quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Uespi dará início a pesquisas pioneiras de produção e uso medicinal de canabidiol

Um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual do Piauí está em vias de iniciar os trabalhos de pesquisa dos primeiros projetos aprovados pelo governo estadual para o canabidiol, substância obtida do óleo da Cannabis sativa. O Piauí é o primeiro estado do país a autorizar a viabilização do projeto.
O grupo de pesquisadores responsáveis já estuda a substância há algum tempo, mas com a recente autorização do governador Wellington Dias para a produção do óleo no estado, foram criados projetos a serem executados pela Uespi e também pela UFPI (Universidade Federal do Piauí). As universidades fabricarão o medicamento em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi), Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi) e o Centro Integrado de Reabilitação (Ceir).
Para um dos pesquisadores envolvidos no projeto, professor Fabrício Amaral, essa autorização pioneira dá uma contribuição para o estado nas áreas social, econômica e técnico-científica. “Estamos falando de grupos de pacientes que têm poucos recursos terapêuticos, de uma demanda reprimida de pais desesperados que veem um filho com 30, 40 crises convulsivas por dia”, explica.
De acordo com Amaral, a iniciativa abre portas para que o estado, inclusive, fabrique o produto para outras federações. “À medida em que você promove o desenvolvimento de novos fármacos, está criando um parque tecnológico que vai facilitar não só a comercialização do canabidiol como o desenvolvimento de futuros produtos”, acrescenta.

Histórico
 
O diálogo para que essa autorização pudesse ser realizada teve início com o I Simpósio Sobre o Uso Medicinal dos Canabinóides, ocorrido em março de 2017, e do qual a Uespi foi parceira na realização. “O simpósio esclareceu à sociedade porque ainda existe toda aquela cultura quando se fala da maconha. Aqui não se trata de projetos da liberação do uso da maconha para uso recreativo, mas do uso de uma substância isolada da planta, a partir da qual é feito o tratamento”, relembra uma das pesquisadoras, professora Rosemarie Brandim Marques.
A partir do evento, foram realizadas reuniões entre as instituições que trabalham com a temática, como a Uespi, UFPI e Ceir, e cada uma ficou responsável por montar projetos distintos. “Isso foi definido desde a programação que nós fizemos, que ocorreu lá no simpósio, e está bem definido em quê cada instituição vai contribuir para esse projeto. A Uespi vai fazer o teste de segurança genética e genotóxica, tanto antes de começar a distribuição com testes em animais para saber se há alteração a nível de DNA e também com o acompanhamento genético de pacientes do Ceir”, explica o professor Antônio Luiz Maia.
O Ceir ficará responsável pelo atendimento à população que necessita fazer uso dos medicamentos e também por fazer uma triagem e escolha de quais pacientes vão receber esse canabidiol produzido aqui, além do acompanhamento clínico. Já, a UFPI montou um projeto para cultivar a cannabis e extrair o óleo, o que levará um tempo para se concretizar, segundo os pesquisadores, visto que há que se fazer a seleção de mudas, do tipo, do rendimento. Logo, o início do projeto da Uespi se dará com o canabidiol importado e espera-se que, de seis meses a um ano, já exista a produção do óleo no estado.
Os projetos das três instituições estão no momento aguardando a liberação das verbas, que totalizam um montante de R$ 1 milhão. Além disso, também aguardam as autorizações da Anvisa e da Polícia Federal. “Estamos passando por todas essas etapas de forma bem sucedida, e agora nossa próxima etapa é, a partir do recurso liberado, cada instituição fazer sua parte, seus projetos. Dependemos do orçamento do governo”, esclarece Rosemarie. Ainda em 2018, o estado contará com uma câmara setorial de biotecnologia para apoiar a produção.

Epilepsia
 
Os três projetos terão um foco primordial no tratamento da epilepsia refratária, doença para a qual os medicamentos atuais têm seus efeitos diminuídos com o passar do tempo. A Anvisa já liberou tratamento também para a espasticidade, efeito que a esclerose múltipla traz ao paciente, onde ele perde a motilidade. De acordo com os pesquisadores da Uespi, existem outras doenças que estão sendo pesquisadas, mas a que está no momento sendo bastante utilizada é a epilepsia refratária.
O canabidiol é uma substância que não causa dependência, de acordo com Fabrício Amaral. O professor explica que na epilepsia a substância gera uma diminuição das atividades dos neurônios, e essa diminuição contribui para uma diminuição da excitação cerebral, comum em epiléticos. “O mecanismo em si ainda está sendo estudado, mas já é muito mais efetivo que os medicamentos que já existem no mercado. Além disso, ele é excelente analgésico, gera diminuição de dor em algumas situações, como na esclerose, e isso melhora a qualidade de vida do paciente”, diz.
Os pesquisadores também relataram que é importante o envolvimento da Uespi na pesquisa. “A Uespi hoje disponibiliza tanto recursos humanos, de propriedade intelectual, como de estrutura física para estar realizando esses experimentos dentro da própria instituição. Nossos professores são capacitados dentro da parte da pesquisa genotóxica”, comenta Maia, e acrescenta Rosemarie: “Hoje em dia você não consegue mais colocar no mercado um medicamento sem esses testes, a própria Anvisa exige isso”.
 
Autoria: Jonatas Freitas

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Síndrome de West: conheça este problema que pode causar atraso no desenvolvimento do bebê

Especialista recomenda que pais gravem vídeo e levem à consulta, a fim de evitar que o diagnóstico seja confundido com questões comuns
Desde o nascimento, e muito antes de aprender a falar, o ser humano já é capaz de se expressar e de interagir com os demais, sejam adultos ou outros bebês, por meio de olhares, gestos, posturas, vocalizações e outros recursos próprios da idade. O importante é se atentar a essas reações emitidas, pois elas podem ser sinais escondidos de problemas dos pequenos.
A síndrome de West é composta pela conjunção de três fatores, que são as crises do tipo espasmos infantil; atraso no desenvolvimento neuropsicomotor; e um eletroencefalograma com padrão muito desorganizado (hipsarritmia).
A doença é descrita como um tipo raro de epilepsia, que provoca atraso no desenvolvimento da criança. De um modo geral, se manifesta antes do primeiro ano de vida por meio de pequenas convulsões que podem ser de flexão ou de extensão. O diagnóstico pode ser demorado, pois os espasmos em flexão ou extensão podem passar desapercebidos e ter intensidade variada de acordo com cada criança.
No inicio, podem ser tão leves que não são notados ou confundidos com cólicas, tremores ou refluxo gastresofágicos, bem como com outros acontecimentos muito prevalentes nos bebês. São como se, de repente, a criança apresentasse sustos sucessivos.
Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) indicam que a prevalência é de cerca de um em cada quatro mil ou seis mil nascimentos. Segundo a estatística, os meninos são mais afetados que as meninas, com a proporção de dois para cada bebê do sexo feminino. Geralmente se inicia nos primeiros meses de vida e desaparece após o segundo ano, com pico maior de ocorrência entre o terceiro e nono mês de vida.
O Dr. Paulo Breinis, neuropediatra do Hospital da Criança, no Jabaquara, e do Hospital e Maternidade São Luiz Anália Franco, ambos da Rede D'Or São Luiz, explica que um dos grandes macetes é pedir às mães para filmarem o evento e levarem o vídeo para a consulta no próprio celular. “Ao ver o vídeo, o especialista consegue identificar de forma precisa o problema, não confundindo com um acontecimento banal, e sim caracterizando como uma síndrome epilética”.
Quando o diagnóstico é demorado, o paciente vai perdendo as aquisições antes conquistadas, pois a síndrome de West provoca deterioração psicomotora. Sendo assim, quanto mais rápida a descoberta, maior a chance de um tratamento eficaz, pois fará com que o paciente se livre das crises convulsivas, retornando ao seu estado normal, se desenvolvendo no ritmo habitual.
O tratamento é feito por meio de medicamentos prescritos pelo neurologista, além de reabilitação multidisciplinar – que é composta por fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia.

Fonte: SEGS

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Especialistas, pais e usuários de cannabis exigem regulamentação

 Mesmo sabendo das dificuldades financeiras para continuar o tratamento da filha Clarian, a bancária Maria Aparecida Felício de Carvalho não pensou duas vezes. Usou o dinheiro das férias para comprar um pequeno frasco de óleo de canabidiol. Logo após o início do tratamento, a filha passou a ter rápida melhora, chegando à redução de 80% nas crises respiratórias e no número de crises da epilepsia severa devido à Síndrome de Dravet. E quando acontece, a crise é mais branda e rápida. As convulsões, diversas em um mesmo dia, passaram a ocorrer uma vez por mês. Clarian não teve mais apneia do sono e atualmente está sendo alfabetizada.

Para manter o controle dos sintomas da doença da menina, Cidinha, como é mais conhecida, e seu marido, passaram a cultivar plantas de maconha em casa, para extrair o óleo e tratar a filha. Só há um ano conseguiu na Justiça um habeas corpus que garante o cultivo para fins medicinais. “Nosso medo era de a Justiça determinar a destruição das plantas que foram para frente depois de tanta dificuldade no cultivo. E se destruíssem, de onde iríamos tirar o óleo?”, questiona Cidinha, presidente da Cultive Associação de Cannabis e Saúde, que há um ano a família obteve o habeas corpus na Justica. A Cultive é uma entidade que luta pela regulamentação da cannabis para uso medicinal.
Com histórico semelhante, Bruna Fernanda Dias Lima Moraes, presidenta da Associação Humanitária Cannabica do Brasil, é mãe de autista. O filho Mateus, que atualmente vai bem na escola, onde tem muitos amigos, e se tornou carinhoso com os irmãos e as pessoas, não lembra a criança que só aos 5 anos começou a balbuciar palavras difíceis de entender. Tampouco que vivia em meio a tamanha agressividade, urrando, batendo a cabeça na parede ou quebrando porta, móveis e utensílios em casa. “Sem contar que ele viveu diversas crises asmáticas, com insuficiência respiratória, que quase o matou”, conta Bruna. “A cannabis tem de ser a única opção para tratar o autismo. Essa é a nossa luta e não vou desistir.”
Cidinha e Bruna participaram na tarde de dia (11/12), na Câmara dos Vereadores de São Paulo, de um fórum que apresentou o sucesso em tratamento de diversas doenças com o uso medicinal da maconha. O objetivo do evento, promovido pelo mandato da vereadora Soninha Francine (PPS), foi discutir a necessidade de regulamentação do cultivo da cannabis e da produção de extratos da planta, bem como de uma política de redução de danos para ser incorporada à legislação brasileira.
Apesar de a ciência comprovar que determinados compostos da planta são eficazes no tratamento de diversas doenças, pacientes e usuários ainda são tratados como criminosos no Brasil e têm de recorrer à Justiça para obter licença para cultivar a planta, o que torna a obtenção do extrato mais em conta do que a importação. 
Os bons resultados do uso do óleo da maconha para tratar sintomas e consequências de doenças cardiovasculares, desordens mentais, neurológicas – entre elas o autismo – e inflamatórias, além de doenças metabólicas e câncer foram abordados pela médica neuro-oncológica Paula Dall'Stella, o neurocirurgião Pedro Antonio Piero Neto, a psiquiatra Eliane Guerra Nunes e a farmacêutica Renata Monteiro Dantas Ferreira.
Um dos principais nomes em todo o mundo na pesquisa com a cannabis, o professor emérito da Escola Paulista de Medicina, Elisaldo Carlini, defendeu a regulamentação do plantio e produção do óleo no país. "O ministério da Saúde holandês comprou uma fazenda e cultiva a planta com rigor científico e segurança, para distribuir às farmácias. E no Brasil o avanço é a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) retirar o canabidiol do rol de substâncias proibidas e o reclassificar como substância de uso controlado, regulamentando a importação do óleo. Não por acaso está para ser vendido no país o Sativex", apontou Carlini.
O custo do medicamento,  estimado entre R$ 1.500 e R$ 3.000 o vidrinho, esteve no centro da crítica dos especialistas. "Não deve mesmo ter sido por acaso que a Anvisa mudou a classificação do canabidiol, em 2015", disse a farmacêutica Renata Monteiro Dantas Ferreira.
A psiquiatra Eliane Guerra Nunes defendeu a planta como prioritária no tratamento do autismo, bem como seu uso em relação à epilepsia. "Estudos mostram que outras substâncias presentes na planta, e não apenas o canabidiol, são benéficas no tratamento", disse. Para ela, a cannabis deve ser defendida também pelo avanço do canabidiol sintético, que deverá chegar ao Brasil em breve.

Fonte: Brasil 247

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Canabidiol: médico desmente efeitos negativos da substância

Embora ainda exista um estigma em relação a seu uso, mesmo entre os profissionais da área de saúde, o canabidiol vem conquistando seu espaço como alternativa no tratamento de uma série de doenças. Um dos pioneiros dessa prática é o neuropediatra mexicano Saúl Garza Morales.
 Ele explica que a maioria dos profissionais de saúde que ainda parece ser refratária a essa utilização mostra desconhecimento sobre os derivados da planta e, especialmente, em relação aos compostos que realmente têm efeitos psicotrópicos.

 Você é pioneiro no uso do canabidiol no México. Por que defende o uso desse medicamento derivado da Cannabis sativa, popularmente conhecida como maconha?

 Morales: A experiência popular com o fumo da maconha e com diversos tipos de infusões é milenar, em especial no uso para tratamento de dor e de convulsões. Além disso, o conhecimento recente sobre a neuroquímica cerebral e os efeitos de derivados da planta nos receptores do sistema nervoso central nos permite antecipar potenciais usos benéficos do canabidiol em doenças específicas, não apenas neurológicas, mas também imunológicas, inflamatórias e neoplásticas.

 Quais são os mitos e verdades que envolvem esse medicamento, uma vez que seu uso está cercado de polêmicas e, inclusive, proibições?

 Morales: Um mito muito generalizado é o de que todos os derivados de maconha são drogas potencialmente viciantes e que causam danos à saúde, o que está longe da verdade, já que existem mais de 400 derivados químicos extraídos da planta, e cada um deles tem suas próprias características químicas. Pelo menos quatro desses compostos (entre eles o canabidiol) não têm efeito psicotrópico nem apresentam potencial de dependência, portanto são vendidos sob a categoria de “suplementos alimentares” sem restrição alguma no México, nos Estados Unidos e em muitos países das Américas.

 Se é evidente que o uso do canabidiol não causa efeitos psicotrópicos, por que há tanta resistência, inclusive dentro do universo dos profissionais de saúde?

 Morales: Grande parte da resistência dos profissionais de saúde a respeito do uso do canabidiol está relacionada ao desconhecimento sobre os derivados da planta e, em especial, sobre os compostos que realmente têm efeitos psicotrópicos. Na minha prática clínica e em conferências com profissionais de várias partes da América Latina, confundem-se os derivados altamente purificados da planta (como o canabidiol) com óleos extraídos da forma artesanal diretamente de plantas comumente usadas para uso recreativo, o que explica que haja muitas dúvidas sobre seus potenciais efeitos medicinais. Só quando explicamos como funciona o processo de extração de óleos de plantas geneticamente projetadas para produzir esses compostos, bem como a complexidade de sua elaboração e purificação, é que os profissionais compreendem os potenciais benefícios de substâncias como o canabidiol.

 Quais os benefícios práticos de sua utilização?

 Morales: Atualmente, existe um consenso internacional no reconhecimento dos benefícios do canabidiol no controle de convulsões epilépticas em crianças que sofrem de doenças que não responderam a tratamentos convencionais, como é o caso da síndrome de Lennox-Gastaut e da síndrome de Dravet. Reconhece-se também a eficácia do uso contínuo de compostos com diversas combinações de canabidiol (CBD) e tetrahidrocanabinol (THC) para o tratamento de dor crônica, em pacientes com esclerose múltipla e neuropatia diabética, por exemplo. No entanto, muitas novas linhas de pesquisa se abrem todos os dias, como o potencial benefício sobre doenças que afetam a memória (Alzheimer e outras demências), distúrbios do movimento (mal de Parkinson e síndrome de Tourette). Em nosso grupo de estudo, estamos testando os benefícios que podemos obter em crianças com transtorno do espectro autista.


Fonte: Psique



quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Turma considera discriminatória dispensa de empregado com epilepsia


A 4ª Turma do TRT-MG, em voto de relatoria da desembargadora Maria Lúcia Cardoso de Magalhães, manteve a sentença que considerou discriminatória a dispensa de um empregado diagnosticado com epilepsia, determinando que ele seja reintegrado ao emprego. A Turma também confirmou a condenação da empresa de pagar ao trabalhador indenização por danos morais de R$5.000,00.
O empregado trabalhava para o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC-MG), na área de manutenção, tendo sido diagnosticado com epilepsia, o que o incapacitou para o trabalho durante determinado período. Pouco tempo depois do seu retorno, a empresa o dispensou sem justa causa. Nesse cenário, conforme frisou a relatora, cabia à empresa comprovar que a dispensa não foi discriminatória, o que não cuidou de fazer, situação que leva à nulidade da dispensa sem justa causa, com o direito do trabalhador à reintegração no emprego. É que se aplica ao caso o entendimento da Súmula 443 do TST, que presume como discriminatória a dispensa de empregado portador do vírus HIV ou de outra doença grave que suscite estigma ou preconceito.
“A epilepsia é uma enfermidade incurável e, embora tenha tratamento, é inequívoco que gera estigma ou preconceito, havendo até mesmo uma crença popular de que seja contagiosa”, registrou a relatora. E, como a empresa não comprovou a afirmativa de que o empregado que substituiu o reclamante era mais produtivo, nem mesmo produzindo prova testemunhal a respeito, prevaleceu, no caso, a presunção de que a dispensa, realizada quatro meses depois de seu retorno ao trabalho, tenha sido mesmo discriminatória.
Contribuiu para o entendimento da relatora o fato de o preposto, em depoimento, ter demonstrado desconhecimento dos fatos discutidos, o que, segundo a relatora, apenas reforça a tese do reclamante sobre a dispensa discriminatória.
Além disso, conforme registrou a desembargadora, a afirmação da empresa de que tinha ciência da doença do empregado desde a admissão, mesmo que fosse verdadeira, em nada alteraria o resultado do julgamento. É que o TST tem entendido que não há base legal para se exigir, como requisitos para a comprovação da dispensa discriminatória, a imediatidade da despedida, a redução da capacidade de trabalho, o afastamento para tratamento de saúde, a concessão de auxílio-doença ou, ainda, o nexo causal entre a enfermidade e o trabalho realizado, explicou a julgadora, citando acórdão do TST nesse sentido (TST-E-ED-RR-65800-46.2009.5.02.0044, SBDI-I, rel. Min. Walmir Oliveira da Costa, 9.3.2017).
No tocante à indenização por dano moral, a relatora destacou que, ao dispensar o autor de forma discriminatória, a empregadora violou a esfera moral do trabalhador, circunstância que autoriza a condenação por danos morais, mantendo o valor fixado de R$ 5.000,00 fixado na sentença, “porque capaz de satisfazer às finalidades da indenização na sentença”, completou.
Por essas razões, a Turma rejeitou o recurso da empresa para manter a nulidade da dispensa e a indenização por danos morais concedida ao trabalhador. Apenas houve o provimento parcial do recurso para autorizar a compensação de valores já pagos ao empregado na rescisão contratual, com o fim de evitar o enriquecimento sem causa do reclamante.


Fonte: Âmbito Jurídico