quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Belarus desenvolve novo remédio nacional contra a epilepsia


 Cientistas de Belarus desenvolveram o medicamento Gabapentina-NAN, destinado ao tratamento da epilepsia e de outras doenças do sistema nervoso. De acordo com a BelTA, parceira da TV BRICS, o fármaco já foi lançado no mercado nacional e pode substituir medicamentos equivalentes atualmente importados.

A inovação recebeu amplo reconhecimento em nível estatal. A Academia Nacional de Ciências de Belarus incluiu o medicamento entre os dez principais resultados científicos do país em 2025, na área de pesquisas básicas e aplicadas, ressaltando sua importância para a ciência e para a saúde pública.

O desenvolvimento do remédio levou mais de quatro anos de pesquisas e testes. Segundo os especialistas, o novo produto apresenta eficácia equivalente à dos medicamentos estrangeiros, mas com um custo cerca de 50% menor, o que amplia o acesso dos pacientes ao tratamento.

Os pesquisadores destacam que a seleção adequada dos componentes, incluindo o princípio ativo e os excipientes, foi um dos maiores desafios do projeto. Embora se apresente como uma cápsula simples, o medicamento exigiu estudos aprofundados e testes rigorosos para assegurar sua qualidade, segurança e eficácia.



Fonte: Tv Brics


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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Maioria das crianças com microcefalia por zika tem epilepsia, diz estudo


 A maioria das crianças com microcefalia associada ao vírus zika no Brasil apresenta um conjunto de sequelas neurológicas e sensoriais que impactam o desenvolvimento e aumentam o risco de morte. Um estudo da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), publicado na revista Plos Global Public Health, mostrou que mais da metade dos pacientes apresentou epilepsia e déficit de atenção social e até 67% tiveram alterações oftalmológicas. Além disso, cerca de 80% apresentavam calcificações cerebrais em exames de imagem.

Segundo os pesquisadores, trata-se do maior estudo do mundo sobre os principais efeitos do zika vírus na infância, já que outras pesquisas se baseiam em séries de casos com poucos participantes. A Fiocruz analisou de forma detalhada a saúde e a evolução clínica de 843 crianças com a Síndrome Congênita do Zika (SCZ).

O estudo acompanhou 843 crianças nascidas entre 2015 e 2018, período que concentrou a epidemia de zika no Brasil. As informações foram coletadas presencialmente em consultas com mães e crianças em 12 centros de pesquisa do Consórcio Brasileiro de Coortes de Zika nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste do país.

O zika vírus foi identificado pela primeira vez no Brasil em 28 de abril de 2015, e, nos meses seguintes, levou ao nascimento de milhares de bebês com microcefalia. A doença é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, vetor também da dengue e da chikungunya.

No estudo, os pesquisadores identificaram a microcefalia ao nascer em 71,3% das crianças (601 de 843). O estudo também mostrou que 20,4% das crianças desenvolveram o quadro apenas durante o acompanhamento pós-natal, não apresentando a condição ao nascer. Destas, cerca de 63% apresentavam microcefalia grave e 36%, moderada.

Ao todo, 394 crianças apresentaram microcefalia desproporcional, quando o corpo tem tamanho esperado, mas a cabeça é menor —padrão associado a danos cerebrais mais graves. Segundo a pesquisadora Maria Elizabeth Moreira, da Fiocruz, embora existam casos proporcionais, a maioria é desproporcional.

Os transtornos neurológicos foram frequentes e graves. A epilepsia, que causa convulsões graves, afetou entre 30% e 80% das crianças, com média de 58,3%. Déficits de atenção social, como ausência de sorriso social ou de fixação do olhar, foram relatados em pelo menos metade dos casos. Dificuldades de deglutição foram observadas em cerca de 46,9% das crianças.

Exames de imagem, como ultrassom, tomografia e ressonância magnética, revelaram danos estruturais severos em quase todos os participantes. Entre as alterações mais frequentes estão as calcificações cerebrais, depósitos anormais de cálcio no tecido do cérebro, que podem causar convulsões (crises com movimentos involuntários e, em alguns casos, perda de consciência), hipertonia (rigidez muscular aumentada) e espasticidade (contrações musculares persistentes que dificultam os movimentos).

Para o médico infectologista Kleber Luz, professor da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) e coordenador do comitê de arbovírus da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), o estudo tem papel fundamental ao consolidar evidências que, embora já observadas na prática médica, ainda encontravam resistência em parte da comunidade científica.

Segundo ele, a síndrome congênita associada ao zika representou um quadro totalmente novo e, durante a epidemia, chegou a ser atribuída a outros fatores, como vacinas, pobreza ou condições ambientais, especialmente por ter atingido de forma mais intensa o Nordeste do país.

"É um estudo robusto, com muitas crianças e uma caracterização detalhada que solidifica os achados que médicos e pesquisadores já vinham observando desde a epidemia", afirma Luz.

A microcefalia associada ao zika tem características próprias e pode variar conforme o momento da gestação em que a mãe foi infectada, explica Moreira. Quando a infecção ocorre no primeiro trimestre, o cérebro do feto deixa de se formar adequadamente. Nos casos mais frequentes, em que a infecção acontece no segundo ou terceiro trimestre, o cérebro estava em crescimento e sofre destruição das células cerebrais, em um processo chamado apoptose.

"A gravidade varia de acordo com a extensão da lesão e com a idade gestacional em que o feto foi acometido."

O estudo também identificou fatores associados à microcefalia, como prematuridade, baixo peso ao nascer e outras malformações congênitas. A prematuridade, em especial, tende a agravar o prognóstico.

De acordo com a pesquisadora, cerca de 30% das crianças com formas mais graves da síndrome morreram no primeiro ano de vida, principalmente por complicações como pneumonia por aspiração e infecções recorrentes. Aproximadamente 70% seguem em acompanhamento, mas ainda não é possível estimar a expectativa de vida, já que se trata de uma condição recente e pouco estudada.

Luz destaca que, embora estudos menores já tivessem identificado essas alterações, faltava uma análise de grande escala que confirmasse a gravidade e a permanência das sequelas. Um dos principais exemplos é a epilepsia associada à microcefalia por zika, que, segundo ele, não é um quadro comum.

É uma epilepsia grave, de difícil controle, que exige múltiplos medicamentos, doses altas e acompanhamento constante", afirma.

Outro ponto destacado pela pesquisadora da Fiocruz é a importância da estimulação precoce. Segundo ela, a estimulação sensorial, motora e cognitiva pode permitir que áreas preservadas do cérebro assumam funções das regiões lesionadas.

"Intervenções como fisioterapia, fonoaudiologia, correção precoce de déficits visuais e auditivos e controle rigoroso das convulsões são fundamentais para melhorar o prognóstico", diz Moreira.

Luz afirma que as sequelas são irreversíveis e que a expectativa de vida dessas crianças, em média, varia entre 10 e 15 anos, embora algumas possam viver mais com os avanços da medicina.



Fonte: Folha de São Paulo

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Paulo Dantas sanciona lei que garante atendimento prioritário para pessoas com epilepsia em Alagoas


 MACEIÓ (AL) — O governador de Alagoas, Paulo Dantas, sancionou a Lei nº 9.791/2025, que estabelece o atendimento prioritário para pessoas diagnosticadas com epilepsia em todo o território estadual. A medida, publicada no final de dezembro, tem a finalidade de garantir agilidade e dignidade no acesso a serviços públicos e privados para esses pacientes.

Regras da nova legislação

De acordo com o texto da lei, a prioridade se estende aos atendimentos em diversos estabelecimentos:

Atendimento conjunto: Os acompanhantes ou atendentes pessoais das pessoas com epilepsia também terão direito ao atendimento prioritário junto ao titular do benefício.

Formas de atendimento: Os estabelecimentos poderão oferecer guichês, caixas ou linhas específicas. Caso não existam postos exclusivos, a prioridade deve ser garantida imediatamente após o atendimento que estiver em curso.

Comprovação: Para usufruir do direito, o cidadão poderá apresentar um laudo médico ou uma carteirinha de identificação. A regulamentação sobre como será a expedição dessa carteira ainda será definida por ato do Poder Executivo.

Vigência

A lei foi assinada no Palácio República dos Palmares e entrou em vigor na data de sua publicação, passando a valer já para este início de 2026. A iniciativa reforça as políticas de inclusão no estado, reconhecendo as especificidades e necessidades de quem convive com a condição.



Fonte: BR104

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

A incrível limpeza cerebral reduziu as crises epilépticas e restaurou a memória


 A epilepsia do lobo temporal causa convulsões recorrentes e muitas vezes prejudica a memória e o pensamento. Novas pesquisas mostram que a condição também está ligada ao envelhecimento prematuro de algumas células cerebrais. Cientistas do Centro Médico da Universidade de Georgetown relatam que a eliminação dessas células senescentes em ratos levou a menos convulsões, melhor memória e proteção contra a epilepsia em alguns animais. As células senescentes foram removidas através de abordagens genéticas e tratamentos medicamentosos.

O estudo, financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde (NIH), foi publicado em 22 de dezembro na revista Anais de Neurologia.

Uma nova abordagem para a epilepsia resistente a medicamentos

“Um terço das pessoas que vivem com epilepsia não se livram das convulsões com medicamentos modernos”. diz o autor sênior Patrick A. Forcelli, PhD, professor e presidente do Departamento de Farmacologia e Fisiologia da Escola de Medicina de Georgetown e Jerome H. Fleisch e Marlene L. Cohen Professor de Farmacologia. “Esperamos que a senoterapia, que envolve o uso de medicamentos para remover células senescentes, possa potencialmente minimizar a necessidade de cirurgia e/ou melhorar os resultados após a cirurgia”.

A epilepsia do lobo temporal (ELT) pode ocorrer por vários motivos subjacentes. Estes incluem lesões na cabeça relacionadas com trauma ou acidente vascular cerebral, infecções como meningite, tumores cerebrais, estruturas anormais dos vasos sanguíneos e doenças genéticas hereditárias. A ELT é a forma mais comum de epilepsia que não responde bem à medicação e afeta aproximadamente 40% das pessoas com epilepsia.

Células que apoiam o envelhecimento foram encontradas em tecido cerebral humano

Para estudar a biologia subjacente à ELT, os investigadores examinaram tecido cerebral humano de doadores que tinha sido removido cirurgicamente dos lobos temporais de pacientes com epilepsia. Quando comparados com amostras de autópsia de indivíduos sem epilepsia, os tecidos de pacientes com ELT mostraram um aumento de cinco vezes nas células gliais senescentes. As células gliais ajudam a apoiar e proteger os neurônios, embora elas próprias não gerem sinais elétricos.

Experimentos em ratos mostram redução de convulsões e melhora da memória

Com base nas descobertas em tecido humano, a equipe investigou se um acúmulo semelhante de células senescentes ocorreu em um modelo de camundongo projetado para imitar a ELT. Duas semanas após a lesão cerebral que iniciou a epilepsia em ratos, os investigadores encontraram um claro aumento nos marcadores de envelhecimento celular, tanto a nível genético como proteico.

Quando foram utilizados tratamentos para remover células senescentes, o efeito foi significativo. O número de células senescentes diminuiu cerca de 50%. Os ratos tratados tiveram um desempenho normal nos testes de memória do labirinto, tiveram menos convulsões e cerca de um terço ficaram completamente protegidos do desenvolvimento de epilepsia.

Medicamentos reaproveitados com perfis de segurança conhecidos

Um tratamento medicamentoso testado em ratos combinou dasatinibe e quercetina. O dasatinibe é uma terapia direcionada atualmente usada para tratar a leucemia. A quercetina é um flavonóide vegetal encontrado em frutas, vegetais, chá e vinho que pode atuar como um poderoso antioxidante e possui propriedades antiinflamatórias. Esta combinação de medicamentos tem sido amplamente utilizada em estudos animais para eliminar células senescentes em vários modelos de doenças.

Os investigadores escolheram estes medicamentos em parte porque ambos já estão a ser avaliados em ensaios clínicos de fase inicial para outras doenças. Forcelli também observa que o dasatinibe foi aprovado pela FDA para uma forma de leucemia, o que significa que seu perfil de segurança está bem estabelecido. Isto poderia permitir uma transição mais rápida para ensaios clínicos em pessoas com epilepsia.

Implicações mais amplas para o envelhecimento cerebral e doenças

Os primeiros coautores do estudo, Tahiana Khan, Ph.D. e David J. McFaul, ambos estagiários do laboratório de Forcelli, observam que o envelhecimento das células gliais foi recentemente associado ao envelhecimento normal e a doenças neurodegenerativas, como a doença de Alzheimer. Essa conexão é outro foco de sua pesquisa atual.

“Temos estudos em andamento usando outros medicamentos que podem afetar o envelhecimento, bem como estudos em outros modelos de epilepsia em roedores. Gostaríamos de compreender janelas importantes para intervenção na epilepsia e esperamos que esses estudos levem a tratamentos clinicamente úteis”, diz Forcelli.



Fonte: Segunda Base

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

No Proncor, procedimento raro mapeia foco da epilepsia


 O Hospital Proncor, em Campo Grande, marca um novo avanço na neurocirurgia do estado ao realizar um procedimento altamente complexo e pouco comum fora dos grandes centros: o implante de 17 eletrodos cerebrais profundos para a investigação e busca da cura de um paciente com epilepsia refratária.

O que é epilepsia e epilepsia refratária?

A epilepsia é uma condição neurológica crônica caracterizada por crises recorrentes, que são manifestações de uma atividade elétrica anormal e excessiva de um grupo de células nervosas no cérebro.

Já a epilepsia refratária (ou farmacorresistente) é diagnosticada quando as crises convulsivas não são controladas, mesmo após o uso adequado e combinado de, geralmente, dois ou mais medicamentos antiepilépticos. Nesses casos, a investigação cirúrgica torna-se uma importante alternativa para o tratamento e, em muitos casos, para a cura.

O implante dos eletrodos profundos tem o objetivo de realizar um mapeamento detalhado e preciso da atividade cerebral do paciente. Diferente de um eletroencefalograma (EEG) convencional, que capta as ondas cerebrais através do couro cabeludo, estes eletrodos são inseridos diretamente no tecido cerebral para obter dados de maior profundidade.

O Dr. Newton Lima explica a importância dessa técnica:

"A importância desse eletrodo profundo, que é como se fosse um eletro em nível convencional, que é um, aquele exame que capta as ondas cerebrais, né, e acha uma crise epilética, só que nesse caso foi implantado direto e na profundidade cerebral, literalmente para investigar mais a fundo a área de origem das crises."

O paciente em questão já possuía um estimulador do nervo vago (Vagus Nerve Stimulator - VNS) implantado anteriormente por outro serviço, mas a nova investigação busca uma solução definitiva.

O objetivo final do mapeamento é localizar a área epileptogênica, ou seja, o ponto exato no cérebro onde as crises se originam, o chamado "curto-circuito" cerebral.

"Achando a área de origem das crises, a gente acha a, vamos dizer assim, a área de curto circuito, né, a área epileptogênica, ou seja, a área causadora da crise epilética dele."

Uma vez identificada essa área, a equipe médica pode considerar a ressecção cirúrgica (retirada) dessa porção do cérebro, com grandes chances de levar à cura da epilepsia do paciente.

O neurologista ressalta a raridade e o significado do procedimento na região: 

"Esse caso é o segundo caso meu, o segundo caso do Mato Grosso do Sul, de um implante de 17 eletrodos cerebrais profundos com investigação de epilepsia refratária, né? Para busca da cura da epilepsia. É, raramente é feito fora de grandes centros por falta de especialista na área de epilepsia", destaca.

O Hospital Proncor oferece protocolos rigorosos de segurança, equipe especializada e tecnologia de última geração, criando um ambiente ideal para procedimentos de alta complexidade como este. A infraestrutura avançada do hospital possibilita investigações neurológicas precisas e cirurgias com o mais alto padrão de qualidade e segurança ao paciente.



Fonte: Campo Grande News