durante o processo. “O paciente tinha um tumor em área de linguagem. Realizamos a cirurgia no dia 21 de agosto de 2019, e foi feita a ressecção completa da lesão, ou seja, a remoção completa do tumor”, afirma Maria da Penha. “O paciente realizou a ressonância durante o procedimento cirúrgico. Completamente consciente, ele conversou, leu e chegou até a fazer cálculos enquanto a cirurgia ocorria”, complementa a neurocirurgiã.
O tumor de Iraguassu Dantas, de 19 anos, paciente do Hapvida que realizou a cirurgia, estava causando crises convulsivas de difícil controle. Desde os seus oito anos, quando realizou a biópsia, vinha sendo medicado para controlar o problema. No entanto, segundo a neurocirurgiã Maria da Penha, a medicação que ele estava tomando, além de não resolver o problema, vinha comprometendo o aprendizado de jovem. Rosineide Dantas, mãe de Iraguassu, conta que o filho teve uma recuperação muito boa e rápida. “Ele está ótimo, já está falando! A recuperação foi realmente muito rápida”, conta a mãe. Para Iraguassu, o mais importante foi resolver o problema. “Eu lembro de todo o procedimento. Conversei, Li… E o melhor de tudo foi conseguir resolver as crises de convulsão. Eu tinha crises todos os dias, e agora não tenho mais”, comemora Iraguassu.
A técnica da cirurgia com o paciente acordado apresenta bons resultados em relação ao tempo de internação, retorno às atividades cotidianas e o controle das recidivas tumorais. Iraguassu teve alta uma semana após o procedimento. “ Iraguassu apresentou uma rápida recuperação e não apresenta nenhum distúrbio de linguagem. Também está controlando as crises convulsivas. O período de uma semana foi apenas para que pudéssemos monitorar as crises convulsivas que ele tinha diariamente e que hoje não tem mais”, complementa Maria da Penha.

Fonte: Cultura Amazônica

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Eventos do Dia 9 de setembro - Dia Nacional e Latino Americano da Epilepsia

Participe da Roda de Conversa que acontecerá em Curitiba em comemoração a
 Dia Latinoamericano da Epilepsia! 




Roda de Conversa




Eu falo sobre epilepsia sem nenhum problema



Local: Museu Oscar Niemeyer
Data: 08 de setembro  
Horário: 14:30 hrs






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Será um dia muito especial, participe você também!




Piquenique com Abraçaço



Data: 08 / Setembro / 2013
Horário: 10 Horas
Local: Marquise do Parque Ibirapuera







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No Proximo dia 9 de Setembro teremos um evento de confraternização e muita arte. Pelo terceiro ano consecutivo será realizado em São Paulo o#ARTE&EPILEPSIA 😍
Um evento gratuito, para toda a família, e que contará com exposições de pinturas, fotos, low poly, origami e música.


Compareça 


Data: 9 de Setembro 
Horário: 18hs 📍
Local:  Assembleia Legislativa de São Paulo

📍 Espaço Heróis de 32


A exposição permanecerá no espaço acima dos dias 9 a 20 de setembro, no horário das 9 às 18h. 









quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Revista especial da Turma da Mônica chama atenção para a epilepsia

A Turma da Mônica apresenta uma nova criança muito especial: Haroldo, um menino de 7 anos portador de epilepsia. O personagem foi criado especialmente para uma revista sobre a doença, que terá o título O Que Está Acontecendo e contará como ele lida com as crises convulsivas causadas pelo distúrbio.
O projeto da Mauricio de Sousa Produções está sendo feito com a Genom, braço da empresa União Química Farmacêutica.  Mauricio de Sousa disse que todo o processo criativo contou com a supervisão de médicos. “[Os especialistas] Forneceram dados e informações imprescindíveis para a criação das personagens e do enredo da história”, diz o criador da Turma da Mônica.
Ele explica que o personagem foi produzido especialmente para essa revista, mas pode aparecer em outros quadrinhos dependendo da resposta do público. “Esperamos, sinceramente, que a repercussão seja extremamente positiva e que possa gerar interesse para novos projetos desse tipo”, afirma Mauricio.
Na história, vemos Cebolinha e Cascão brincando com Haroldo. Quando ele tem uma convulsão, sua mãe entra na história explicando o que é a doença e o que fazer nesses casos.

Segundo Vagner Nogueira, diretor executivo da Genom, a ideia de criar um personagem de história em quadrinhos surgiu da necessidade de desestigmatizar a epilepsia, principalmente quando se lida com o público infantil.


“Haroldo é importante para mostrar os desafios que toda pessoa com epilepsia enfrenta, como sofrer com as crises convulsivas e ainda manter uma rotina diária normal. Isso signifca fazer novos amigos que o tratem de forma natural, sem medo ou discriminação, ir para a escola, ter sonhos e brincar. Enfim, tudo aquilo que uma criança vivencia, não podendo a doença ser um fator limitante”, diz Nogueira.

Fonte: Gira betim


quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Tratamento experimental se mostra capaz de reduzir convulsões da epilepsia


As crises epilépticas ocorrem em uma em cada 10 pessoas que sofreram lesão cerebral traumática. Cientistas americanos testaram uma nova estratégia para tratar o problema e obtiveram sucesso. Eles removeram neurônios recém-criados em ratos e, graças à intervenção, as convulsões, um dos principais sintomas da epilepsia, foram reduzidas. Os investigadores acreditam que a técnica pode reduzir potencialmente a condição neurológica incurável.

No estudo, os cientistas explicam que pessoas que sofrem lesão cerebral traumática, causada por violência e acidentes de carro, por exemplo, correm maior risco de desenvolver convulsões, que geralmente ocorrem em cicatrizes no cérebro geradas por lesões. Os neurônios gerados após a lesão cerebral geralmente não migram ou se desenvolvem normalmente. Se a condição não for tratada, essas células podem contribuir para o desenvolvimento da epilepsia.

“Já sabíamos que os novos neurônios contribuem para a epilepsia, mas não sabíamos se poderíamos atacá-los após a lesão, depois que as convulsões começam”, relata, em comunicado, Jenny Hsieh, uma das autoras do estudo, publicado na revista The Journal of Neuroscience, e professora de biologia celular da Universidade do Texas, nos Estados Unidos.

Em experimento com ratos, os pesquisadores removeram os novos neurônios que foram se formando nas oito semanas seguintes a uma lesão cerebral e estavam causando convulsões. A equipe monitorou as cobaias ao longo do tratamento e detectou que, após quatro semanas de intervenção contínua, os animais tiveram redução de 65% nas convulsões, quando comparados aos ratos não tratados.



“Agora, sabemos que podemos remover novos neurônios após as convulsões iniciais. Embora não possamos parar as primeiras crises, podemos tentar evitar as convulsões secundárias. Isso é muito estimulante e pode levar a novas estratégias terapêuticas”, destaca a autora do estudo.

Thaís Augusta Martins, neurologista do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, e membro titular da Sociedade Brasileira de Neurologia (SBN), destaca que o trabalho inova ao explorar uma condição conhecida na área médica. “Já sabíamos que pacientes que sofrem com essa enfermidade apresentam neurônios diferentes do normal e presentes em locais distintos do habitual. Achávamos que era por causa da doença, mas vimos que sua origem estaria em danos neurais que, quem sabe, podem ter ocorrido na infância, por exemplo”, explica.

Mais pesquisas



Segundo os pesquisadores, pacientes que passam por convulsão uma semana depois de terem sofrido traumatismo craniano têm 80% mais risco de sofrerem outro ataque epiléptico. Por isso, acreditam que a intervenção testada em ratos poder abrir as portas para novas terapias em humanos.

A equipe, porém, ressalta que outros fatores estão envolvidos na condição neurológica, o que exige mais pesquisas. “Descobrimos, nos experimentos, que, uma vez que o tratamento parou, a redução das convulsões não foi permanente. Isso pode ser devido a alterações anormais no cérebro epiléptico, como inflamação crônica ou astrócitos reativos, afetando o desenvolvimento de novos neurônios. Estamos analisando essas possibilidades agora”, diz Jenny Hsieh.

Thaís Martins também ressalta que os dados obtidos pecam pela falta de estabilidade do efeito do tratamento. “Após as semanas de terapia, as crises retomaram. Isso mostra que é preciso entender melhor essa relação, mas essa é uma luz no fim do túnel, uma possibilidade de reduzir as crises”, avalia. A neurologista acredita que desdobramentos do estudo poderão focar em estratégias de intervenção clínica. “Acho que é possível fazer o mesmo em humanos, mas com outros tipos de recurso, como fármacos que possam atuar da mesma maneira na neurogênese e o uso do retrovírus, que consegue entrar no DNA das células”, ilustra.

Reação elétrica


Durante uma convulsão, há uma atividade elétrica anormal no cérebro que resulta em vários sintomas: movimento estranho da cabeça, corpo, braços, pernas e/ou olhos, como enrijecimento ou tremor. A falta de resposta e o olhar, a mastigação, o batimento dos lábios e até a experiência de imagens visuais estranhas também são indicativos de uma convulsão.

Fonte: Correio Braziliense