segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Evento: Dia Latino Americano da Epilepsia

Dia 9 de setembro é o Dia Latino Americano da Epilepsia

Este evento tem o objetivo de informar, esclarecer dúvidas e conscientizar a população sobre a epilepsia e suas consequências.
Por este motivo a orientação e o esclarecimento entre as pessoas receberá o apoio da LBE – Liga Brasileira de Epilepsia, entidade que  congrega médicos e profissionais de saúde com interesse em epilepsia e que procura manter atualizado o conhecimento sobre esta doença no meio científico.



LOCAL:

•  Centro de Convenções Rebouças
ENTRADA PRINCIPAL (Pedestres) – Av. Dr. Enéas de Carvalho Aguiar, 23 – Metrô Clínicas
ENTRADA (Estacionamento) – Av. Rebouças, 600 – Pinheiros

HORÁRIO:

•  Das 9:00 às 13:00h

PROGRAMAÇÃO:

•  9:00h – Abertura
•  9:15h – A genética na epilepsia – Drª Luciana Inuzuka
•  9:45h – Dieta Cetogênica para epilepsia – Drª Letícia Sampaio e Nutricionista Cristina Takakura
•  10:15 às 10:45h – Intervalo
• 10:45h – A caracterização da pessoa com deficiência para lei de cotas. – O uso  CIF e  CID – Dr. José Carlos do Carmo
• 11:15h – Qualidade de Vida em epilepsia – Eduardo Caminada Junior
• 11:45h – O uso do VNS – Dr. Lécio Figueira
• 12:15h – Convivendo com a  epilepsia – Psicóloga Nívia Colin
• 12:45h – Encerramento

Fonte: Liga Brasileira de Epilepsia


quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Um terço das pessoas com epilepsia não usa remédios regularmente

Sem uma adesão correta, o risco de a doença sair do controle sobe bastante.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 50 milhões de pessoas no mundo têm epilepsia. E um time de pesquisadores alemães chama a atenção para o fato de que provavelmente boa parte dessa turma não está cuidando direito da doença. O alerta foi soado depois de eles analisarem dados de 31 317 portadores do problema. Aí, notaram que quase um terço não tomava os medicamentos na frequência que deveria. Segundo o trabalho, os remédios mais modernos apareceram com uma taxa de aceitação maior — sinal de que são mais bem tolerados. 
A epilepsia é uma doença neurológica caracterizada por eventuais descargas elétricas no cérebro que geram as crises. Elas podem acontecer a qualquer hora, provocando perda de consciência e movimentos involuntários. Esses sintomas acabam constrangendo seus portadores — o que inclusive prejudicaria a adesão ao tratamento. Vale ressaltar que, com o uso correto da medicação, uma  parcela significativa dos indivíduos pode levar uma vida normal. 
 
 Confira como se portar diante de uma crise:
 1. Em primeiríssimo lugar, mantenha a calma! As crises tendem a passar com o tempo
2. Coloque a pessoa deitada de lado e com a cabeça elevada
3. Remova da área objetos perigosos com os quais a pessoa possa se ferir
4. Não introduza nada em sua boca e não prenda sua língua com colher ou outro objeto. Isso pode asfixiá-la — e você ainda corre o risco de tomar uma mordida
5. Não dê nada para a pessoa beber ou comer
6. Aguarde a respiração do paciente se normalizar e ele querer se levantar e o ampare nesse momento
7. Chame uma ambulância se a crise durar muito tempo, for seguida por outras ou caso a pessoa não recupere a consciência


Fonte: Revista Saúde
 

 
 

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Adolescente que sofre de epilepsia tem direito a acompanhamento escolar individualizado

O Colégio Estadual Lyceu de Goyas terá de contratar um professor de apoio para acompanhar, individualmente, um estudante que sofre de epilepsia e que, por causa disso, teve o aprendizado escolar prejudicado. A decisão é da 4ª Câmara Cível, nos termos do voto do relator, o juiz substituto em segundo grau Sérgio Mendonça de Araújo, que ponderou a necessidade de a escola, situada na cidade de Goiás, “integrar e não separar ou discriminar seus alunos”.
Consta dos autos que o jovem, de 16 anos, começou a ter crises epiléticas constantes a partir dos 5 anos de idade. Para tratamento, foi submetido a cirurgia para retirada do lobo frontal esquerdo, que representou perda de 25% da massa cerebral. Hoje, ele ainda sofre com, em média, três crises diárias e, em decorrência do quadro, apresenta dificuldades motoras e de fala. Em 2014, o estudante teve acompanhamento escolar com um pedagogo, mas a assistência fora suspensa no ano seguinte, o que resultou dificuldade para acompanhar o conteúdo didático.
Segundo o magistrado relator, a educação é um direito constitucionalmente assegurado, conforme artigos 6º e 205 da Carta Magna. “O dever do Estado para com a educação da criança e do adolescente é também efetivado mediante a garantia de atendimento especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino.”
Nesse aspecto, Sérgio Mendonça de Araújo destacou, também, que o Estatuto da Pessoa com Deficiência (EPD) prevê a inclusão social e cidadania para todos, a fim de promover o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais. “Incumbe ao poder público assegurar o projeto pedagógico que institucionalize o atendimento educacional especializado, assim como os demais serviços e adaptações razoáveis, para atender às características aos estudantes com deficiência e garantir o seu pleno acesso ao currículo em condições de igualdade, promovendo a conquista e o exercício de suas autonomias”.
Dessa forma, o colegiado confirmou o mandado de segurança, deferido em primeiro grau pela juíza Alessandra Gontijo do Amaral, titular da 1ª Vara Cível da comarca de Goiás. Para endossar a necessidade do acompanhamento pedagógico, Sérgio Mendonça de Araújo ponderou os boletins escolares “com notável melhora” durante período no qual o estudante teve acompanhamento e, ainda, relatórios técnicos de uma psicóloga e uma neurologista que atestam a necessidade de atenção especial ao aluno.

Fonte: Âmbito Jurídico

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Diagnóstico da epilepsia: atenção ao coração

Há muito a epilepsia é caracterizada como um distúrbio do cérebro, mas pesquisadores da Case Western Reserve University descobriram que parte das funções do sistema nervoso autônomo atua de forma diferente na epilepsia, durante a ausência de convulsões. Esta descoberta da divisão involuntária do sistema nervoso pode ter implicações para o diagnóstico e o tratamento da doença, além de possibilitar uma melhor compreensão dos casos de morte súbita por epilepsia (SUDEP). A pesquisa foi publicada no Journal of Neurophysiology.
Todos os resultados do estudo registram a variabilidade da frequência cardíaca na epilepsia e do aumento da atividade do sistema nervoso parassimpático durante o sono. Mas os cientistas ainda não sabem se as anormalidades compensam a epilepsia, coincidem com a doença ou fazem parte de sua etiologia.
Especificamente, o sistema nervoso parassimpático modula a respiração e diminui a frequência cardíaca das crianças com epilepsia substancialmente durante o sono, mais do que em crianças saudáveis.
Os pesquisadores também descobriram que várias crianças que tinham sido diagnosticadas como neurologicamente normais – mas tiveram uma modulação forte semelhante e frequências cardíacas baixas – foram posteriormente diagnosticadas com epilepsia. A descoberta sugere que as alterações no sistema nervoso parassimpático precedem o aparecimento da epilepsia em crianças.

A pesquisa

Para chegar a essas conclusões, o grupo de pesquisadores acompanhou os eletrocardiogramas de 91 crianças e adolescentes com epilepsia  diagnosticada e o de 25 crianças neurologicamente normais, durante 30 minutos na fase 2, ou de sono leve. Nenhum indivíduo  teve uma convulsão durante esses intervalos.
Os pesquisadores descobriram que a arritmia sinusal respiratória (ASR) foi mais pronunciada em pacientes com epilepsia e que a sua frequência cardíaca também foi significativamente menor.
Os pesquisadores não encontraram nenhuma diferença na pressão arterial entre os dois grupos de crianças, indicando que o sistema nervoso simpático, que é responsável por respostas de luta-ou-fuga, não está envolvido.
Todas as crianças no estudo fizeram eletroencefalogramas para monitorar sua atividade cerebral durante um período de sono de 30 minutos. Não houve atividade anormal encontrada lá.

Ramificações

As diferenças na arritmia sinusal respiratória, entre crianças com epilepsia e sem a doença, podem ser capazes de identificar os limiares, ou biomarcadores, para diagnosticar aqueles com epilepsia ou em risco de desenvolver a doença.
“Os pesquisadores dizem que as descobertas também levantam a possibilidade de que os medicamentos que ajudam a controlar o sistema nervoso autônomo possam ajudar a  controlar a epilepsia. O estudo pode ser um fator contribuinte fundamental. A frequência cardíaca e o declínio drástico da respiração após uma convulsão são sintomas importantes. Se eles já são baixos, ou se baixaram ainda mais, podem deixar uma criança sem respiração ou sem pulso”, afirma o  neurologista, Willian Rezende do Carmo.

Fonte: Dr. William Rezende do Carmo

 





quinta-feira, 28 de julho de 2016

Jornalista relata como convive com a epilepsia

Giliane Perin é formada pela Universidade Federal de Rondônia em Vilhena, e junto com seu pai comanda o jornal Tribuna Popular em Cacoal. Em um texto cheio de detalhes a jornalista conta como está aprendendo a conviver bem com a epilepsia. O relato pode tirar muitas dúvidas sobre o assunto e ajudar aqueles que também enfrentam a doença.

Conviver tem sido fácil, mas falar sobre sempre é difícil. Difícil principalmente pelo medo que tenho da reação das pessoas. Eu já me acostumei com a ideia, mas muitos ainda não entendem e até mesmo tem um certo preconceito, por mais que acreditem que não.
 A epilepsia é considerada uma síndrome neurológica, mas poderia muito bem ser encarada como uma doença como qualquer outra: tem suas causas (por mais que às vezes seja difícil identificá-las), tem seus sintomas e tem tratamento.
Ser epiléptica nunca me tornou pior do que ninguém, jamais! Tenho uma vida social ativa, trabalho e vivo muito bem. Claro que tenho preocupações! Até hoje tive apenas uma crise forte durante o dia (enquanto estava acordada) no restante, todas foram durante o sono (enquanto dormia). Mas conviver com a possibilidade de cair e me debater em frente às outras pessoas, confesso que não me agrada!
A crise epiléptica não se resume apenas às crises tônico-clônicas. O tipo de crise em que a pessoa fica inconsciente e tem contrações musculares involuntárias, bruscas e muito fortes. Nessas situações, é comum a respiração ofegante, dificuldade em engolir a saliva, mordedura da língua e algumas tantas outras situações. Dessas, eu já tive algumas e confesso mais uma vez: não são nada agradáveis.
Como disse, apesar da maioria dessas crises ter acontecido enquanto eu dormia, a sensação que me sobra quando a crise passa e eu volto “à realidade” são um tanto cruéis. Me sinto totalmente desorientada, sem saber e entender o que houve, uma dor insuportável toma conta da minha cabeça, muitas vezes a boca fica machucada (por morder a língua ou as bochechas), meu paladar é afetado (os gostos mudam por um ou dois dias) e muitos outros sintomas e sensações desagradáveis surgem.
Mas percebi, que com o passar do tempo, a gente mesmo se acostuma com a epilepsia. Na última crise que tive, acordei, entendi o que havia acontecido e tive (sabe-se lá o porquê) a consciência de não incomodar a minha mãe e deixá-la ir trabalhar. Foram tantas as vezes que ela parou tudo o que precisava fazer para ficar comigo, que na última, “consciente”, não quis incomodá-la!
Fiquei quietinha no meu quarto e depois de um tempo apenas pedi para que meu pai e irmã avisassem no trabalho que não poderia ir naquele dia. A partir do momento em que avisei, os dois passaram a me espiar de vez em quando e quando minha mãe chegou veio a bronca: “Nunca mais deixe de me falar”! Sabem como é uma mãe né? Mas enfatizo aqui o alerta da Dona Leane, não deixem de comunicar alguém próximo do que houve com você. No caso eu só avisei meu pai e minha irmã, pois estava “consciente” de que precisaria comunicar minha ausência no trabalho. Senão seria bem capaz de eu ter ficado sozinha, trancada no meu quarto e isso, como minha mãe bem disse, não pode!
Mas voltando a falar das crises, realmente engana-se quem pensa que a epilepsia trata-se apenas daquelas convulsões fortes, que realmente podem assustar qualquer um. Só que tudo vai muito mais além!
Como explica a Associação Brasileira de Neurologia em seu portal na internet, as crises podem ser de diversos tipos, conforme o comprometimento do hemisfério afetado. Um deles é a crise de ausência, quando o indivíduo fica estático e ausente, retornando em seguida, onde tinha parado. Devido a sua curta duração, dificilmente é percebida por familiares. Acho que já me ausentei algumas vezes…
As crises parciais podem ser simples ou complexas. Nos casos simples, o estado de consciência permanece inalterado. Nas crises parciais complexas o estado de consciência fica alterado, ou seja, a pessoa não consegue interagir com outras e não se lembra do que acontece no período da crise. Estas crises são provocadas por alterações localizadas em qualquer parte do cérebro, e portanto, causar os mais variados tipos de sintomas. Por exemplo, durante uma crise parcial simples a pessoa pode apresentar sensações de formigamento, contrações em um braço ou perna, e outros sintomas. Outros sinais são mal-estar, desconforto gástrico, medo sem motivo aparente e sensação estranha de familiaridade (dejà vu). Nas crises parciais complexas, a pessoa pode ficar confusa, fazer gestos mecânicos de mastigação e continuar exercendo a tarefa que estava realizando de modo automático.
Há, também, as crises tônicas, clônica, mioclônica – marcada por abalos musculares que se manifestam, predominantemente, no período matutino – além de outras, que somam mais de trinta no total.
Nas inúmeras leituras que fiz até aqui sobre epilepsia, descobri que me encaixo em uma quantidade bastante considerável de sintomas, dos citados acima, por exemplo, já experimentei praticamente todos.
Mas não pense você que isso me impede de ser ou fazer o que eu quiser. Faço de tudo, apenas quando necessário é que tenho uma certa atenção redobrada. Mas confesso também: já não me sinto a mesma menina animada de alguns poucos anos atrás. Às vezes me falta ânimo, motivação. Mas ainda não sei se posso por essa culpa na epilepsia ou na velhice que a cada ano aumenta. Vai ver é só a idade…
Pois bem, até aqui muitos podem se perguntar por que estou escrevendo tudo isso… Pois digo: por preconceito! Já senti muita vergonha por ter epilepsia e como falei, muitos são preconceituosos em relação a essa doença. Não que eu tenha sentido na pele isso, até porque os poucos que até então sabem deste probleminha são pessoas próximas. Mas é que de tanto ler sobre o assunto, vejo que o maior problema enfrentado por pessoas epilépticas é o preconceito. Preconceito não apenas dos outros em relação a nós, mas preconceitos que surgem em nós mesmos. Preconceito que eu mesma tive e ainda estou tentando superar, por exemplo em relação ao novo medicamento que o meu neurologista me receitou!
Até aqui eu fazia uso de apenas um medicamento, mas o Depakote, a partir de um certo momento, passou a não ser mais tão eficaz para controlar minhas crises. Então ele me receitou o medicamento, que não só ele como tantos neurologistas, reconhecem como um dos mais eficazes. Medicamento que muitas vezes deixa de ser receitado pelo preconceito que os próprios pacientes tem em relação à ele: o Gardenal!
Sim, eu comecei a fazer uso deste remédio e superado o susto e preconceito inicial, deposito nele toda a minha esperança… Afinal, se os remédios começam a não dar conta de controlar a epilepsia, hoje em dia com a medicina avançada, a cirurgia já se torna uma boa opção… Só que confesso que ao ouvir isso do médico, o reboliço em meu estômago foi bem maior! Então voltamos às minhas esperanças: Como informa a sua própria bula, “o Gardenal é indicado para prevenir o aparecimento de convulsões em indivíduos com epilepsia, assim como, para prevenir crises convulsivas de outras origens”, então por que o preconceito?
Quando meu neurologista me indicou o Gardenal, eu me apavorei e me chatiei sim. Senti forte na pele e no coração o preconceito que eu mesma tinha ao remédio indicado para garantir o meu próprio bem. Como muitos, e não se faça de espertinho, eu relacionava o Gardenal ao tratamento de “loucos”. Por isso questionei o médico em relação à péssima fama deste remédio e ele me explicou que o Gardenal foi muito usado, décadas atrás, em doses excessivas para “conter” e “acalmar” pacientes internados em hospícios, por ter também um efeito sedativo. Acontece que davam para estas pessoas doses até 10 vezes maiores do que o aconselhável para este medicamento, o que simplesmente acabava por “dopar” os pacientes. E como naquela época os tratamentos não eram como são hoje em dia, era muito mais simples “sedar” os pacientes e mantê-los “calmos”, sem incomodar mais ninguém. Então se era louco: tacá-lhe o Gardenal para acalmar.
E foi num papo muito bacana com o médico que vi que o que eu sentia pelo Gardenal era realmente puro preconceito. Preconceito mesmo, daqueles bem toscos! Claro que ainda não superei completamente a ideia de estar tomando Gardenal, porque por mais que eu entenda a sua indicação, sei que a maioria absoluta a desconhece e já fico aguardando um momento em que um amigo, na inocência, chegue até mim e sem imaginar solte aquela brincadeirinha famosa e corriqueira: “Vai lá tomar seu Gardenal”. Aí eu vou simplesmente informar: “É só a noite que eu tomo o meu (meio comprido diário de) Gardenal”.
Então está aí, obrigada a quem leu meu relato até aqui. Minha intenção foi perder literalmente o meu próprio preconceito ao Gardenal e encarar de frente a epilepsia! Espero que essa minha “coragem” em relatar o que eu enfrento, motive outras pessoas que tenham epilepsia ou qualquer outra doença da qual possam se envergonhar. A vergonha está dentro de nós, eu resolvi encarar de frente e dar um “passa fora”!

Fonte: Correio de Notícias