quarta-feira, 22 de março de 2017

Cientistas usam eletricidade para sincronizar cérebro e melhorar memória

Pesquisadores do Imperial College de Londres descobriram que a aplicação de uma corrente de baixa tensão sobre a cabeça pode melhorar a memória de trabalho de curto prazo.
A equipe descobriu que aplicar uma corrente elétrica fraca através do couro cabeludo ajudou a alinhar diferentes partes do cérebro, sincronizando suas ondas cerebrais e permitindo que eles mantenham a mesma batida.
Na pesquisa, realizada em colaboração com o University College de Londres, os cientistas usaram uma técnica chamada estimulação transcraniana de corrente alternada (TACS) para manipular o ritmo normal do cérebro.
A equipe usou a técnica para direcionar o estímulo a duas regiões do cérebro, o giro frontal médio e o lóbulo parietal inferior, que são conhecidos por estarem envolvidos na memória de trabalho.
Dez voluntários realizaram tarefas de memória que aumentavam de dificuldade, enquanto recebiam a estimulação. A frequência foi realizada de forma não sincronizada, ou seja, em momentos diferentes nas partes do cérebro, ao mesmo e também como uma "explosão rápida".
Nas experiências de memória de trabalho, os participantes olharam para uma tela em que os números brilharam e tiveram de se lembrar se um número era o mesmo que o anterior, ou no caso do julgamento mais difícil, se o número atual correspondia ao que tinha sido visto em duas imagens antes.
Os resultados mostraram que quando as regiões do cérebro foram estimuladas em sincronia, os tempos de reação nas tarefas de memória melhoraram, especialmente no exercício mais difícil de memorizar duas sequências de números.O melhor resultado apareceu quando as duas ondas tiveram o mesmo ritmo e ao mesmo tempo..
Usando uma ressonância magnética a equipe conseguiu visualizar as mudanças na atividade que ocorrem durante a estimulação, com a corrente elétrica modulando o fluxo de informações.
Os pesquisadores esperam que a técnica possa ser usada em pacientes que sofreram um acidente vascular cerebral ou que têm epilepsia. O próximo passo é verificar se a estimulação cerebral funciona em pacientes com lesão cerebral, em combinação com imagens onde a comunicação de longo prazo do cérebro foi prejudicada.

Fonte: Cérebro e Mente - Notícias Ciência e Saúde

quinta-feira, 16 de março de 2017

Atleta com epilepsia desafia convulsões durante corridas para continuar competindo

Em um momento, ela esta correndo junto a outros competidores. No outro, esta inconsciente, caída no chão e espumando pela boca. Após passar alguns segundos tendo convulsões, Katie Cooke se levanta e segue em frente - ela está determinada a não deixar que a epilepsia crônica a tire das competições.
Ela teve problemas na escola por conta disso e não conseguiu estudar com afinco durante o ensino médio. Mas conseguiu fazer um curso supletivo e entrar para uma universidade, onde estuda gestão esportiva.
Seu médico diz que ela é "uma jovem incrível" por tudo que conseguiu fazer, mesmo tendo fortes convulsões diariamente.
Apesar de muitas pessoas levarem um susto quando a veem caindo no chão em uma corrida, Doherty acredita que estar em público quando isso ocorre pode ajudar outras pessoas que sofrem do mesmo problema.
"Precisamos ajudar para que as pessoas levem a vida mais normal possível e sejam incentivadas a fazerem tudo que quiserem. A maior barreira não é a segurança, mas a percepção alheia."
Mas ela não foi sempre do tipo esportivo. Diagnosticada aos 9 anos, ela conseguiu manter o problema sob controle com medicação; mas, quando entrou na puberdade, piorou por conta dos hormônios.
"Não conseguia sair da cama. Não era capaz de fazer qualquer coisa sozinha, não conseguia falar. Minha mãe me vestia e me dava banho."
Katie chegou a ser internada por dez meses, mas, apesar de ter participado de diversos testes de tratamentos, sua condição se deteriorou, e ela perdeu o controle da coluna e da cintura. Quando foi mandada para casa, não conseguia andar.
"Fiquei em uma cadeira de rodas por sete meses, mas, como sou muito teimosa, queria provar o que era capaz de fazer. Depois de muita fisioterapia, comecei a correr todos os dias, e amei essa liberdade."


Hoje, ela corre todos os dias e diz que, se perde um treino, sente o cansaço e tontura de antes retornarem. Mas, apesar de a corrida aliviar seus sintomas, não é uma cura.
O aumento da frequência cardíaca durante a atividade física a leva a ter mais convulsões do que se não praticasse o esporte. Mas Katie diz que os benefícios compensam o sacrifício.
Seu médico tem uma visão semelhante. "Há alguns desafios se você tem epilepsia crônica e quer correr longas distâncias, mas, se você só caminhar, também vai ter os mesmos desafios, então, as vantagens superam os riscos", diz Colin Doherty.
O cérebro é composto por 3 bilhões de células, todas elas ativas - mas não ao mesmo tempo. O órgão é como uma máquina que funciona de forma dessincronizada. A epilepsia ocorre justamente quando as células são ativadas em sincronia.
Se um milhão delas funciona ao mesmo tempo, isso afeta o comportamento de uma pessoa. Se 3 bilhões são ativadas em conjunto, ocorre um ataque epiléptico.
Há cerca de 40 tipos de epilepsia. Em algumas pessoas, elas apenas "saem do ar". Outras apenas ficam confusas. E muitas têm convulsões, como Katie.
Participar de corridas parecia ser inviável. Assim que ela tinha um ataque epiléptico, paramédicos a tiravam da prova. Ao comentar sobre isso com seu médico, ele se ofereceu para ser seu companheiro de corrida e ajudá-la durante as convulsões.
"Sou um especialista em epilepsia, então, minha função é impedir que as pessoas a levem para uma ambulância. Apenas fico ali dizendo: 'Katie está bem, sou seu médico, ela vai se recuperar'."
A epilepsia de Katie permite que ela se recupere imediatamente após um ataque. Pode se levantar e seguir em frente. Doherty suspeita que seu bom preparo físico ajuda nesta rápida recuperação.
"Katie leva a corrida a sério. Ela treina bem. Estou muito confiante de que essa é uma experiência positiva para ela."

Além do esporte e da faculdade, Katie também tem uma vida social saudável e um namorado, Jack, que está ao seu lado quando ela tem ataques à noite.
"Ele é uma das pessoas mais tranquilas que conheço e consegue dormir enquanto estou tendo convulsões, o que é um pouco estranho", conta ela. "Ele só acorda de vez em quando, porque alguns ataques são bem violentos. Já dei um tapa na cara dele, e ele simplesmente voltou a dormir."



Às vezes, os ataques noturnos trazem alucinações - ela diz ver um homem atrás dela. São esses episódios que a deixam mais cansada. "Não consigo dormir nada."
Ela teve problemas na escola por conta disso e não conseguiu estudar com afinco durante o ensino médio. Mas conseguiu fazer um curso supletivo e entrar para uma universidade, onde estuda gestão esportiva.
Seu médico diz que ela é "uma jovem incrível" por tudo que conseguiu fazer, mesmo tendo fortes convulsões diariamente.
Apesar de muitas pessoas levarem um susto quando a veem caindo no chão em uma corrida, Doherty acredita que estar em público quando isso ocorre pode ajudar outras pessoas que sofrem do mesmo problema.
"Precisamos ajudar para que as pessoas levem a vida mais normal possível e sejam incentivadas a fazerem tudo que quiserem. A maior barreira não é a segurança, mas a percepção alheia."



Fonte: BBC BRASIL





quinta-feira, 9 de março de 2017

Projeto epilepsia e suas manifestações é apresentado a representantes de orgãos de saúde

Diversos orgãos e instituições estarão unidos durante a Semana de Estudos sobre a Epilepsia para promover uma série de ações e atividades, com o objetivo de divulgar e esclarecer a população sobre os sintomas e tratamentos da doença.

O médico neurocirurgião, André Motta, apresentou nesta segunda-feira (06/03) o projeto Epilepsia e suas Manifestações Neuropsiquiátricas e Viscerais a integrantes de diversos órgãos de saúde, durante reunião realizada no auditório do Ministério Público de Rondônia, em Porto Velho.
A atividade integra o calendário preparatório para a Semana de Estudos sobre a Epilepsia, prevista para ocorrer no período de 20 a 24 de março, na Capital. A iniciativa é uma promoção da Secretaria de Estado de Saúde (Sesau), em parceria com o Ministério Público de Rondônia, por meio do Centro de Apoio Operacional de Saúde (CAOP-Saúde).
Em sua apresentação, André Motta, que pertence ao quadro do Instituto de Neurologia da Amazônia Ocidental, buscou traçar uma panorama da doença, expondo suas diversas formas de manifestação e tratamento.
A participação do médico foi precedida por uma breve explanação do Procurador de Justiça Edmilson José de Matos Fonseca, coordenador do Projeto Epilepsia em Debate, desenvolvido pelo MP/RO.
Semana
Diversos órgãos e instituições estarão unidos durante a Semana de Estudos sobre a Epilepsia para promover uma série de ações e atividades, com o objetivo de divulgar e esclarecer a população sobre os sintomas e tratamentos da doença.
A Semana será aberta no dia 20 de março, às 8h30, com atividade na área frontal da Policlínica Oswaldo Cruz. No dia 21, será realizado na Escola Major Guapindaia, o Seminário A Epilepsia em Debate na Sociedade, tendo como palestrante o Procurador de Justiça Edmilson Fonseca e como mediador o Secretário de Saúde Adjunto, médico Luis Eduardo Maiorquin. No período de 22 a 24, os órgãos parceiros deverão desenvolver atividades e programações junto a unidades de saúde e instituições de ensino.
Fonte: ASCOM MP /  RO

sexta-feira, 3 de março de 2017

Estudo revela que rejeição social á epilepsia é 'quase nula' em Portugal

Um estudo sobre a perceção da epilepsia em Portugal revela que a rejeição social face à doença é "quase nula", que 98% dos portugueses já ouviu falar desta patologia e que 45,5% dos inquiridos já presenciou uma crise epilética.

A investigação, a que a Lusa teve acesso, constatou uma mudança global de mentalidade nos últimos 40 anos, comparativamente com estudos semelhantes realizados em outros países, havendo, entre os portugueses, "um grande grau de abertura" perante a doença.
O estudo, que foi desenvolvido pela Liga Portuguesa Contra a Epilepsia e pela farmacêutica BIAL, verificou que 28% dos inquiridos conhece alguém com epilepsia e 97% nega discriminação face à doença ou face a pessoas com epilepsia. Revela ainda que 72% dos participantes associa a epilepsia a uma doença do sistema nervoso e 85,4% sabe que a epilepsia não é um tipo de atraso mental ou demência.
Mais especificamente, quando questionados se equacionariam casar com alguém com epilepsia, 64,5% dos inquiridos responderam que sim, 15,6% reconhece que hesitaria e 5,4% responde que não. Já no que toca às crianças, quase 90% dos inquiridos deixaria os filhos brincar com crianças epiléticas, sendo que 1,8% recusaria.
Mais de 96% não teriam qualquer problema em conviver socialmente e ser amigo de uma pessoa com epilepsia. Também em termos laborais, concluem o estigma parece estar a desaparecer, já que 83% dos inquiridos contratariam um doente com epilepsia caso fossem donos de uma empresa.
A segunda fase do estudo, que agora vai iniciar-se, vai avaliar a perceção dos doentes de epilepsia, nomeadamente a forma como a doença influencia o seu dia-a-dia e as relações familiares e sociais.
"Vamos agora avaliar qual a posição dos doentes, que se estima serem 50 mil no nosso país. Notou-se que os inquiridos mostraram ainda algumas incertezas sobre as causas (nomeadamente hereditariedade) e tratamentos da doença. Isto é perfeitamente compreensível, até porque mesmo do ponto de vista dos clínicos especializados nesta área há muitas interrogações por responder, o que vem reforçar a importância de obter mais apoios para a investigação clínica e laboratorial", afirmou o neurologista Ricardo Rego, coordenador da delegação norte da LPCE -- Liga Portuguesa Contra a Epilepsia.
O especialista considerou que as conclusões deste estudo provam "uma mudança de mentalidades face à doença e uma atitude de abertura muito positiva em relação às pessoas com epilepsia".
Segundo o diretor-geral da BIAL, José Redondo, este estudo é a primeira etapa de "um projeto maior de sensibilização e informação sobre a epilepsia", que será lançado ainda este ano em parceria com a Liga Portuguesa Contra a Epilepsia e a EPI -- Associação Portuguesa de Familiares Amigos e Pessoas com Epilepsia, e que "vai juntar numa plataforma multimédia um conjunto de dados sobre a doença relevantes para as pessoas que vivem com epilepsia, seus familiares, profissionais de saúde e público em geral."
Fonte: Notícias ao Minuto

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

USP terá primeiro centro de pesquisa em canabidiol do país

O campus da USP em Ribeirão Preto inaugura ainda este ano o Centro de Pesquisas em Canabinoides, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP). O local será para pesquisa e desenvolvimento de medicamentos contendo canabinoides, substâncias derivadas da maconha, nome popular da planta Cannabis sativa.
O projeto, inédito no Brasil, é resultado de parceria entre a USP e a indústria farmacêutica Prati-Donaduzzi. O centro vai funcionar numa ampliação do prédio da Saúde Mental da FMRP e já tem aprovado estudo clínico – investigação em seres humanos – sobre o uso do canabidiol (CBD), um dos primeiros canabinoides descrito cientificamente. O teste será realizado em mais de 120 crianças e adolescentes com epilepsia refratária.
O professor Antonio Waldo Zuardi, do Departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento da FMRP e coordenador do novo centro, diz que o espaço reunirá os trabalhos do grupo de pesquisa de Ribeirão Preto com alas destinadas ao estudo básico de laboratórios e à pesquisa clínica com pacientes e voluntários saudáveis.
Atualmente, a comunidade científica vem creditando ao CBD grandes possibilidades terapêuticas, com muitas pesquisas em fases pré-clínicas (testes em laboratórios). Doença de Parkinson, epilepsia resistente a tratamentos e esquizofrenia estão entre as enfermidades que “possuem ensaios clínicos em pacientes, porém ainda precisam de estudos com maior número de pacientes para que o canabidiol possa ser registrado como medicamento pelas agências reguladoras”, conta Zuardi.
Com a criação desse centro, o professor espera que se aumente os estudos colaborativos e os pesquisadores possam levar rapidamente resultados desses conhecimentos para a sociedade, “com redução de sofrimento e melhora da qualidade de vida de pacientes e suas famílias”.

Do bolo de maconha ao tratamento de epilepsia

As pesquisas com o canabidiol começaram com um “experimento gastronômico”, no início dos anos 1960, quando o bioquímico israelense Raphael Mechoulam resolveu testar seus achados. Mechoulam, que havia elucidado estruturas químicas de vários compostos da maconha, testou em seus amigos os efeitos de cada substância misturada à massa de bolos preparados por sua esposa.
Foi então que Mechoulam observou que apenas os convidados que ingeriram bolo com a substância THC (tetrahidrocanabinol) apresentaram os efeitos típicos da droga. “Ficaram chapados”, na linguagem popular. No entanto, a ação farmacológica antiepilética do canabidiol seria descoberta pelo cientista brasileiro Elisaldo Carlini, na década de 1970, e confirmada em humanos, em 1980.
Essas descobertas “ficaram adormecidas por muitos anos” até que foi resgatada, principalmente pelos esforços do professor Zuardi e sua equipe da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto que há quase 40 anos pesquisa o CBD e é o grupo brasileiro com maior número de publicações sobre a droga.
Quem conta essa história do canabidiol é professor da FMRP José Alexandre Crippa. Ele faz parte do grupo de pesquisas sobre o canabidiol da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto e é vice-coordenador do Instituto Nacional de Ciências e Tecnologia Tranciasional em Medicina (INCT-TM), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
O grupo de estudos sobre o CBD da USP em Ribeirão Preto integra o INCT-TM, que é coordenado pelos professores Jaime Hallak, também da FMRP e Flavio Kapzinski, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Com estudos sobre o canabidiol, eles estão colocando o Brasil na vanguarda das pesquisas sobre o potencial terapêutico desse e outros derivados da maconha.
Os recentes resultados de estudos feitos pela equipe de Ribeirão Preto e de outros pesquisadores ao redor do mundo mostram benefícios do CBD, principalmente, no tratamento de epilepsia infantil, nos casos que não respondem aos medicamentos tradicionais. Esses dados colaboraram para que a considerada “substância proibida” entrasse na lista de medicamentos de uso controlado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão federal responsável pela aprovação de novos remédios no País.
Segundo Crippa, com a recente renovação pelo CNPq do projeto do INCT-TM, as pesquisas com as substâncias derivadas da maconha contam agora com oito centros e 18 sub-centros de estudos espalhados pelo Brasil e exterior. Os recursos investidos representam “uma das maiores iniciativas mundiais, integrando a pesquisa básica e clínica com o CBD, com outros canabinoides e outros compostos com potencial terapêutico.”


Fonte: Jornal da USP
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