quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Hospital responde objetivamente por erro médico, diz Superior Tribunal de Justiça

Embora médico só possa responder por erro se ficar provada sua culpa, hospital responde objetivamente por prejuízos causados a paciente. Com base nesse entendimento, a 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça confirmou decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul que condenou um hospital a indenizar uma mãe pela má prestação dos serviços durante o parto de sua filha, que, em razão das falhas procedimentais, teve sequelas cerebrais de caráter permanente.
Ao ser internada, a paciente passou por uma cesariana tardia, fato que ocasionou várias sequelas de caráter permanente na criança, como paralisia cerebral, epilepsia e atrofia cerebral, pois ficou sem oxigenação e sem monitoramento cardíaco durante 29 minutos entre a conversão do parto normal para a cesariana. Em primeira instância, o hospital foi condenado a pagar R$ 30 mil por danos morais, com correção monetária desde a decisão, além de juros de mora, contados a partir da data do fato.
Imperícia e negligência
O tribunal gaúcho considerou que houve imperícia e negligência por parte do hospital, visto que a perícia técnica comprovou que a criança ficou sem acompanhamento durante o parto. Concordou que o hospital deveria indenizar os danos causados. No STJ, o hospital alegou que sua responsabilidade só poderia ser estabelecida mediante aferição de culpa, mas a paciente não teria conseguido demonstrar a ocorrência de ato culposo.
A relatora do recurso, ministra Nancy Andrighi, lembrou que a pretensão da paciente não se voltou para a responsabilização de um médico ou de profissionais que participaram do procedimento, mas diz respeito exclusivamente ao defeito na prestação do serviço hospitalar.
A ministra explicou que a responsabilidade civil do médico é diferente da do hospital nos casos de indenização. Enquanto os médicos têm responsabilidade subjetiva, de acordo com a culpa, os estabelecimentos respondem objetivamente, conforme os serviços prestados.
Fundamento adicional
Para a ministra, ficou constatada a responsabilidade objetiva do hospital, tendo em vista que as instâncias de origem reconheceram um defeito no serviço prestado. A ministra sublinhou, ainda, que haveria fundamento adicional à responsabilização do hospital, uma vez que a corte local reconheceu a conduta inadequada dos profissionais envolvidos no procedimento. Isso, segundo ela, configuraria a culpa destes profissionais e, por consequência, a responsabilidade solidária do hospital.
De acordo com a turma, como o próprio TJ-RS reconheceu a responsabilidade objetiva do hospital em razão do defeito ou da má prestação do serviço, não é possível alterar essa conclusão, pois demandaria o reexame de fatos e provas dos autos, algo vedado em recurso especial pela Súmula 7 do STJ.
Fonte: Consultor Jurídico






quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Epilepsia: casos de morte caem 42,3%

Um estigma em torno da doença, existe até os dias atuais, onde mesmo sem uma causa específica para se adquirir a epilepsia, o tabu e preconceito com relação à doença ainda existe na sociedade. Muitas pessoas acreditam que a epilepsia é contagiosa, que pode ser adquirida através do contato, outros acham que toda pessoa que tem a doença tem algum problema psiquiátrico, mas segundo o neurologista Emerson Magno essas informações não procedem e quem possui a epilepsia pode ter uma vida normal.

Apesar de não parecer ser tão evidente, cerca de 50 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com o transtorno, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), no entanto 70% dos casos de epilepsia são tratados com medicamentos e 30% por meio da cirurgia.

Na Paraíba, houve uma diminuição de 42,3% nos óbitos pela doença, pois em 2016 foram registrados 52 casos, enquanto que neste ano, no mesmo período, mês de julho, foram 30 casos. De 2014 para 2017 foram contabilizados um total de 169 casos de morte por epilepsia no Estado, segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SES). O ano de 2016 foi o que liderou o ranking, com o maior número de óbitos, entre os anos citados anteriormente.

Denominada como uma das doenças neurológicas mais comuns do mundo, a epilepsia não tem uma causa específica, mas existem fatores como a má-formação congênita do cérebro, traumatismos cranianos, tumores cerebrais, infecções, doenças vasculares, ou até lesões no cérebro, que podem desencadear no distúrbio. “Existe também o fator genético, que é muito importante, em alguns casos tem origem genética, mas não são todos”, acrescentou o neurologista Emerson Magno.

O que deve ser feito durante uma crise epilética? Durante uma crise, a pessoa que estiver presenciando deve tomar alguns cuidados que podem fazer toda a diferença, e que vão ajudar o paciente a não ter lesões graves. Dentre as recomendações do neurologista Emerson Magno, o primeiro passo é proteger a cabeça do paciente, colocando travesseiros, almofadas, ou qualquer utensílio para evitar machucar a cabeça de qualquer lesão; soltar a roupa dele, para que ele respire melhor; o virar de lado, pois pode ocorrer um engasgo com a própria saliva, além de observar o tempo da convulsão, pois se for muito demorado a pessoa deve ser levada rapidamente ao hospital; permanecer do lado da vítima até que ela volte a consciência e evite que a pessoa caia bruscamente no chão.

Fonte: PB Agora

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Epilepsia na escola: como acolher e educar para a inclusão?

Falta de informação e preconceito são realidades na vida de crianças com doenças neurológicas. A mais comum delas, a epilepsia, atinge cerca de 2% da população mundial, sendo que em 50% dos casos as crises têm início ainda na infância, podendo ser logo após o nascimento.
Mas, embora ter epilepsia não signifique necessariamente ter qualquer atraso cognitivo ou neurológico, a falta de informação em relação à doença não resulta apenas em uma maior dificuldade de diagnóstico e tratamento, também potencializa situações de exclusão e bullying, o que pode ser muito prejudicial ao processo de aprendizagem de uma criança.
"Alguns estudos revelam que a epilepsia é um facilitador para o fracasso escolar ou para problemas de comportamento, atribuindo antecipadamente para que alunos sejam precocemente rotulados como preguiçosos, lentos, com falta de capacidade, má vontade ou inquietação", explicam Regina Silvia Alves de Lima, mestre em “Educação e Saúde da Infância e Adolescência” e conselheira de Advocacy da Associação Brasileira de Epilepsia, Maria Alice Susemihl, vice-presidente da Associação Brasileira de Epilepsia e Laura Ferreira Guilhoto, neurologista responsável pelo ambulatório de epilepsia na infância da Unidade de Pesquisas das Epilepsias da Unifesp - Universidade Federal de São Paulo.
Para combater o preconceito, a Associação Brasileira de Epilepsia está trabalhando junto a 92 escolas da rede estadual da zona sul de São Paulo conscientizando e ensinando membros da diretoria e coordenação, professores e funcionários das escolas sobre as características da doença e suas manifestações, primeiros socorros em caso de crise, mas também discutindo atitudes positivas para evitar estigmas e fortalecer a autoconfiança e autoestima de crianças com epilepsia.
"A escola tem condições ímpares de ser um local onde se aprenda a disseminar conhecimento sobre a doença e os profissionais da educação tem o poder de aliar conceitos corretos às atitudes corretas, combatendo definitivamente o preconceito, o bullying e a exclusão", afirmam as especialistas.
Professores também relatam bons resultados a partir de práticas que propõe mais diálogo e troca de informações com os alunos sobre a doença. "Com o esclarecimento correto, o que envolve carinho e paciência, os alunos formam uma corrente do bem", explica a educadora Simone Rebelo, que trabalha em uma das 92 escolas participantes do projeto. 
E quando a crise acontece na escola?
Nivia Colin, mãe do Felipe, atualmente com 15 anos, diagnosticado com epilepsia aos sete anos, conta que Felipe já teve crises em ambiente escolar.
"Na última vez, ele estava jogando bola com os colegas e estava no gol. Professores, colegas e funcionários ajudaram a socorrê-lo. Colocaram ele de lado, protegeram sua cabeça e esperaram a crise passar. Depois disso, o levaram à enfermaria e me chamaram para buscá-lo. A escola teve uma postura muito bacana, o que inclui professores, coordenadores e amigos", conta ela.
Anualmente, Nivia marca uma conversa com a coordenadora pedagógica da escola para passar informações atualizadas sobre o caso de Felipe e os resultados dos últimos exames, além de aproveitarem para discutir a avaliação neuropsicológica e psicológica do menino.
Para a mãe, a relação de confiança com a escola é importante para que seu filho possa acompanhar o calendário -incluindo viagens e passeios- normalmente. "Preciso estar segura para que ele tenha a mesma segurança", conta ela.
Nivia também ressalta a importância do diálogo sobre a epilepsia, o tratamento e como socorrer a criança em caso de crise.  "Com o Felipe, desde sempre fomos explicando o que ele tinha, como se manifestava, com uma linguagem que ele entendesse, aos sete anos até hoje que tem 15 anos. Sempre recebemos os amigos dele em casa e na hora da medicação, nunca escondemos dos amigos (excelente oportunidade para verem e fazerem perguntas), no começo nós (pais) respondíamos, com o tempo ele mesmo passou a responder para que era a medicação", disse.
O que fazer em caso de crise?
Quando houver uma crise, a recomendação é que se a criança tiver um aviso ou aura, que acontece quando a crise começa, mas não há perda imediata da consciência (apenas alguns indivíduos apresentam), procurar ficar em um lugar mais calmo, sentar e parar as atividades.
Quando este aviso não ocorrer, quem estiver próximo, deve colocar o indivíduo deitado de lado, com a cabeça elevada e não se deve dar nada para beber ou comer. Não  deve colocar objetos em sua boca, nem puxar a língua.
Fonte: Catraquinha

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Epilepsia: o risco que correm os pacientes diagnosticados

De repente, um apagão. Era um dia normal para a adolescente Lúcia Okaeda. Ela já havia feito sua lição de casa e tomado banho, e assistia à televisão enquanto o jantar não ficava pronto. E isso é tudo de que consegue se lembrar. Da cozinha, sua mãe escutou um grito de pavor. Chegou a tempo de ver todos os músculos da menina se contorcendo de forma desordenada. Ela estava tendo uma convulsão.
A consciência só voltou já dentro da ambulância, encaminhada às pressas para o pronto-socorro. Aos 14 anos, Lúcia foi diagnosticada com epilepsia — estima-se que entre 1% e 2% da população sofram com o distúrbio. Foram três dias sob observação no hospital antes de receber alta, levando para casa uma receita de fenobarbital, o famigerado Gardenal. A droga, porém, não combinava muito com o estilo de vida da jovem. Tudo que Lúcia conseguia sentir era sono. Efeito do remédio. Sem mais crises, dois meses depois ela abandonou o tratamento. Seu corpo a ajudou a esquecer a doença.
Foi só aos 30 anos que Lúcia teve a segunda convulsão. Repetiu o roteiro: pronto-socorro, neurologista, remédio, sono. Ela esperava que, como da primeira vez, a próxima crise demorasse a chegar — mas foram mais seis convulsões antes de seu 33º aniversário. Na última, uma queda mais brusca resultou em fratura no ombro e serviu de alerta para Lúcia. Ela precisava se cuidar.
Depois disso, foram seis anos de sonolência, mas sem crises. Até que, em comum acordo com seu neurologista, ela decidiu suspender o tratamento mais uma vez. “Os exames mostravam que estava tudo bem. Não entendia o sentido de continuar tomando um remédio que me fazia mal.” A liberdade durou cerca de um ano e meio. Lúcia tomava banho quando sua filha ouviu o mesmo grito de pavor escutado pela avó anos atrás.
A técnica em radiologia começou, então, uma peregrinação por consultórios médicos (“as conversas não duravam nem cinco minutos, era angustiante”) até finalmente receber as informações que procurava. Depois de 25 anos, de algumas fraturas e de uma labirintite em decorrência das quedas, Lúcia entendeu de fato o que se passava no seu corpo quando ouviu falar pela primeira vez da SUDEP, sigla em inglês para morte súbita e inesperada em epilepsia. Excluindo os acidentes, essa é a principal causa de óbito entre pessoas que têm a doença, ainda que a maior parte delas nunca tenha sido informada desse risco.
MORTES MISTERIOSAS
O gaúcho Josemir Sander nunca atendeu no Brasil. Depois de se formar em Medicina pela Universidade Federal do Paraná, foi para Londres e se especializou em neurologia. Radicado na capital inglesa, adotou um nome mais sonoro à língua local. Hoje, Ley Sander é um dos principais especialistas em epilepsia e SUDEP do mundo.
Tudo começou em 1993. Médico-residente no hospital universitário onde hoje é professor, na University College London, acompanhava diversos pacientes vindos de outros países. Era comum que alguns ficassem um tempo sem aparecer, muitas vezes por terem retornado aos países de origem. Foi o que o médico pensou ter acontecido com um paciente paquistanês — até ser reconhecido pelo irmão dele nas ruas de Londres. “Você não sabe? Meu irmão morreu”, disse o rapaz. “Aquilo me deixou consternado”, lembra Sander. “Foi então que peguei minha lista de pacientes, fiz um levantamento dos que estavam faltando às consultas e descobri que alguns haviam morrido — a maior parte nas condições que hoje em dia chamamos de SUDEP.”
Livros de medicina do século 19 já relatavam a morte súbita de pessoas com epilepsia sem nenhuma outra causa aparente. Porém, com o aparecimento das drogas antiepilépticas, o assunto caiu no esquecimento, como se o problema estivesse resolvido. A estimativa é de que anualmente um a cada mil pacientes com epilepsia morre de SUDEP. São 200 casos por ano só no Brasil. Falta saber os motivos.
É difícil para os médicos definir qual mecanismo dispara essas crises em cada paciente — 40% dos adultos são portadores de epilepsia criptogênica, um nome rebuscado usado quando não se faz ideia do que provoca o distúrbio. A predisposição à epilepsia também muda de acordo com a genética. “Se você estimular eletricamente o cérebro, qualquer pessoa vai ter uma crise. Algumas desenvolvem uma crise com 30 watts, outras com 45 watts, outras com 60 watts. Mas se for até 65 watts, todo mundo vai ter. Provavelmente, é a genética que determina esse limite”, explica Sanders.
O que se sabe também é que esse turbilhão elétrico deixa marcas no organismo. Quanto mais frequentes forem as crises, maior será esse impacto. Mapear essas alterações é o próximo e mais desafiador passo. E, como a ética impede que as crises sejam provocadas em seres humanos, são os ratos de laboratório que assumem o fardo.
CONHECIMENTO QUE SALVA
O neurofisiologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Fúlvio Scorza comanda um dos únicos estudos sobre a SUDEP no Brasil. “A ciência ainda não conseguiu entender todo o processo de conexão do sistema nervoso com o restante do corpo. Talvez nem vá entender. Então, começa a dar chutes”, diz ele. “Isso é o bacana da ciência. Você vai buscando as causas em um processo muito longo, cada hora traçando uma meta e isolando variáveis.”
A maior parte das crises epilépticas são autocontidas — em 99% dos casos, elas param sozinhas. O que não está muito claro é o mecanismo que existe por trás disso. Experimentos com animais mostraram que, durante a convulsão, o cérebro libera opioides que cortam a crise. Quando há muitas crises, no entanto, essas proteínas são produzidas em excesso, fazendo com que o sistema respiratório entre em colapso. É como uma overdose provocada pelo próprio organismo.
O provável é que, assim como a própria epilepsia, a morte súbita também seja causada por diversos fatores. Mas uma coisa é certa: quanto mais crises, maior o risco. Se um indivíduo apresentar de uma a duas crises por ano, a chance de ter SUDEP é três vezes maior do que para alguém sem crises; de três a 12 crises por ano, a probabilidade é oito vezes maior; e dez vezes maior para quem tem mais de 13 crises por ano.
O único caminho conhecido é evitar ao máximo a recorrência das crises. E, além de medicamentos e cirurgias nos casos de difícil controle, a informação é outra ferramenta importante. “Ainda existe muito estigma. Acreditava-se que a epilepsia era uma doença espiritual. Diziam que se espalhava pela saliva...”, conta Scorza. Lúcia sentiu o preconceito na pele. “Demorei muito tempo para aceitar que eu tinha essa doença justamente por conta da intolerância das pessoas. Quando você procura um emprego e coloca na ficha que é epilético, você não entra. Simples assim”, diz. “Já perdi duas vagas porque fui sincera.”
A situação é ainda mais delicada quando o tema é morte súbita. Boa parte dos neurologistas acredita que avisar sobre a SUDEP pode deixar o paciente ainda mais estressado — e o estresse é justamente um dos fatores desencadeadores de crises. Como a ciência também ainda não fornece muitas respostas, vários médicos preferem simplesmente não dizer nada. “Eu nunca tinha escutado falar em morte súbita. Fiquei assustada”, lembra Lúcia. “Só me acalmei quando entendi a importância da medicação certa. Dose exata, horário correto. Se formos bem assistidos, não corremos esse risco.”
A conscientização de médicos, pacientes, familiares e da sociedade como um todo é fundamental para que a doença deixe de ser um problema maior do que realmente é. “Falar de morte súbita ajuda na adesão ao tratamento”, destaca Kette Valente, neurologista do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo e médica de Lúcia. O consenso atual nos principais congressos de medicina dos Estados Unidos e da Europa, que servem de diretriz para a conduta dos médicos em todo o mundo, é de que os pacientes têm direito de saber da sua condição. Parece básico, mas isso pode fazer toda a diferença para pacientes como Lúcia: “Se eu soubesse desde o começo, nunca teria parado de tomar o remédio. E aí, talvez eu tivesse levado uma vida longe das crises”.
O que é SUDEP?
Sigla em inglês para morte súbita e inesperada para pacientes com epilepsia.
Quem corre o risco de SUDEP?
A incidência da SUDEP é considerada alta em pacientes com epilepsia crônica e maior nos indivíduos de difícil tratamento farmacológico. Alguns fatores podem ser considerados de risco: idade, início precoce das epilepsias, tempo de duração das epilepsias, não controle e frequência das crises epilépticas, tipos de crises epilépticas, regime de drogas antiepilépticas adotado e temperaturas frias.
Como evitar?
Reduzir a incidência de crises é o único caminho. Para isso, é fundamental o reconhecimento pelo médico do tipo de síndrome epiléptica do paciente, proporcionando o tratamento correto para aquela pessoa.
Fonte: Galileu

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quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Congresso do Peru dá primeiro passo para legalizar maconha

O congresso peruano deu na segunda-feira o primeiro passo para a legalização do uso medicinal da maconha ao aprovar um projeto de lei apresentado pelo governo do presidente Pedro Pablo Kuczynski que permitiria a produção e importação por razões de saúde.
O projeto foi aprovado na Comissão de Defesa do Legislativo e agora irá ao plenário do Congresso unicameral, controlado pela oposição, que deverá determinar uma data para seu debate e sua aprovação definitiva.
O governo tomou a iniciativa há alguns meses, sensibilizado pelo pedido de um grupo de familiares de portadores de epilepsia e episódios psicóticos com esquizofrenia que fabricavam azeite de cannabis em um laboratório clandestino que foi descoberto em uma operação policial.
Se o projeto for aprovado definitivamente, o Peru seguiria os vizinhos Chile e Colômbia na legalização da maconha para uso medicinal. O Uruguai já legalizou o plantio e o consumo de maconha, enquanto o Senado do México aprovou um projeto de lei que permite seu uso medicinal.
Parlamentar governista e membro da Comissão de Defesa e de Luta contra as Drogas do Congresso, Alberto Belaunde disse a jornalistas que a liberação da erva poderia beneficiar pacientes com câncer, epilepsia e Parkinson.
"Estamos falando da aceitação da cannabis que se utiliza para enfermidades crônicas, não cura estas enfermidades, o que permite é que as pessoas que padecem delas tenham uma qualidade de vida digna e aceitável", argumentou.
Kuczynski é um economista liberal de 78 anos que há alguns meses provocou alvoroço no país ao afirmar que fumar maconha "não é o fim do mundo".

Fonte: Terra

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

SUS incorpora remédio para convulsões em pessoas com microcefalia

A substância levetiracetam será incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) para tratamento de convulsões em pacientes com microcefalia. O Ministério da Saúde publicou, no Diário Oficial da União de segunda-feira, portaria que regulamenta a incorporação do medicamento.

O texto da portaria estabelece que o prazo máximo para efetivar a oferta ao SUS é de 180 dias e que o relatório de recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) estará disponível no endereço eletrônico http://conitec.gov.br.

O levetiracetam também será incorporado para tratamento de pacientes com epilepsia mioclônica juvenil resistentes à monoterapia, de modo associado ao medicamento já utilizado. O prazo para efetivar a oferta da substância para esses fins também é de 180 dias.

Histórico

O registro do genérico Levetiracetam, inédito no Brasil, foi aprovado em outubro de 2016, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para o tratamento de crises convulsivas. A medida significa ao menos uma nova opção para os pacientes que precisam desses medicamentos. Na prática, quando um medicamento genérico inédito é aprovado, o medicamento de marca passa a ter um concorrente no mercado.
Pela lei, o remédio genérico já entra no mercado a um preço mais barato que o produto de marca. Essa redução representa um desconto de pelo menos 35% em relação ao preço máximo da tabela da Anvisa.
Descrição
De acordo com a Anvisa, o levetiracetam é apresentado na forma de comprimido revestido ou solução oral e é indicado como monoterapia (não combinado com outros medicamentos antiepilépticos) para o tratamento de crises convulsivas parciais, com ou sem generalização secundária, em pacientes com 16 anos ou mais e diagnóstico recente de epilepsia.
Fonte: Correiro do Brasil

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Usuários de canabidiol defendem substância em audiência na Assembleia Legislativa de Minas Gerais


Apesar de ser um assunto polêmico, o uso do canabidiol conhecido como CBD), princípio ativo da maconha que é usado contra diversas doenças, especialmente para tratar epilepsia, voltou a ser discutido na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Militantes e pacientes em tratamento com a substância apresentaram os benefícios do uso medicinal da maconha durante audiência pública da Comissão de Prevenção e Combate ao Uso de Crack e Outras Drogas da ALMG, na quarta, dia 23 de agosto.

A Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a importação controlada de medicamentos à base de canabinoides, mas os altos custos e a burocracia acabam por inviabilizar o acesso de grande parte da população aos produtos.


Segundo Leandro Ramirez, presidente da Associação Brasileira de Pacientes de Cannabis Medicinal (Ame+me), esses remédios deveriam estar à disposição de qualquer cidadão nas farmácias, mas o preconceito, aliado a uma "legislação retrógrada", impedem o tratamento mais adequado dos pacientes.

Ramirez é pai de um menino epilético, que apresentava um quadro clínico de crises convulsivas de difícil controle. A vida de seu filho estava em risco quando ele decidiu, como definiu, "traficar" pelos Correios o óleo da maconha, rico em canabidiol. Conforme o presidente da Ame me, o progresso do filho com o uso da substância foi perceptível, com o desenvolvimento de atividades cognitivas e motoras.

À frente da associação, Leandro Ramirez coordenou o acompanhamento de outros pacientes, epiléticos e autistas, submetidos a tratamentos com derivados da maconha. Os resultados foram animadores: maior controle de crises convulsivas, da hiperatividade e do déficit de atenção, bem como a redução do uso de medicamentos, de efeitos colaterais e de internações hospitalares, entre outros benefícios.

Segundo o ativista, que é médico oncologista, estudos recentes indicam que os canabinoides podem contribuir de forma efetiva no tratamento de doenças como Mal de Alzheimer, câncer, diabetes, esclerose múltipla e depressão. No entanto, outros empecilhos para a difusão desses produtos seriam a resistência de médicos em prescrevê-los e os interesses da indústria farmacêutica, que não podem patentear substâncias naturais, como é o caso do canabidiol.


Qualidade de vida


A vice-presidente da Ame me, Juliana Paolineli, ressalta que sua qualidade de vida melhorou bastante com o tratamento baseado no uso medicinal da maconha. Com uma doença severa incurável na coluna, ela sofria com dores intensas e com os efeitos colaterais dos diversos medicamentos que tomava.

Após o uso controlado de extratos da planta, os sintomas diminuíram drasticamente, e ela voltou, inclusive, a menstruar e conseguiu até engravidar. Juliana solicitou ao médico a indicação do produto para poder importar canabinoides. Ela foi uma das primeiras brasileiras a receber uma liminar da justiça em favor do procedimento. "Não poderia me contentar com uma doença sem solução", comenta Juliana paolineli.

Ela lembra, no entanto, o expressivo valor da medicação de que precisava: U$$ 9 mil por três frascos. No seu entender, o desafio da democratização do produto só será superado com pesquisa e qualificação para o cultivo medicinal da planta.


Lobby


O juiz federal Renato Martins, que retirou um tumor do cérebro, também lamenta que apenas pessoas com uma situação econômica estável como a dele possam bancar o tratamento com canabinoides.

Ele ressalta que, como magistrado, se vê às voltas com a judicialização da saúde – uma profusão de ações judiciais cobrando que o governo importe e forneça medicamentos, muitas vezes experimentais, para o tratamento de pacientes.

De acordo com Renato Martins, enquanto a venda de remédios envolvidos com um lobby mais forte e sem efetividade comprovada acaba sendo autorizada, outros, como os derivados da maconha, encontram maior resistência.


Legislação brasileira


Apesar do cultivo da maconha para fins medicinais ser uma das principais demandas dos defensores da causa, a legislação brasileira prevê pena de detenção para quem planta, cultiva, guarda, transporta e adquire a planta com esse objetivo.

Recentemente, o PPS, a pedido do deputado Antônio Jorge, membro do partido, ajuizou no Supremo Tribunal Federal (STF) uma ação direta de inconstitucionalidade, pedindo a liberação da Cannabis sativa para uso medicinal.

De acordo com o deputado, é preciso deixar de lado o fundamentalismo moral que envolve a questão para que sejam discutidos os benefícios para a sociedade. "O estado não pode proibir atitudes individuais que não prejudiquem ninguém", pondera, ao lembrar o acúmulo de evidências favoráveis ao tratamento com canabinoides.


Fonte: Encontro

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Evento em comemoração ao Dia 9 de Setembro: Dia Latino Americano da Epilepsia

Evento Arte & Epilepsia em comemoraçõ ao Dia Latino Americano da Epilepsia








Local: Teatro Colégio Santa Cruz
Rua Orobó, 277
Alto dos Pinheiros - SP/SP
Data: 17 Set / Domingo
Horário: 14 hs ás 17 hs
Aberto ao Público
Poesia, Música, Quadros, Esculturas e Ballet

Organizado pela ABE (Associação Brasileira de Epilepsia) e 
LBE ( Liga Brasileira de Epilepsia)













quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Neurocirurgião lidera estudo internacional de cirurgia da epilepsia

O chefe do Serviço de Neurocirurgia do Hospital São Lucas e professor da Escola de Medicina da PUCRS, Eliseu Paglioli Neto, foi escolhido para liderar a Força-Tarefa de Cirurgia de Epilepsia Pediátrica da Liga Internacional Contra a Epilepsia (ILAE). O grupo tem o objetivo de definir as recomendações internacionais para a cirurgia da epilepsia em crianças, visando à realização delas o mais cedo possível. “Normalmente, crianças que começaram a ter crise com 1-2 anos são operadas apenas com 8-9 anos. Queremos fazer as diretrizes para o mundo todo porque é melhor fazer a cirurgia mais cedo, para que não demore tanto tempo para a criança ser tratada”, explica o neurocirurgião.
Estudos epidemiológicos mostram que, apesar do desenvolvimento de novos medicamentos, por volta de 35% de todos que possuem epilepsia e metade daqueles com epilepsias focais não conseguem ter suas crises controladas com remédios. Por isso, nas últimas três décadas, a cirurgia passou de um procedimento raro, utilizado excepcionalmente, para uma alternativa consistente e muitas vezes prioritária para aliviar o sofrimento dos portadores da doença. Segundo a Organização Mundial da Saúde, 50 milhões de pessoas no mundo sofrem de epilepsia, o que a torna um dos transtornos neurológicos mais comuns.
A Liga é o principal órgão mundial da área, criada em 1909 e formada por capítulos de mais de 100 países. É voltada a disseminar o conhecimento sobre a enfermidade e promover pesquisa, educação e treinamento, além de buscar melhorar os serviços e os cuidados aos pacientes por meio de prevenção, diagnóstico e tratamento. Profissionais de diferentes nações, poucos do Brasil, integram as comissões, que produzem as diretrizes que são seguidas globalmente. Os resultados dos estudos são publicados na revista científica da organização e divulgados em congressos internacionais. Paglioli integrará a Comissão de Cirurgias e assumirá a Força-Tarefa em setembro, para o período de 2017 a 2021.
Eliseu Paglioli Neto
O neurocirurgião gaúcho coordena, junto com o neurologista André Palmini, o Programa de Cirurgia da Epilepsia do Hospital São Lucas da PUCRS, que completou 25 anos em 2017 e foi pioneiro na realização regular e continuada de procedimentos desse tipo na região Sul. Nesse período, foram feitos mais de 2 mil procedimentos e 4 mil avaliações. São atendidos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), convênios e particulares. Entre os que se operaram, estão pessoas de todo o Brasil e também de países como Argentina, Uruguai, Chile, Portugal e Estados Unidos.
São realizados entre 90 e 100 procedimentos anuais. O índice de complicações é baixo. Em alguns tipos específicos da doença, os resultados alcançados estão entre os melhores do mundo, tendo sido publicados em reconhecidas revistas internacionais. “A epilepsia tem mais de 20 tipos diferentes. Na média, 70% dos pacientes ficam completamente sem crises e outros 20% tem redução significativa, com melhora da qualidade de vida”, afirma Paglioli. Dados coletados em centros internacionais e no HSL demonstram que a capacidade intelectual, o comportamento e a função motora podem ser melhorados com o procedimento.
Fonte: PUCRS

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Piauí faz pesquisa para produzir canabidiol, medicamento à base de maconha

Pesquisadores e médicos neurologistas das Universidades Estadual (Uespi) e Federal do Piauí (UFPI) e do Centro de Integrado de Reabilitação (Ceir) estão trabalhando na produção local do canabidiol, medicamento feito a partir da planta da maconha, Cannabis Sativa, que atua no sistema nervoso central, ajudando a tratar doenças psiquiátricas ou neurodegenerativas, como esquizofrenia, mal de Parkinson, epilepsia ou ansiedade, por exemplo.
Um dos pesquisadores envolvidos no estudo, o médico Kelson James Almeida, diretor clínico do Ceir, afirma que existe, sim, a possibilidade de produção do medicamento no Piauí. Mas ele não pôde dar mais detalhes do estudo ou processo de produção em razão de regras éticas.
No entanto, Kelson Almeida disse que o foco do estudo é para que o medicamento – que se apresenta em forma de óleo – tenha somente o princípio ativo destinado ao tratamento das doenças neurológicas ou psíquicas.
A segurança na formulação de um medicamento puro é necessária porque o canabidiol (CBD) é uma entre 113 substâncias químicas canabinoides encontradas na maconha (Cannabis sativa), mas que ainda assim se constitui grande parte da planta, chegando a representar mais de 40% de seus extratos.
A pesquisa médica local para produção do canabidiol foi autorizada pelo governador do Estado, Wellington Dias. Deverá seguir rígidos padrões de biossegurança.
Hoje, o custo do produto importado é elevado demais para muitas famílias que precisam dele para tratamento de pessoas com necessidade do medicamento.
De acordo com as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que liberou a venda do medicamento, produtos derivados dele poderão ser comercializados com uma concentração de, no máximo, 30 mg de tetrahidrocannabinol ou canabidiol por mililitro. Os produtos que tiverem concentração maior do que a estabelecida continuam proibidos no País.
A Anvisa incluiu no dia 22 de outubro do ano passado os derivados do canabidiol na lista de substâncias psicotrópicas vendidas no Brasil com receita do tipo A, específica para entorpecentes.
A norma acrescenta sete produtos à base de Canabidiol, em associação com outros canabinóides, mais comumente solicitados à agência, para importação excepcional por pessoa física. Dessa forma, o procedimento de avaliação e liberação se tornará mais ágil.
Fonte: Portal AZ

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Santa Maria aplica técnica inovadora contra crises de epilepsia

O Serviço de Neurocirurgia do Hospital Santa Maria, em Lisboa, operou desde o início do ano dois doentes com uma nova técnica de ablação de áreas do cérebro responsáveis pela ocorrência de crises epiléticas, tendo obtido "resultados muito positivos".
Segundo um comunicado do Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN), a que pertence o Santa Maria, este serviço de neurocirurgia é o único a aplicar a técnica em Portugal.
"Este tipo de tratamento está direcionado para pessoas que sofram de epilepsia não controlada com terapêutica médica, nas quais é previsível a localização de uma zona relativamente restrita no cérebro, responsável pelo início das crises", prossegue o comunicado.
A informação acrescenta que, "se esta for suficientemente localizada, a ablação por radiofrequência torná-la-á inativa, com melhoria da frequência das crises ou mesmo, com o seu controle na íntegra".
Outra vantagem desta técnica é "evitar a realização de uma grande cirurgia para abertura do crânio".
"A técnica é efetuada recorrendo apenas à realização de pequenos orifícios, de dois milímetros, através dos quais são colocados os elétrodos, que chegam assim a locais profundos do cérebro, muitas vezes inacessíveis em cirurgias abertas".
Fonte: Jornal de Notícias

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Epilepsia resistente a remédios é desafio para mães

Qualquer mãe sabe que não pode deixar a febre da criança subir por risco de convulsões e tem muito medo disso acontecer. Pode-se imaginar então o drama de quem tem filhos que sofrem de epilepsia, distúrbio em que a atividade cerebral sofre panes recorrentes, provocando crises periódicas. Há crises em que a pessoa perde a consciência e cai, apagando por alguns minutos. Mas há também crises mais sutis, que deixam o paciente ausente, fora do ar por alguns momentos, ou com movimentos descontrolados nos membros. Uma crise convulsiva pode impressionar e a falta de informação atrapalha o diagnóstico e, consequentemente, o tratamento correto.
Algumas doenças, pancadas ou infecções podem provocar crises convulsivas. Mas isso não quer dizer que o indivíduo seja portador de epilepsia. De acordo com a neurologista e epileptologista Dra. Andrea Julião de Oliveira, quem tem epilepsia apresenta uma alteração própria do funcionamento do cérebro que pode acontecer por diversas causas. “As crises geralmente ocorrem sem aviso prévio e sem tempo para que a pessoa possa se proteger ou ser protegida”, diz a especialista.
O problema de quem convive de perto com a doença é justamente não saber quando a convulsão pode acontecer – e como se comportar diante de alguém em crise. Para as mães de crianças com epilepsia, é especialmente difícil. Além de lidar com a questão do diagnóstico de uma doença para a vida toda, muitas vezes os tratamentos disponíveis não dão conta de controlar as crises adequadamente.
Como não há cura, o tratamento visa diminuir os episódios. A primeira opção são os medicamentos, mas uma parcela dos pacientes não responde bem a eles ou tem efeitos colaterais inaceitáveis. “Nesses casos, a terapia VNS é uma boa alternativa para ser acrescentada ao tratamento. Trata-se de um dispositivo capaz de estimular o nervo vago, que passa pelo pescoço, enviando sinais ao cérebro para diminuir as crises e melhorar a qualidade de vida. Ele é implantado sob a pele, abaixo da clavícula, num procedimento cirúrgico simples, que traz poucos desconfortos”, explica a médica.
Estudos mostram uma melhora significativa tanto no controle das crises quanto em vários outros aspectos. Dra. Andrea ainda completa que para os pequenos, isso garante um ganho enorme na qualidade de vida em geral, como melhora da depressão, do humor, além da atenção e capacidade de realizar tarefas na escola. Outros aspectos, como linguagem, memória e aprendizado, também saem ganhando. Para as mães, significa o alívio de encontrar uma opção para viverem melhor.
Fonte: Vida Saudável

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Cientistas criam modelo matemático que localiza foco de crise epilética

Cientistas de um hospital espanhol desenvolveram um modelo matemático que analisa a atividade cerebral para localizar as áreas nas quais se originam e propagam as crises epilépticas
O estudo, publicado na revista “Clinical Neurophysiology”, transforma os registos eletroencefalográficos (EEG) em modelos matemáticos que explicam as crises dos pacientes, permitindo delimitar a área do cérebro para ser removida na cirurgia para evitar sequelas no paciente e abre um caminho para prevenir as crises de epilepsia.
Adrià Tauste e Rodrigo Rocamora, da Unidade de Epilepsia do Hospital del Mar, em Barcelona, analisaram 50 crises epilépticas localizadas no lobo temporal de sete pacientes resistentes a medicamentos.
A eletroencefalografia permite registar a atividade elétrica da zona cerebral onde acontece a crise epiléptica graças a microelétrodos implantados no cérebro, uma técnica usada em casos muito complexos de epilepsia.
Os engenheiros e neurologistas que participaram neste estudo aplicaram um algoritmo matemático que traduz em números os registos obtidos na eletroencefalografia, permitindo obter uma imagem que, sobreposta à ressonância magnética do paciente, localiza o foco da crise epiléptica. Até agora, os médicos determinavam o foco a partir de uma interpretação subjetiva dos padrões visuais dos registos e da sua experiência.
Há décadas que os resultados de tratamentos cirúrgicos da epilepsia fracassam em alguns pacientes devido à complexidade das conexões neurais e às limitações das técnicas cirúrgicas. Segundo os especialistas, graças a este estudo está a ser desenvolvido um sistema automatizado e objetivo que evita interpretações subjetivas dos registros.
“O benefício mais imediato desta nova técnica é que a localização objetiva do foco epiléptico permite otimizar as estratégias cirúrgicas e delimitar melhor a área a retirar, o que pode ajudar o cirurgião e reduzir a possibilidade de erros. Atualmente, isto é conseguido em 60% ou 70% dos casos, conforme o tipo de epilepsia da pessoa”, explicam os investigadores. 
Fonte: Terra

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Ciclo de Palestras do ICB debate o uso do canabidiol no tratamento da epilepsia

O debate dos fins medicinais da maconha tem sido alvo de diversas discussões por todo o mundo. No Brasil, levando em conta o fato de o cultivo da planta ser proibido para qualquer fim e de seu auxílio em certas doenças ser defendido por muitos estudiosos têm feito com que a discussão se acentue na mídia e na academia. Por isso, o Ciclo de Palestras do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFJF promoveu no dia 20 de junho, uma palestra com Isabel Assis, que fez seu doutorado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) sobre o “envolvimento da enzima fosfatidilinositol 3-quinase (PI3K) no efeito anticonvulsivante e neuroprotetor do canabidiol”.

Isabel começou explicando o que é uma convulsão. Este termo se refere a um período clínico anormal resultante de uma exacerbada descarga elétrica, repentina ou anormal no encéfalo. No entanto, as crises convulsivas, ao contrário das convulsões que podem ser causadas por diversos motivos – febre alta, infecções no cérebro, exposição a drogas ou substâncias tóxicas e etc – são fruto de uma lesão no cérebro, como, por exemplo, nos tumores. Este quadro é chamado de epilepsia sintomática. Aliado a esta, existem centenas de tipos de epilepsia catalogados; entretanto, Isabel escolheu estudar o tipo mais comum que acomete a população, a epilepsia do lobo temporal.

Ao longo da história a epilepsia foi vista por uma ótica de misticismo, o que ocasionou em uma improdutividade nas pesquisas acadêmicas. Somente no século XX que a indústria farmacêutica começou a se mobilizar em prol ao combate da doença; no entanto, no início do século XXI, mais de 30% dos pacientes ainda se mostravam resistentes aos medicamentos disponíveis no mercado. Tal fato motivou a procura por novas drogas anticonvulsivantes pela indústria e cada vez mais o canabidiol (CBD) se tornou objeto de pesquisa na academia.

Palestra

O processo metodológico de Isabel passa por experimentos com camundongos, que, a partir da introdução da pilocarpina (PILO), substância capaz de levar os animais ao Status Epilepticus (SE), para investigar a participação da enzima PI3K sobre crises convulsivas e sobre a produção de fatores neurotróficos e mediadores inflamatórios. Após induzir os roedores ao SE, foram aplicados testes de reconhecimento de objetos e de medo condicionado. Nessa primeira fase, chegou-se à conclusão de que 70% dos camundongos atingiram o SE e não houve morte. A respeito da PI3K conclui-se parcialmente que a sua ausência prejudica mecanismos de proteção.

No momento seguinte, o canabidiol foi inserido na pesquisa como forma de tratamento dos camundongos e também em experiências em vidro. A presença do CBD diminuiu convulsões induzidas por PILO, reduziu a morte neuronal nos animais e apresentou efeito neuroprotetor em vidro. Concluiu-se que o CBD pode atuar de forma direta ou indireta na diminuição de crises e na diminuição da morte neural.
A grande dificuldade da pesquisa foi obter o CBD, pois, mesmo com a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) da importação do CBD para fins medicinais, ainda há muita burocracia para a obtenção da substância para a pesquisa, sendo permitida a importação somente com autorização médica. Tais dificuldades fizeram com que a pesquisa se mantivesse focada na epilepsia de forma aguda induzida pela POLI.
“O intuito de um futuro prosseguimento da pesquisa envolve o estudo com a epilepsia em sua forma crônica, que só será possível com a obtenção de canabidiol em maior quantidade, o que será importante para entender os efeitos adversos do uso do CBD”, conta Isabel.
Fonte: Ufjf Notícias


quinta-feira, 13 de julho de 2017

INSS indenizará pessoa com epilepsia por cancelar auxílio-doença duas vezes

O INSS indenizará em R$ 5 mil um segurado por ter cancelado indevidamente o auxílio-doença do homem em duas ocasiões, afrontando decisão judicial. A decisão é da 6ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (SP e MS).
O autor da ação, que tem epilepsia refratária desde 2004, alegou que teve o beneficio cancelado três vezes indevidamente. Segundo ele, por causa disso, desenvolveu depressão, ante o temor, a angústia, a impotência e a insegurança de não saber se, sem esse dinheiro, conseguiria manter suas necessidades básicas e as de sua família.
O pedido de indenização foi negado em primeira instância, fazendo com que o segurado apelasse ao segundo grau. No TRF-3, ele alegou que os cancelamentos foram infundados, desarrazoados, desproporcionais e ilícitos, o que caracterizaria o dano moral.
O relator do processo no TRF-3, desembargador Johonsom Di Salvo, afirmou que o primeiro cancelamento foi legal. Explicou que o INSS pode cessar a concessão de benefícios previdenciários sempre que entender não terem sido preenchidos os requisitos necessários para a sua manutenção.
No entanto, após a primeira negação, o jurisdicionado ingressou com ação previdenciária, onde ficou decidido que o INSS deveria restabelecer o auxílio-doença. Para o magistrado, os dois outros cancelamentos pelo INSS afrontaram a decisão judicial.
“Na medida em que houve indevido cancelamento por duas vezes — afrontoso de decisão judicial — de benefício de natureza alimentar (auxílio-doença) devido à pessoa incapacitada de trabalhar (como motorista) por conta de epilepsia refratária, nada mais é preciso revolver para se constatar a evidente angústia derivada da impossibilidade de manter as necessidades pessoais básicas e da família, situação que vai muito além de um simples aborrecimento com alguma vicissitude da vida”, disse.
Com esse entendimento, o colegiado acatou a apelação do segurado e decidiu que o INSS deve reparar o dano moral sofrido pelo autor, pagando-lhe a quantia de R$ 5 mil, com juros de mora, desde o primeiro cancelamento indevido do benefício.

Fonte: Consultor Jurídico

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Município de Olinda quebra preconceito contra a epilepsia a partir da sala de aula

Três milhões de pessoas no Brasil sofrem com epilepsia. No mundo, 50 milhões passam pelo transtorno, segundo números divulgados pela Organização Mundial da Saúde. Apesar da grande quantidade de pessoas com a doença neurológica, poucas sabem como agir em caso de um ataque. Terça-feira (27.06), alunos do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Lions Dirceu Veloso, nos Bultrins, em Olinda, receberam orientações de como lidar quando um colega sofrer ataque de epilepsia e formas de combater o preconceito.
Olinda é a pioneira no Brasil a receber o projeto de conscientização de epilepsia nas escolas. Com palestras informativas do Movimento de Apoio às Pessoas com Epilepsia de Pernambuco (MAPE-PE), em parceria com a Prefeitura de Olinda, através das secretarias de Saúde e de Educação, a ação chega à quarta escola municipal com este tipo de palestra. Para a coordenadora do MAPE-PE, Adriana Bachmann, é uma ótima oportunidade para tornar mais conhecida a doença e quebrar preconceitos.
“Vejo, de forma bastante positiva, a preocupação desta gestão de Olinda com a integração das minorias. A cidade é a primeira e, por enquanto, única com este tipo de trabalho nas escolas. Falamos para crianças, professores e pais. Essas crianças com epilepsia, quando têm um ataque, ficam com vergonha, não querem mais se socializar. Queremos quebrar o preconceito, passar a informação correta sobre a doença, como agir em caso de ataque, que poucos sabem. Temos que agir com normalidade. Qualquer um pode ter, de criança a idoso, e de todas as classes sociais”, destacou Bachmann.
A palestra abordou o conceito de epilepsia; mostrou curiosidades, como grandes famosos que tinham a doença – como Dom Pedro I e Machado de Assis -; os 30 tipos de convulsão; possíveis consequências dos ataques, entre outros. Um dos cerca de 50 alunos que assistiram à palestra foi o garoto Igor Inajá, de 18 anos. Com epilepsia desde criança, o jovem mostrou-se atento à palestra e se identificou quando foram apresentados vídeos com diversos tipos de crises epiléticas.
“Tomo remédios a cada oito horas para controlar a doença. Tudo que foi dito aqui na palestra eu sinto na pele. Achei muito importante, é legal para que meus amigos saibam como lidar quando eu tiver uma crise na sala de aula. Comigo, o ataque acontece muito forte”, relatou o aluno do 9º ano.
O momento mais marcante da tarde aconteceu após o fim da explicação de Bachmann. A pequena Bárbara Micaela, de 12 anos, chorava bastante no encerramento da palestra. “Meu tio tem convulsões. Quando ele tem crise, eu não sabia o que fazer, minha vó também. Ficávamos desesperadas. Agora consegui aprender”, contou, em meio às lágrimas, a estudante do 8º ano.
Para a professora Noêmia Souza, é importante a sensibilização nesta área. De acordo com ela, é importante que não apenas os alunos, como professores e toda sociedade saibam como lidar em caso de epilepsia. O aprendizado na escola pode ser utilizado a qualquer momento e em qualquer lugar.
“Há muitos anos trabalhamos a questão de respeitar as diferenças, inclusão e tolerância. Existem alunos com epilepsia e temos que sensibilizar os outros, ter o acolhimento dos colegas, que os outros alunos saibam lidar em caso de ataque, não ter preconceito. Não adianta apenas o professor estar ciente, pois não é todo momento que ele estará por perto. Isso pode acontecer na escola, no nosso bairro, em todos os lugares. Levaremos este aprendizado conosco para sempre”.
Portal Olinda